Coisas que só acontecem com a minha família: versão NY.

19 nov

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Depois de algumas férias na Europa, resolvi passar essas últimas nos Estados Unidos, já que não ía há algum tempo e minha mãe queria comemorar o aniversário dela lá. O destino, a melhor cidade: NYC (constatação essa, que mudei até o final das minhas férias). É claro que foi fantástico, delicioso, cheio de novidades, cultura, compras, shows e bons restaurantes. Alguns perrengues também. Vários na verdade, como eu nunca tinha passado antes. Faz parte? Não tanto assim.

No sábado a noite fui no Planeta Terra e meu vôo era as 08:45 do domingo. Sem noção como de costume, fiquei até a última banda, me matei no open bar, andei kms até onde o carro estava parado e cheguei em casa perto da hora de acordar. Ainda tinha que fazer várias coisas de manhã quando meu pai me acordou e avisou que o taxi estava lá embaixo. Desespero.

Voo tranquilo e chegamos no horário. O que não esperávamos eram as 3 horas de fila na imigração. Isso mesmo, TRÊS horas na fila. E quando chegou a nossa vez de passar com o mal encarado, estávamos tão cansados que nem deu aquele medinho habitual. Porque pra mim não adianta, até pra ir pro RJ passar por qualquer raio x ou revista me faz ficar com a perna bamba e o estômago revirado. Eu sempre acho que estou errada e vou ser presa. Por tráfico de chiclete só pode ser. Mas não importa.

Após checar nossos passaportes, o queridão chamou meu pai pra uma salinha. Medo. Pedi pra ir junto e minha mãe já esboçou um choro de desespero. A salinha era nojenta, dessas de presidiário. Cheia de policiais gordos sarcásticos e gente esquisita com cara que de fato tinha aprontado alguma. Até comandante tinha lá. Agora, por que o meu pai foi chamado pra essa maldita salinha? E se a gente não entra no país? O que tá acontecendo gente?  Acabei ficando amiguinha de um policial latino. Mentira, ele me xavecou e eu aproveitei a situação. Quando bate o desespero a gente faz qualquer coisa né? Até me pagou um amendoim, veja só.  Ele me disse que o nome do meu pai tinha sido identificado como o de um terrorista! Oi? Carlos Alberto Marques, terrorista? O Betão? Policial latino xavequeiro, vamos lá. Meu pai tem mais de 60 anos, cabelo todo branquinho, usa Nike colorido, é o maior gente fina da história e está aqui com a esposa e filha pra torrar os tubos no seu país. Como ele pode apresentar qualquer risco?

Disseram que é normal e que deveríamos esperar. Aham, bem normal acharem que somos da família do Bin Laden. E depois de uma hora e meia na salinha infernal nos chamaram pra uma entrevista. Todo tipo de pergunta bizarra pro meu pai inclusive um mal humor ímpar quando a altura foi dita em cm e o peso em kgs. Converte aí filhão! Já estamos sendo tratados como lixo aqui. Alivia aí. Era só o que me faltava! Depois da entrevista o tal latino me avisou que precisávamos esperar uma ligação para o meu pai ser liberado. Do Obama, só se for. Mas em plena reeleição seria difícil. Pensei. E depois de mais uma hora e meia, e quando meu pai estava prestes a forjar um desmaio, a tal ligação chegou e fomos liberados, sem nenhuma explicação sequer. Vale lembrar que após essas 3 horas minha mãe já estava aos prantos e quase tendo um colapso lá fora com as malas.

Depois das 6 longas horas no aeroporto, fomos para o hotel. Um ótimo hotel, que o agente de viagem disse ser perto da 47st. “Perto da 47st? Estamos em casa então. Conhecemos tudo por lá”. Pensamos. Mas o que ele esqueceu de avisar era que era perto da 47st … do Queens. Isso mesmo, lá estávamos nós, cruzando a ponte e chegando na 47st do Queens.  Não tem problema nenhum estar no Queens, mas quando você imagina que seu hotel é na Paulista mas na verdade é em Alphaville, fica um pouco mais complicado. Why God? Why? O que mais pode acontecer? Nesse dia nada, mas depois de uma semana por lá, uma visita inesperada. Furacão Sandy.

Só se falava disso, em todos os canais, em todas as conversas, por todo canto. Eu achava que era exagero, que seria tipo o Irene. Até entender que estava mais pra Katrina e que nunca tinha passado algo naquela dimensão por lá. Ah ta, que bom. Fui pedir informação na recepção do hotel ou alguma indicação do que devíamos fazer numa situação dessas e a indiana lazarenta fedida a curry só soube me dizer que não era para sair do hotel. Ah va. Ok, assim ficamos por 2 dias. Inteiros. Viva o wifi! Aliás, pra não dizer que foi o tempo todo no hotel, fomos jantar num pub perto do hotel. E lá minha mãe esqueceu a bolsa dela com nossos 3 passaportes. Que tal?

Sabemos que existem perrengues em viagem, faz parte inclusive acontecer, mas eu desafio alguém a ter parecidos com esses!  Fora isso tudo é claro que foi incrível, duas semanas deliciosas, nos divertimos muito (até das desgraças), e como sempre NY é um lugar mais que especial. No final meus pais voltaram pro Brasil e eu fui pra Chicago. Mas isso é uma nova história que vale um novo texto… Ah! Só pra completar, chegando no Brasil os cadeados das malas dos meus pais foram arrombados. Bem-vindos à realidade.

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2 Respostas to “Coisas que só acontecem com a minha família: versão NY.”

  1. Celso 19/11/2012 às 17:30 #

    Menina, com meus cabelos brancos acho que não irei a NYC….Por isso aconselho sempre, a hora que você quiser ir passar uns dias em uma cidade cosmopolita, vá para Lucca, na Toscana. bj grande

    • Gabriela Marques 27/11/2012 às 15:07 #

      Hahahahaha.
      Não se preocupe tio, o problema foi o nome mesmo.
      De qualquer forma, quero conhecer Lucca sim,. A Má fala muito de lá e deve ser bem especial mesmo.
      Beijos

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