Vamos falar do snapchat?

8 ago

snap

Estou há tempos pra escrever sobre esse assunto, e agora com o lançamento do “stories” (que é uma versão pobrinha do snapchat) , achei que seria uma boa hora.

Eu bem me lembro que quando o Snapchat surgiu, uns 4 anos atrás e sua principal função era permitir que as pessoas se mandassem nudes sem correr o risco de terem suas fotos de peitinhos espalhadas pela web depois de algum traumático fim de relação. Era batata: tem snapchat – tá trocando softporn por ai.

Eu sei, eu sei… não era só isso. Você podia mandar uma foto ou video bacana para seus amigos e aquilo só faria sentido por um breve instante. E logo que sua graça acabasse, também acabava o tempo de duração daquele post. Até que legalzinho. Mas antes que ficasse obsoleto, numa manobra brilhante, a rede que parecia quase que sem propósito, voltou com tudo. Com esse perfil de video documentário da vida privada. Mesmo que eu ainda não entenda muito o por que das pessoas fazerem daquilo um diário pessoal, mostrando 24 horas por dia o que elas fazem das suas (aparentemente) tão interessantes vidas. Mas que o negócio é genial, não dá pra negar.

Ainda não sou muito viciada, mas vejo bastante. Acho que fiz uma vez na vida num show, então essa história de fazer snaps  não me pegou não. Mas eu aprendi a acompanhar as pessoas. Muitas pessoas. E aí meus amigos, foi criada uma surra de julgamentos nessa minha cabecinha aqui que vocês não imaginam. Eu julgo viu?! Mas julgo tanto que me divirto comigo mesma. E nesses meus julgamentos malucos eu criei algumas categorias de snapchats que vou dividir aqui pra ver se faz algum sentido (na minha mente faz todo).

Categoria “meu sonho é ser sua amiga”:  tem umas pessoas que são incríveis, engraçadas, alto astral e muito verdadeiras. Eu realmente queria ser amiga delas. De verdade, fico imaginando eu ligando pra pessoa no meio do dia. Um beijo pra Thay e pra Mica Rocha.

Categoria “quem paga as suas contas?”: por que né… tem um pessoal aí que não gosta de trabalhar não. Mas gastar sabem como ninguém. Sério, quem paga seu condomínio, IPTU, IPVA? Pede para pagarem o meu também!

Categoria “eu daria uma parte (útil) do meu corpo para ser você”: são aquelas pessoas que te dão inveja, simples assim. São pessoas que têm uma vida perfeita, uma família perfeita, trabalham com o que amam, treinam felizes da vida, são lindas, acordam 05 da manhã por opção, são bem casadas, podres de rica, passam metade do ano viajando de primeira classe e não se importam com o valor do euro. Sim, eu morro de inveja de vocês, assumo.

Categoria “mereço o oscar” : aquela galera que finge tão bem, sabe? A pessoa está odiando estar no lugar, odiando as pessoas, mas insiste em fazer snap falando que “tá tudo mara”. É meio humilhante ver que o programa tá uma bosta mas a pessoa está se esforçando tanto pra mostrar o contrário. Da uma dozinha… mas é tão legal de assistir.

Categoria “miga, para que ta feio”: aquelas que se filmam 24 horas por dia como se alguém se importasse. Amiga, numa boa, nenhuma vida assim é tão interessante pra você ficar se filmando o dia inteiro, passo a passo que dá e ficar falando pra tela do celular. Isso é meio doença, numa boa. Vai tratar.

Categoria “tô de férias, lidem com isso”: snaps das pessoas que estão viajando sempre me interessam. É aquela coisa de antigamente de marcar pra ir na casa da pessoa ver o álbum de viagem (que nunca acontecia) mas aqui é real time. Amo esses e amo viajar com a pessoa.

Categoria fofurices de bebês e cachorros: amo muito. Sou viciada nessas duas coisas, então sim, podem exagerar, mamies, podem achar seus bebês os mais lindos e incríveis do mundo. Eu assisto, e amo. É muito fofo ver eles se desenvolvendo e crescendo… aflora muito meu lado Felicia dos cachorros e crianças. <3

Categoria “amo odiar”: sim, isso é doentio, mas eu sigo algumas pessoas simplesmente pelo fato de que eu amo odiá-las. Elas me irritam em tudo, no jeito que falam, no jeito que são forçadas, no jeito que querem parecer uma coisa que não são, na forma como vendem suas vidas como perfeitas. Nessa categoria, o que eu mais odeio são as pessoas que insistem em falar como suas vidas são corridas e como estão sempre cheia de compromissos, compromissos esses: manicure, drenagem, seguido de pilates, dermatologista, tratamentos estéticos, seguido de café com as amigas, e jantar em restaurante que custa meu salário. E no final do dia estão exaustas. Sério, essas eu odeio muito, quero socar a carinha exausta delas.

Categoria “doentes dos filtros”: não entendo essa onda dos filtros. juro. Aquele que muda seu rosto com o de outra pessoa é bem genial, e os que te deixam esquisita e torta também. Mas os de animais e as flores e aqueles outros negócios lá, não entendo mesmo qual a graça.

Categoria “precisam te descobrir urgente”: tem gente que é tão boa nisso que não é possível que não estejam ganhando dinheiro com esse negocio. Sério, alguém precisa descobrir essas pessoas!

Depois das categorias eu gostaria de relatar aqui algumas regras básicas de etiqueta no snapchat:

– Quando estivermos conversando, não saque seu celular e enfie na minha cara falando “Dá oi pro snaaaaaaaapppiiiii”. Dá muito bode, sério.

– Não filme os coleguinhas sem avisá-los.

– Pelo amor de Deus, não faça snaps de reuniões de trabalho. É trabalho, lembra?

– Não poste fotos de 10 segundos. O snap te deu o maravilhoso poder de controlar o tempo! Use-o com inteligência.

– METADINHA – tá aí uma coisa que acho engraçada. Você quer aparecer mas está com vergonha, então mostra só metade de você? É isso?

E por fim, se você não for alguém famoso, não fale como se estivesse se dirigindo ao seu mar de fãs. Dá muita vergonha alheia.

Papo sério com a vida.

27 jun

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Oi vida, como vai? Tudo bem?

É, você mesma, a vida, viiidaa, do latim, vita. Faz tempo que não falamos não é mesmo? Está tudo tão maluco e corrido ultimamente. Eu às vezes esqueço de você e você de mim por mais impossível que isso possa parecer, porque né? Eu sou sua, você é minha. Somos uma só pessoa. Mas achei que devíamos bater um papo franco. Entre amigas mesmo. Eu e você, vida. Temos liberdade pra isso, certo?
Você anda bem ousada ultimamente, hein? Toda cheia de mistério, toda imprevisível. A senhora tem me dado cada rasteira e tapa na cara que vou te contar. Ultimamente você tem trazido cada surpresa e questionamento que eu tô até tonta. Pareço aquele cara perdidinho que jogaram no meio das batalhas de Game of Thrones. Vem tapa, espada, flecha, cavalo de todo lado. Quando você pensa que acabou vem outro tabefe na orelha. Você anda bem danadinha mesmo, né?

Você que sempre foi tão boa pra mim, eu até me assustava. Quando eu rezava antes de dormir, eu pensava: “Deus, não é possível que minha vida seja tão boa, não sei se mereço tudo isso. Será que o senhor não está esquecendo de me dar uns probleminhas assim só pra variar?” De verdade, você vida, sempre foi tão incrível pra mim. Quase todos os aspectos em você eu amava e era feliz. Quando uma coisa não ía bem as outras compensavam. O balanço sempre foi muito mais que positivo. Sempre. Você sempre foi quase tão perfeita que assustava. Tá… eu não posso dizer que perfeita porque isso nem existe e se existisse, que graça teria em você? Mas sim, eu posso dizer que sou muito abençoada e sempre fui muito grata por tudo que você vida, me proporcionou.

Daí de repente você resolveu dar uma chacoalhada em tudo e virou tudo de ponta cabeça. Que susto! Até eu que sou das mais otimistas do mundo comecei a desconfiar que você vida, era injusta, ingrata e que nada mais daria certo. Porque tudo o que estava bem você fez ficar ruim. O que era seguro você deixou inseguro e fraco. O que era lindo você deixou triste e cinza. Tudo que estava resolvido você “desresolveu” e trouxe um monte de questionamentos. Poxa vida, mas o que foi que você resolveu fazer com tudo hein? O que eu te fiz pra você me tratar assim? Foi cagada atrás de cagada e quando parecia que tinha terminado, vinha outra. Nossa! Você pode ser muito cruel às vezes sabia? Você tira saúde, traz problemas, fere relacionamentos. Você traz doença, brigas, dúvidas, que horror.  Você pode acabar com tudo né? Até com você mesma. Você é dura na queda.

E a gente cai em todas as rasteiras que você nos dá, porque afinal, você é a dona do jogo. Você é quem decide tudo e quem está no comando. A gente acha que é a gente, mas que nada. Você, vida, é a dona de tudo no mundo e até do destino, aquele cara lá estranho e misterioso que nos assombra de vez em quando.

Mas daí, vem você de novo mostrar que tudo passa. Você mesma vida, vem mostrar tudo isso de novo. Que depois da tormenta vem o arco íris e que não existe fase ruim sua que não seja seguida de uma outra tão boa e intensa quanto. Você vem realmente pra forçar a barra né? Bagunça tudo, embaralha tudo, e sai de fininho pra gente resolver o enigma. A gente sofre, faz drama, come o pão (sem glúten) que o diabo amassou e chora toda a cantareira. E você tá lá, vendo de cima e só mostrando que isso também é necessário e que isso mais uma vez vai passar, como tudo em você.

Você é tudo que a gente tem e o que a gente tem que fazer de melhor. E no fim das contas, você é a melhor coisa de todas as coisas. E agora, passado todo o turbilhão eu só tenho mais certezas das opiniões sobre você. Que você vida, é linda, é cheia de altos e baixos e cheia de surpresas. Que você é mágica e deliciosa e que até a parte ruim de você, é boa, é ótima. Você é um processo contínuo de relacionamentos e evolução e eu sou muito apaixonada por você. Sério. Sou meio mulher de malandro com você, vida. Porque mesmo me dando porrada eu volto mais apaixonada. Você é o que eu tenho de mais difícil e mais precioso. E assim vai ser até que a morte nos separe. E cada vez mais eu concluo o mais lindo de todos os clichês: “Eu sei, eu sei. Que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita. É bonita, é bonita e é bonita.”

Uma curiosa análise sobre aviões.

25 fev

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A última viagem que fiz de avião teve muita turbulência. Muita mesmo. E eu reparei que sempre quando isso acontece é despertado um fenômeno dentro de mim. Uma coisa muito maluca, meio contra tudo o que eu sou ou penso. Sou uma pessoa otimista por natureza, sempre acho o lado bom das coisas, e eu sempre acho que tudo vai dar certo. Acontece que quando estou num avião e começa uma turbulência, ou qualquer tremidinha, eu viro uma pessoa negativa. Só tenho um único pensamento: isso vai cair e vamos todos morrer. É horrível, é fúnebre, é bizarro. Mas eu sempre penso nisso. Sempre. Não, eu não tenho medo ou pânico de avião, nunca tive. Normalmente eu entro, durmo e acordo no meu destino. Sou bem tranquila com isso. O problema é que qualquer mexidinha estranha eu viro uma pessoa pessimista e pensamentos horríveis rondam minha cabeça. Já imagino as notícias, o enterro, é bem longe mesmo que vai meu pensamento. Se por acaso ou milagre o avião cair e sobrevivermos, eu já me imagino meio no Lost e desesperada porque não vou querer matar nenhum animal pra comer, não vou saber subir na árvore pra pegar frutas, vou ter medo da black smoke, não vou saber lidar sem depilação e essas coisas.

Eu sei que é uma insanidade pensar tudo isso mas eu me permito passar por esse fenômeno porque eu descobri que avião é definitivamente o local de se passar por coisas ridículas. Aliás eu amo gente que faz coisas inaceitáveis no avião. A cunhada de uma amiga deita no chão para dormir. Sim, embaixo dos pés dos coleguinhas. Ela só consegue dormir assim. Porque uma vez ela tomou remédio pra dormir e comeu peito de frango com a mão. Se sujou inteira e dormiu com o frango na mão.

A namorada do meu melhor amigo tem tanto pavor de avião que uma vez ela sumiu por 20 minutos durante o voo e ele a encontrou chorando na cabine do piloto comendo pringles pra se acalmar. O piloto foi super querido, mostrou todos os botões e como funcionava tudo. Era teoricamente o único jeito dela parar de ter crise mas só piorou quando ela viu que o piloto podia deitar e dormir praticamente pois as coisas aconteciam sozinhas.

Uma amiga minha quando era pequena vendeu um camarão pra um cara do lado dela. Ela não ía comer e o gringo perguntou se ela ía deixar ali. Ela disse que sim e ele: “I’ill give you 10 bucks”. Ela aceitou! O pai dela vendo a cena de longe ficou possuído achando que o cara estava comprando ela ou algo do tipo.

Um amigo meu fica totalmente emotivo em avião. Do nada, sem motivo aparente. Não sei se é a altitude, pressão, (ou esse tal medo de morrer), mas ele fica sensível. Chora. Já chorou assistindo Hangover, ou qualquer outro filme que definitivamente não se chora. Sei lá, parece que qualquer cena em câmera lenta já enche os olhos. Se aparece um corredor e uma pessoa correndo em câmera lenta no filme, então… é fim de jogo pra ele, chora tipo de dar vergonha.

Já uma amiga passou por uma situação bem curiosa em que um cara se apaixonou por ela durante o voo. Mesmo depois dela ter tido uma mania engraçada em voos que é pegar na carteira três fotos de rabino e prender no banco da frente para proteção. Uma outra amiga diz que sempre que entra no avião olha ao redor pra ver de quem ela ficaria amiga caso de fato o avião caísse numa ilha. Olha só como meu pensamento não é assim tão absurdo e outras pessoas compactuam. Já uma outra diz que pensa o oposto, tipo “Por que iria cair bem esse avião que eu tô? Uma pessoa tão boa e indispensável como eu”. Veja só que seguro que é voar com amigas assim.

Tem uma situação básica que eu já passei mil vezes e aposto que muita gente também. Você está viajando sozinha e a poltrona do seu lado ainda está vaga. Você avista de longe um mega gato andando em câmera lenta sorrindo na sua direção indo sentar ao seu lado. Seu futuro marido provavelmente. Nessa cena imaginária ao fundo vem tocando “Weeeeee are the Champion” e você está pronta pra flertar mas a realidade é outra e atrás dele tem um cara enorme, fedido, que por acaso esqueceu de comprar 2 assentos e se joga do seu lado ainda querendo fazer amizade. É muito frustrante, sabe.

O pai de um amigo meu quando ele tinha 2 anos, resolveu dar um golinho de champagne pra ele dormir e passar a dor de ouvido. Acontece que meu amigo ficou totalmente bêbado, e virou o bebê malucão do avião. Dava tapa na careca do cara da frente, gritava, dava show. (Fica aqui a lição para não darmos bebidas alcoólicas para bebês em aviões, ok? Em outros lugares acho que ok, é que o no avião tem o tal efeito inexplicável.)

Outra coisa que acho engraçado em avião é que as coisas óbvias não são mais óbvias lá. Eu peço o menu vegetariano as vezes e aí de café da manhã os caras me mandam uma abobrinha. Ah tá, porque pão é feito de animal né? Qual o sentido disso? Ou então aquele spray que eles passam pra desinfetar os brasileiros em voos indo pro Uruguai e pra Argentina. O que é aquele troço? E obviamente não funciona pra nada, certo? Pra que então?

Ah! Tem uma outra história bizarra que ouvi recente de um amigo que mora na Australia e veio para o Brasil de férias. Na volta ele sentou ao lado de uma menina e ficaram conversando muito. Eis que eles ficaram durante o voo.  E no meio de uma das conversas e dos beijos ele perguntou “O que você veio fazer na Australia”?  A menina (que deixou a cara de pau no Brasil) responde:  ” Vim visitar meu namorado”. Gente! Que isso? Eu imagino que ela deve seguir aquela linha de raciocínio de que se for em outro país não se configura como traição, então pra ela o que dizer dentro do avião, não é mesmo? Praticamente uma zona franca.

Eu cheguei a conclusão que o avião é o lugar de coisas inaceitáveis virarem aceitáveis. E discuti isso com algumas pessoas que me contaram mais histórias impagáveis que dariam até um novo texto. Estou coletando mais algumas pra fazer isso acontecer (ou pra ficar rindo sozinha mesmo). Tem alguma história boa pra me mandar?

Quando foi que o mundo ficou tão chato?

22 dez

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Esse é o último texto do ano, e mais do que um texto, é um desabafo. Porque né, 2015 não foi assim um ano fácil e talvez não tenha tanto pra se comemorar. Eu sempre acho que tem, costumo ver o lado bom de tudo, mas segundo o mood do pessoal ultimamente, eu tô aqui pra reclamar. Na verdade pra desabafar. Não sobre nada específico, mas sobre o mundo e as pessoas em geral.  Gente, quanto tempo eu dormi ou me desliguei que quando eu voltei estava tudo um saco? Quando foi que tudo ficou tão chato e dramático? O que aconteceu que um monte de gente bem resolvida agora resolveu incluir o mimimi no sobrenome? Da onde veio essa multidão de críticos e cheios de opinião sobre tudo e todos? Que que tá acontecendo? Eu acho que só há uma explicação plausível e assim de bate pronto pra responder isso: a internet.

Um cara que trabalhava comigo uma vez disse: a internet abriu a porta do reino dos chatos. É isso mesmo. Porque antes as pessoas viam as coisas e guardavam pra elas, ou contavam pra meia dúzia de interessados. Agora com a internet, você pode não só postar e falar o que quiser pra milhões de pessoas, como pode comentar em absolutamente tudo o que vê. E isso, que poderia ser algo pro bem, e pra maior interação e troca com as pessoas no mundo todo, simplesmente se tornou algo muito chato. As pessoas estão insuportáveis!

Não dá pra fazer ou falar mais nada sem que os chatos de plantão não reclamem.

Alguém fala que vai dar uma volta de bike na ciclovia –> Nooossaaa, coxinha, sem noção! Panelaço da varanda gourmet.

Resolve doar dinheiro pra uma ONG de animais –> Nossaaa, mas como você ajuda animais? E as pessoas? E a tragédia em Mariana? Você não tem coração?

As pessoas trocam o avatar do facebook para as cores da França em solidariedade ao terrível atentado –> Credo, que elitista, filha de papai, e o Brasil? E a seca do Nordeste? Pessoa horrorosa, só quer falar que já viu a Torre Eifel.

Foi aprovado o casamento gay em mais alguns países –> Pecadores, vão morrer no mármore do inferno!

O whatsapp caiu –> Que dia feliz! Finalmente as pessoas vão se olhar olho no olho, vão lembrar da família… blablabla.

Brincam pra mandar nudes pras amigas –> Meeeuu, que absurdo, como incentivam essa coisa horrorosa? As pessoas vão morrer de anorexia e de exposição.

Foto de férias na Europa –> Genteeee, que pessoa alienada. E a crise mundial? E o petrolão? E os refugiados da Siria? Como você é sem coração esnobando sua vida!

Falam de uma nova dieta no mercado –> Desumana! Incentiva a bulimia, faz dieta e não valoriza quem está passando fome no sertão.

Foto com os amigos pulando –>  Meu Deus que desrespeito a quem não tem amigos. Pulando ainda? E as pessoas que não tem pernas?

Videos engraçados –> Você não sabe o que acontece na vida das pessoas para rir da desgraça alheia, pense antes de compartilhar ZZzzzZZzz….

Que gente chata, meu seenhooorrr! Tudo é motivo pra reclamarem, e falarem de uma outra coisa que nada tem a ver com o assunto, ou pra te crucificarem e te tornarem a pior pessoa do mundo. Tá tudo muito chato e as pessoas estão se tornando intragáveis. Por que não conseguem enxergar o lado bom das coisas? Por que não consideram simplesmente o que deve ser considerado dos fatos? Porque dramatizar e aumentar tudo? Ai gente, vão transar, lavar louça, vão comer Nutella, pelo amor de Deus.

Querido, nem tudo é sobre você, é pra te ofender ou pra você dar opinião. As vezes algumas coisas são feitas ou postadas ou acontecem, simplesmente para serem daquele jeito, simples e efêmeras. Não precisa levar isso tudo tão longe.

Sejam mais leves e tenham mais discernimento na hora de comentar ou acabar com alguém nas redes sociais ou em qualquer lugar público. O mundo por si só já tem desgraça demais, não dá pra ter gente chata e negativa potencializando tudo.

Esse é meu amoroso recado pra 2016. De coração mesmo. Menos drama gente, mais amor, mais leveza e menos insuportáveis na internet. Sejam felizes, precisamos disso!  :)

 

Mudança de apartamento. E humor.

7 dez

Caminhão Pau de Arara

Ha algumas semanas eu fui parada numa blitz e tive meu carro apreendido. Sem me estender muito no ocorrido, vale dizer que era de madrugada e o policial não teve a menor compaixão por eu ser mulher, estar sozinha e meu bafômetro ter dado 0. Levou meu carro e me deixou lá na sarjeta. O dia seguinte foi praticamente o pior dia da minha vida, entre filas no Detran, esperas, mau humor, fome, desespero, documentos, bastante dinheiro, funções e muita demora. Depois ainda o resgate do carro na pqp. Eu tinha certeza que aquela seria a pior ou mais puxada semana do meu ano. Nada pode ter mais função do que Detran e coisas relacionadas a carro. Mero engano. Eu me mudei de casa semana passada. Isso sim é a maior e mais chata função da história da humanidade.

Começa na pré-mudança. Você deve encaixotar simplesmente 20 anos da sua vida. Ou melhor, 30. 20 anos que eu morava no meu apartamento anterior, e 30 anos de vida. É muita, muita coisa. Infinitas coisas. São milhões de roupas, papelada, fotos, livros e tralha. Sim, muita tralha. Me descobri uma pessoa acumuladora, porque apesar de extremamente organizada, eu encontrei coisas absurdas. O que dizer de uma pessoa que tinha ingressos de cinema de 2003? Ou do filme Sexto Sentido, que acho que foi em 1999? Ou convites de bar mitzva dos amigos (que hoje têm 30 anos), ou então, bilhetes e cartas dos amigos do primário? Sério, como pode ter tanta coisa? E o tempo que você perde mexendo nessas coisas antigas? Você para e lê as cartas do ex namorados e se pergunta aonde estava com a cabeça com alguns deles. Você chora relendo as cartas kilométricas das amigas com muitos “te amo +qd+zão, best friend forever and ever together”. Se surpreende com os boletins escolares…como eu era nerd, benza deus, nenhuma nota abaixo de 8, aparentemente eu chorava quando isso acontecia. Você morre de saudades e de rir com as fotos.  E percebe que sempre se achou gorda mas nem era tanto assim. Certamente hoje em dia é mais. Você percebe como seus pais te zoavam com os looks que te vestiam quando criança, ou como você mesmo se zoava na adolescência achando que era bonito ser hippie, despenteada de calça Diesel. E percebe o quão exagerada você pode ser tendo tanta coisa.

Sem brincadeira, fiz umas 20 sacolas enormes para doação e muitos sacos de lixo para irem para o lixo mesmo. Em paralelo a arrumação toda eu estava lendo um livro magnífico da Marie Kondo, uma japonesa obcecada por organização, chamado “A mágica da arrumação”. O resumo desse livro é basicamente “jogue tudo fora, você não precisa de tanta coisa para ser feliz”. Então eu segui (na medida do possível) muitos dos conselhos desse livro e me desapeguei de um volume monstruoso de coisas. Segui quase tudo, menos a parte de passar a mão em cada uma das minhas roupas e sentir a energia se elas ficariam mais felizes dobradas ou penduradas. Oi? A roupa feliz? A meia triste porque faço bolota delas sendo que elas precisam descansar? Essa parte eu acho que ela tomou drogas quando escreveu, então eu decidi se eu mesma estaria feliz e com espaço com as minhas roupas.

Feita toda essa divisão e arrumação tem a mudança de fato, e no caso das minhas coisas e dos meus pais, foram 160 caixas. Cento e sessenta caixas de papelão. Ou seja, nos mudamos para um local que deveria ser muito legal se conseguisse se enxergar algo. Chegamos no apartamento inteiro tomado por caixas, não dava pra ver o chão. E desencaixota uma caixa, e não sabe onde guardar, e ataque de rinite, e desencaixota outra e não sabe o que fazer, a cachorra não sabe onde faz xixi, e tem caixas nos cômodos errados, e depois de dias acha que acabou mas faltam metade das caixas. É infernal. E quando você acha que realmente acabou, não nunca acabou. Aparentemente nunca acaba. Gente que difícil essa história de mudança.

A parte boa é que cada dia é uma novidade. Um dia chega o sofá, no outro chega a internet (amém), no outro instala a geladeira, depois chega a mesa do jantar. E com o tempo as coisas vão se ajeitando e ficando tudo do seu jeitinho. O problema é controlar a ansiedade mórbida que eu tenho pra tudo. Não vejo a hora de ter tudo pronto, nos mínimos milímetros de organização e detalhes. E daí é só dar por aberta a fase do open house! E comemorar! Feliz casa nova pra nós!

Para o meu pai. Com todo o meu amor.

6 out

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Po pai, não me dá um susto desses! Não vem me dizer que o resultado do exame é preocupante. Não me mata do coração assim. Resultados de exames de pais nunca são preocupantes, e nem nada de errado acontece com vocês. Não era isso quando eu era criança? Por que tem que mudar agora? Não, não aceito. Você e a mamãe não têm doenças ou problemas. Vocês não ficam doentes. Somos nós, os filhos que ficamos porque não ouvimos quando vocês mandaram a gente pegar o casaco. Ou quando vocês diziam que a gente deveria fazer de um jeito e fizemos o oposto e deu tudo errado exatamente como vocês previam. Só pra gente ter que ver aquelas suas carinhas irritantes de: “viu, eu avisei”. Me dá nos nervos aquela carinha de que você tinha razão, porque vocês sempre tem razão.

Sério pai, não me venha com essa cara de preocupação e esses olhinhos cheio de lágrimas. Não me venha com medo, porque pais não têm medo. Pais são acima do bem e do mal. Não começa com essa história de medo de morrer. Pais são imortais até onde eu sei. Na boa, se você morrer eu te mato, pai. Sério, não brinca com essas coisas porque já dizia você que com essas coisas não se brinca.

Para com essa palhaçada de que as coisas podem dar errado. Você é o cara mais divertido e otimista que conheço, você não só vê o copo meio cheio, mas você quer ele meio cheio de vodka que já é pra começar a balada logo e parar de enrolação. Então não me venha agora com esse papinho de que sempre deu certo e agora sim vai dar errado. Pelo amor de Deus, não me fala uma barbaridade dessa, pai. Eu não vou falar mais uma vez para parar de falar besteira. Vou contar até 3. Um, dois… Quer apanhar? Vou te ameaçar com o chinelo Raider como você fazia quando a gente era criança e você levantava aquele chinelão que nunca sequer relou na gente. E olha que não foi por falta de merecimento da nossa parte. A gente merecia mesmo a sapataria do futuro todinha na nossa bunda.

Pai, para com essa história de que está doente. Esquece esse blablabla de que “não tem cura” porque não existe isso. Os pais sempre têm as repostas e sempre têm remédio. Aquela cestinha de remédios que a mamãe guarda no banheiro de vocês, sabe? Aposto que lá tem o remédio que você precisa. E pronto, pega lá o que você precisa e esse troço aí não vai te derrubar. Um furacão não te derruba e esse tal desse exame aí vai derrubar? Ah, faça me o favor pai. Uma tremedeira nas mãos vai tirar o seu humor inabalável e seu brilho de viver?  Pra mim isso aí é um passo especial que te vejo dançando, como sempre, arrasando na pista. Não entendi qual a diferença de antes.

Agora chega dessa brincadeira mesmo, tá? De verdade, pai. Perdeu a graça. Não vamos mais falar sobre doença ou que você está doente porque não faz sentido nenhum. A vida continua a mesma e você vai viver pra sempre. Você continua saudável. Porque você é pai e só eu que sou filha posso pegar uma gripe pra você ir andando até a farmácia de pijama me comprar aspirina. Vamos parar de papo de doença porque minha vida não existe sem a sua. Você é minha vida, na verdade, então fica complicado se você não estiver por perto, entende? Porque você é meu orgulho, meu herói, meu style. Você é meu coração e minha alma, e a gente não vive sem essas coisas. E a gente tem muito pra viver ainda. Juntos. Então chega disso, ok? E não quero mais ouvir um piu. E fim de papo.

Motivos pelos quais eu jamais seria blogueira.

22 set

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O título desse texto pode parecer um pouco confuso, contraditório, ou até preconceituoso. Não, eu não odeio as blogueiras do mundo e nem quero queimá-las em praça pública e postar isso no snapchat pro mundo poder acompanhar. Longe disso. Eu amo blogs, acompanho milhões (dos mais diferentes tipos), e muitos deles são inspirações para minha vida em diversos aspectos. Eu também não sou louca/bipolar de dizer que jamais seria uma coisa que por circunstâncias da vida eu meio que sou. Quer dizer, eu tenho um blog porque é uma plataforma que encontrei para dividir meus textos, mas entendo isso aqui muito mais como um site de crônicas ou como se fosse uma coluna minha. Eu tenho consciência que isso aqui é um blog, o ponto é que eu não me considero uma blogueira. Faz sentido?

Na minha cabeça (e na de um montão de gente, eu imagino), blogueira é uma mulher que tem um blog (ah va!) mas mais que isso, é um estilo de vida. Profissão mesmo, e hoje em dia super respeitada. São meninas que são extremamente ligadas a algumas áreas como moda, lifestyle, viagens, mundo fitness, culinária, e fazem desses assuntos algo diário na vida delas e isso é compartilhado muitas vezes por dia, por diversas redes sociais para um mundo de seguidores que estão desesperadamente querendo saber de tudo aquilo. São celebridades do mundo virtual e têm uma dimensão muito maior do que podemos imaginar. (Eu sou publicitária, eu sei bem quanto custa um mísero post dessas moçoilas.)

E eu não sou nada disso aí. Acho realmente admirável quem é e quem consegue administrar o tempo e a vida para ser, mas eu não sou. Mesmo. Eu só escrevo, sobre um monte de coisa, mas é isso, eu escrevo, e só. E uso uma imagenzinhas bonitinha pra ornar com o texto. Pronto, é isso. E é aqui que vem o meu ponto de eu jamais conseguir ser como uma dessas bloggers. E posso listar facilmente os motivos disso.

Se eu fosse uma blogueira de lifestyle, por exemplo. Primeiramente; minha vida nem é tão interessante assim. Não me leve a mal, sou extremamente feliz e grata pelo que tenho, mas eu tenho uma rotina que se resume em trabalhar 10 horas por dia, correr, escrever, frequentar a Kabbalah, ir à a academia e ler. Digamos que não é a vida mais incrível e inusitada que se tem, certo? Claro que nesse meio termo tem programas com minhas amigas, meu namorado, eventos de família, casa na praia, casamentos e tudo mais. Mas no geral, a rotina mesmo, é bem normal e não é nada que valha a pena ficar compartilhando a todo tempo, entende? Semana passada por exemplo, eu tive 2 dias inteiros de workshop que eu garanto que se vocês pudessem acompanhar não só vocês morreriam de depressão como correriam até lá pra me dar um abraço e me sequestrar.

Se eu fosse uma blogueira de moda ou make eu não duraria um dia sequer. Eu sou totalmente desligada de moda, não entendo nada de estilistas e mooooorrro de preguiça desses eventos de lançamento de coleção e marcas que tem todo dia. Cortaria os pulsos de perder meu Netflix pra ir nesse tipo de evento no meio da semana ou ir no SPFW. Acho um antro de gente esquisita. Não entendo dos desfiles, me confundo com as marcas e no geral sou bem básica pra me vestir. Fora isso, nunca entenderei essas mulheres que acordam duas horas antes do que deveriam para se produzir. Isso sou eu tá? Continuem lindas, maquiadas e da moda que eu amo acompanhar, ok?

Se eu fosse blogueira fitness, eu poderia durar por uma semana, pois é o tempo que eu consigo manter uma dieta a risca ou uma boa frequência de academia. Eu não tenho a disciplina que essas moças tem. Uma semana eu só tomo líquidos e na outra eu posso comer uma praça de alimentação inteira, sou muito incoerente. E eu nem acho que batata doce é doce porcaria nenhuma. Doce pra mim é brigadeiro. Fora que eu morro de sono pra acordar as 05:00 da manhã. Admiro, muito. Mas não dou conta não.

Se eu fosse uma blogueira de viagens eu seria demitida porque só tiro férias uma vez por ano e, portanto, só faço viagens que valem a pena de serem compartilhadas, uma vez por ano. Todo o resto do tempo eu passo planejando a próxima e elencando lugares que preciso conhecer. A eterna tristeza de ser funcionária e assalariada.

Fora tudo isso me falta tempo e paciência. Pra ficar editando, pesquisando, postando e acompanhando todas as redes sociais, pra estar por dentro de tudo a todo o tempo, 24 horas por dia.

Dia desses uma leitora me pediu pra começar a postar no snapchat. Estava pensando aqui e analisando tudo que falei acima, e to achando melhor não, viu?! Acho que sou melhor com as palavras mesmo.

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