Arquivo | abril, 2013

To do list eterno.

29 abr

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Esse final de semana fiz uma das coisas que mais me dá prazer no mundo: arrumar meu quarto. Sou dessas. Mas arrumar de verdade. Organizar tudo que é possível. E para uma pessoa com muito TOC e bastante neurótica, arrumar o que já está praticamente impecável é tarefa árdua. Mas eu me dedico. E arrumei muito. Tirei, dobrei, arrumei por cores, tamanho, tirei roupas para doação, alinhei livros e assim por diante. E nessas arrumações você acaba percebendo um monte de coisas sobre você. Além do fato de ser completamente alucinada e ter muito mais coisa do que realmente preciso, muito mais roupas do que consigo usar, muito mais fotos que um chinês e muito mais livros do que é possível ler, eu percebo que tenho um monte de tarefas pela frente. Um monte que vem se acumulando e diversas novas. Aquela listinha de “To Do” básica, que no meu caso se tornam eternos.

Separei alguns aqui como causa e efeito para que fique um pouco claro (e para que eu me engane um pouco mais) que há motivos para eu não cumprir. Vamos lá, aqui lhes apresento minha eterna to do list:

Fato: Eu preciso acordar mais cedo.

Motivos: Pra conseguir ir à academia de manhã, pra me arrumar com mais calma, pra chegar mais cedo no trabalho. Pra quem sabe voltar a fazer drenagem de manhã, pra conseguir secar o cabelo e não sair como louca com o cabelo pingando, pra não me maquiar no carro e quase bater no coleguinha da frente. Pra voltar pro pilates, ou pra não usar o snooze mais de 9 vezes (é uma doença isso).

Desculpinhas esfarrapadas: Sono, muito sono. Tô cansada do dia anterior, só mais 5 minutinhos, ah sei lá, me deixa dormir.

Possível realidade: Vou tentar, eu juro. Já arrumei o despertador pra amanhã.

Fato: Eu preciso ir mais vezes à academia.

Motivos: Só 3 vezes na semana não é suficiente. Mais academia = mais magra. Sarada é o novo magra.  É saudável, obviamente. Ninguém aqui tem mais 18 aninhos e as coisas caem. Ouvi dizer que até o nariz cai. Aff.

Desculpinhas esfarrapadas: Não consegui acordar. Me enrolei no trabalho e fiquei cansada pra ir à noite.  Putz tive eventos e encontrinhos todos os dias dessa semana. Tenho um date inadiável. Tô com cólica, ta puxado. Tô dolorida do treino de ontem. Comi muito pouco hoje, é capaz que eu desmaie. Ai, preciso procurar um esporte ao ar livre, to com fobia da academia.

Realidade: Próxima semana eu vou todos os dias. É sério! (aham…)

Fato: Preciso falar mal dos outros com menos frequência (porque nunca é impossível, vai?)

Motivos: A Kabbalah me ensina a não julgar, a ser menos reativa. Fofoca não leva a nada e faz mal. Tudo que vai volta, se você fala mal de alguém, falarão de você. Você se torna uma pessoa pior ao ressaltar os defeitos dos outros. Deus castiga quem fala mal.

Desculpinhas esfarrapadas: É divertido. Nem falo tão mal das pessoas, vai? Minhas amigas me instigam a isso quando iniciam esses assuntos. Falar dos outros é garantia de boas risadas. Devem falar de mim também, e daí? Um pouquinho só não dói.

Realidade: Vou melhorar. Só pela Kabbalah. E por mim também vai… Amigas, ajudem!!

Fato: Preciso visitar mais minha avó de Floripa.

Motivos: É minha avozinha querida. Ela merece. Ela morre de saudades dos netos paulistas. Ela é uma fofura e não mede nem 1,50. É minha única avó viva. Mora em Floripa gente, qual a dúvida de ir pra lá todo final de semana?

Desculpinhas esfarrapadas: Putz, a passagem tá cara. Ando super atarefada nos finais de semana. Tô sem tempo. Tenho casamento todo final de semana. Meu irmão não deixa de ir pra Juquehy nem um fim de semana. Esqueci de me programar.

Realidade: Vou tentar vovozinha. Esse ano já fui uma, prometo tentar mais umas 3! Se não conseguir prometo ligar mais vezes.

Fato: Preciso fazer trabalho voluntário. Preciso ajudar mais ONGs.

Motivos: Durrr. Óbvio né? Tem um monte de gente precisando de ajuda e todo mundo precisa dividir um pouco do que tem, a vida nos dá tanto! Faz um bem enorme ajudar pessoas. Só dar dinheiro não adianta. Eles precisam de tempo, carinho e qualquer dedicação.

Desculpinhas esfarrapadas: Mas eu já ajudo com dinheiro, todo mês. Tô sem tempo. Preciso encaixar isso nos meus finais de semana. Minha mãe já ajuda bastante.

Realidade: Cara, eu sou bizarra, preciso mudar isso urgente. É prioridade, sério. Tô mal agora.

Fato: Preciso guardar dinheiro.

Motivos: Já não sou mais menininha (há tempos), preciso me programar pro futuro. Preciso trocar de carro. Preciso comprar um apartamento. Qualquer pessoa normal guarda dinheiro, só eu não consigo?

Desculpinhas esfarrapadas: Putz, tá tudo tão caro né? Morar em São Paulo é uma fortuna! O pouco que guardo eu torro nas férias e no réveillon. Não dá pra ser solteira e não gastar os tubos. Tem aquele vestido e aquela bolsa que seria uma afronta não comprar. Gasto muito em farmácia e cabelereiro.

Realidade: A coisa tá feia pro meu lado. Ou eu começo a guardar, ou começo a guardar. Chega de brincar de ser adolescente.

Bom, tem tantos outros “to dos” que passaria dias aqui escrevendo. Preciso levar a Mel pra passear mais vezes, preciso mexer menos no celular, ver vários filmes que estão no cinema, preciso ir pra praia mais finais de semana, ligar pra um monte de gente que estou em falta, fazer aquela depilação definitiva, cortar o cabelo mais que uma vez ao ano, preciso organizar minhas fotos, me atualizar nos milhões de seriados que assisto, passar cremes anti rugas. É uma lista infinita. E vou tentando cumprir né… one day at a time. Mas agora preciso cumprir um da lista que me persegue há tempos. Preciso dormir mais cedo! Boa noite! E se tudo der certo acordo mais cedo amanhã e vou no spinning de manhã. Amém.

A dieta nossa de cada dia.

15 abr

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Aceita sobremesa? Não obrigada, tô de dieta. Frase bastante recorrente na minha vida. Desde que me lembro por gente, estou de dieta. Devo ter nascido de dieta. O leite da minha mãe deveria ser desnatado, certamente. E as minhas primeiras palavras ao invés de mamãe e papai podem ter sido calorias ou gordura trans. Algo do tipo. Sem exagero. Tem uma amiga da minha mãe que diz que nunca se esquece de uma festinha de 7 ou 8 anos da filha dela, que eu recusei um docinho porque disse que estava de regime. E assim vem sendo até hoje. E como uma boa pessoa que está sempre de dieta, tenho fases. Diversas fases.

Tem fases que eu estou só a ansiedade e só faço dieta psicologicamente. Porque física e realmente estou comendo que nem um mamute e só mentalizo que não. Obviamente isso engorda, e muito. Nem a força da mente, nem engolir o livro “O segredo” funcionam aqui. Vai tudo direito pro culote e pro pneu. Tem fases que acho que a academia basta e portanto como “normal“. Normal em qualquer mundo é bastante pouco e restrito, mas para uma pessoa que nasceu praticamente sem metabolismo (de tão lento) esse pouco é bem normal. Tem as fases neuróticas, de se dedicar a valer. Normalmente quando tem um novo romance na área, ou algum evento muito importante por vir. Tipo o casamento de uma das melhores amigas, a viagem de réveillon, ou aquele final de semana na praia com o namorado. Pura dedicação. Mísera fatia de pão sem gosto de manhã, salada e frango no almoço e jantar, e frutas nos lanchinhos. Tem a fase sem noção também. Normalmente também perto de algum evento bem importante ou de uma neurose qualquer. Daí minhas queridas, é jejum, sem dó. Ou no máximo dieta dos líquidos. Show da dor de cabeça e da fraqueza. Mas afina que é uma beleza.

Podem nomear QUALQUER dieta que eu conheço e já fiz. A da proteína, a do carboidrato, a dos pontos, a do abacaxi, a da sopa, a da USP, a da Unip, a da lua, a da luz, a do Chico Xavier, a da nutricionista, a do endócrino, a do chiclete, a da bruxa, a da puta que o pariu e o que mais existir. Adoro a dieta do sal, você não come nada o dia inteiro e antes de desmaiar, joga um salzinho em baixo da língua. Um sucesso! Sério mesmo. Já fiz todas, então se quiser tirar qualquer dúvida do que funciona ou não, é só perguntar. E obviamente em todas essas tentativas, o que fica cada vez mais claro é que quanto mais maluca e mais promessa de resultado rápido, mais furada é. E mais rápido você vai engordar quando acabar.

Como qualquer pessoa que vive em dieta, sou bastante sanfona. Claro que com moderação, e sem nenhuma mudança assustadora, mas hoje você pode me ver de um jeito e dependendo da minha fase, daqui 1 mês, muito mais magra, ou mais gorda também, infelizmente. Nitidamente me privo de um monte de coisa desde sempre, mas também quando faço algum errinho, que seja comer um M&M mini…pronto! Chuto o pau e faço das jacas minhas pantufas. Mas é raro. Normalmente me policio e me cuido muito. Tem sido assim por tempos. Dificilmente peço sobremesas em restaurantes, raramente como frituras e doces, por muitas e muitas vezes tento só comer carboidrato até as 18:30, me alimento de 3 em 3 horas e por aí vai. Já fiquei um ano sem comer NENHUM tipo de doce, já fiz promessas das mais malucas que podem imaginar. É rotina. Essa é minha vida, esse é meu clube.

Injusto? Não me parece muito. Até que encaro isso numa boa. Não da pra ter tudo né gente? Sou alta, tenho cabelo liso, um bom rosto, nada mais justo do que ter tendência a engordar. Perfeitas mesmo só as Angels (e ainda assim suponho que tenham algum tipo de defeito). E agora sem querer ser chata, repetitiva, dar lição de moral ou qualquer coisa… Mas ouçam de alguém que já provou de tudo nesse mundo de dietas, não tem nada que funcione melhor que uma dieta balanceada, comendo bem e saudável, de 3 em 3 horas e ginástica, com frequência e acompanhamento. Simples assim, não tem segredo. Não estou dizendo que é fácil (eu mesma faço errado muitas vezes nessas fases que comentei), mas é só isso que funciona. E que você consegue manter depois. Não caiam em nenhuma outra lenda. Escutem uma expert no assunto. Os novos perfis motivadores do instagram estão aí pra não me deixar mentir. Essas musas da saúde são minha inspiração divina e diária da malhação e dieta todo santo dia. São dicas valiosas! É preciso MUITA força de vontade e disciplina pra se manter magra. E agora não basta mais ser magra, tem que ser sarada. Não tá fácil pra ninguém não. Mas… nunca é tarde! E aí? Partiu salada e academia?

Beijo tchau, fui morar em Barcelona.

8 abr

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Aos 16 anos entrei naquela moda do segundo colegial (que na minha época se denominava assim, e hoje é segundo qualquer coisa estranha), e fui fazer intercâmbio. Optei pelo Canadá ao invés dos Estados Unidos e Austrália. Foi incrível, morei em uma ilha linda, super hiponga, com 10 mil habitantes, cheia de projetos sustentáveis e de gente querida. Fui em todas as festas, joguei vôlei e basquete nos times da escola, participava de tudo. Aproveitei tudo o que eu podia e até hoje mantenho contato com a minha “família” e os amigos de lá. Eu era adolescente e numa fase de um monte de descobertas, foi essencial.

Daí um belo dia, já com uns 20 aninhos, no meio da faculdade e um pouco cansada das coisas aqui, eu resolvi morar em Barcelona. Tchau gente, vou ser hippie e morar em Barcelona. Mas para isso eu precisava de um contexto né? Uma boa desculpa para que meus pais topassem essa maluquice e aceitassem bancar essa bagatela que seria me manter lá em plena época de euro 4 pra 1. Como sempre fui muito nerd arranjei logo um curso de espanhol com carga horária pesada e uma pós em estratégias de comunicação e marketing. Mas ainda não era formada na faculdade, e a pós acabou virando uma especialização.

E daí é aquele choque de realidade. Aquela mudança de vida totalmente maluca e inesperada. Você toma a pílula da coragem e vai, se joga. E lá estava eu, sozinha, num país novo, sem falar um cacete de espanhol e muito menos de catalão. Gente, portunhol não é espanhol, não vem com essa! É a coisa mais bizarra ver brasileiro mandando um portunhol safado. “Una cueca cuela com gielo”, não né, colega! E catalão é sim uma mistura de espanhol, francês e português, mas ainda assim é uma língua totalmente esquisita. Não dá pra acompanhar. Eu penei MUITO pra aprender um pouco.

Eu cheguei em Barcelona depois de 20 dias de mochilão pela Europa com minhas melhores amigas. Estava anestesiada de felicidade e novidades. Até então, não tinha ideia de onde iria morar nem o que faria. Aquela ansiedade pura. Daí acabei morando na casa que uma amiga morava nos primeiros 3 meses, ela foi embora e fiquei no lugar dela na casa, com outras duas brasileiras e uma sueca (que despertou meu eterno amor pela Suécia, mas isso vale um novo post!). E lá estou eu, morando num país novo, com pessoas desconhecidas, sem carro, sem meus pais e sem o mais importante da vida de uma pessoa: a Maria. As pessoas desconhecidas tirei de letra. Todas queridas e uns amores, ficamos super amigas em pouquíssimo tempo. Com os meus pais eu falava quase todos os dias, sussa. Mas gente, e a Maria? Como se vive sem? Cadê minha cadeira mágica que eu jogo as roupas nela e no outro dia estão limpas, cheirosas, passadas e dobradas dentro do armário? Cadê a fada da Bela Adormecida que arruma minha cama e limpa meu quarto todo dia de manhã? Cadê o lençol novo toda semana? Cadê meu almoço gente? Eu não sei nem fazer um miojo que ele empapa. Como vou fazer?

Resumindo, eu continuo sem saber cozinhar até hoje. O pouco que tentei foi pura desgraça e quase incendiei Barcelona. Eu almoçava e jantava lanches, bolachas e falafel que vendia bem perto da minha casa. Não foi a toa que voltei um bujão. Quanto às roupas… Todas as minhas meias brancas viraram cinzas e todas as minhas roupas claras passaram a ter alguma cor duvidosa. Eu não sei quem inventou essa regra de não poder lavar roupa colorida com branca, mas depois de algumas burrices e uns tie dyes forçados, eu aprendi. Quanto a limpeza, com isso eu sou meio neurótica e tenho toc, então acabei me virando. Mas aqueles poodles de poeira que se formam em Barcelona estavam sempre pela minha casa. Um beijo pra minha renite matinal. Ah, e sobre passar as roupas, continuo sem saber muito bem. Depois de lavar eu dobrava e guardava no armário e assumia que elas magicamente se passavam nesse meio tempo. E quanto ao carro… não tem jeito. Aprende-se a usar transportes públicos na raça. Eu me perdi infinitamente em todas as linhas de metro. Até nas que eu mais usava. Congelei outras infinitas vezes esperando o nit bus (quando o metro já estava fechado). Fiz infinitas amizades e supostos amores da vida nas esperas do metro, e uma vez inventei de dirigir, o que não deu muito certo. E andei, andei muito, como nunca antes na minha vida. Conheci aquela cidade de cabo a rabo só andando.

Fora esses perrengues caseiros e de locomoção a vida era uma festa. Cidade mais cultural e incrível que já conheci. As aulas de espanhol foram fantásticas. Conheci pessoas de países que eu sinceramente nem sabia que existiam. Era a vida mais mansa que alguém poderia ter (e pedir a Deus). Aula de manhã, praia a tarde e balada à noite. Todo santo dia. Eu não sei da onde vinha tanta energia, e tanta animação. E tanto fígado pra beber aquele monte. Mas de verdade… É a melhor coisa do mundo. E nessas escolas de línguas e a maior concentração de gente perdida e gente fina. Só tem gente legal, e todo mundo é amigo. Acaba virando, não tem jeito. Até a pessoa mais antipática do Brasil, chega lá e vira sua best. Não tem erro. E sabe qual o melhor? Ninguém tem seu histórico, ninguém sabe do seu passado. Com quem você namorou, saiu, deu fora, levou pé, o que você já fez de certo ou errado. Não se tem referência e tudo pode. E qualquer mal entendido você usa aquela boa e velha desculpa da cultura. “No meu país funciona assim, estou acostumado dessa forma”, e daí tudo pode! Tudo é tão mais fácil e as pessoas não se julgam tanto. Você perde o medo, faz coisas que jamais faria aqui. Parece meio um mundo paralelo, que você está vivendo um sonho.

Os outros 4 meses foram um pouco mais tensos, mas ainda assim, mais que especiais. A pós exigia um pouco mais de mim. Os brasileiros que eu conheci tinham ido embora, o frio estava começando a pegar pesado e eu mudei de casa. Fui morar com um espanhol, um mexicano e uma italiana freak. Totalmente shuffle, e eu arranjei essa casa na internet (Alô noção? Perigo? Enfim, dei sorte e foi o máximo!). Formei uma turma da pós com um de cada país e viramos irmãos. Nos falamos (muito!) até hoje. Foi muito incrível. E mesmo numa outra fase, digamos, mais madura e menos porra louca, foi tudo muito sensacional e cada dia era uma novidade. Tudo lá acaba sendo diferente e especial.

A gente anda em bando, de bar em bar, completamente bêbados, pelas noites, pega metro e não tem o menor perigo. Jogos do Barça viram rotina. A gente faz novos amigos pra vida toda em pouquíssimos segundos. A gente se mata de felicidade quando acha uma vendinha com produtos brasileiros e fazemos brigadeiro pros coleguinhas gringos. A gente morre de saudade do Brasil, mas percebe que as coisas estão simplesmente iguais ao dia que você foi embora, e você percebe o quanto aquilo tudo está te acrescentando e te fazendo uma pessoa melhor. É tudo muito intenso e muito verdadeiro.

E daí chega a hora de voltar. Porque toda essa loucura e essa felicidade tem um prazo de validade. São 7 meses, 1 ano e você volta a realidade. E aí é aquela depressão pós Barcelona. Que demora pra passar mas você nem tem tanto tempo pra pensar nisso. Porque já tem faculdade pra acabar, emprego pra arranjar, e volta ao transito, às cobranças dos seus pais, e aos seus eventos de sempre. E tudo aquilo acaba. Acaba não, fica lá guardado na memória e no coração. Pra todo o sempre. <3 Barcelona.

A saga dos casamentos.

1 abr

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É amigos, os 20 e muitos chegaram, é a hora dos casamentos. Já tenho amigas grávidas e com filhos também, mas são poucas. Ainda estamos na fase dos casamentos. Muitos casamentos. No ano passado foram 16, esse ano já são 15 aaaand counting. Tem meses que tem todo final de semana. E às vezes são 3 no mesmo dia. Uma loucura. Tinham anos que eu tinha um ou outro, só com meus pais, sei lá. Mas nos últimos anos, é o tempo todo e só aumenta.

Ah! E tem aquele fato que se você está envolvida com a comunidade judaica de alguma maneira, se prepare. Potencializa BASTANTE esse número de casamentos. Eu não nasci judia por algum desvio, mas em outra vida eu fui, certeza. E nessa ainda… quem sabe? Todos os amigos dos meus pais são, quase todas as minhas amigas e amigos são, ex namorados, romances, cresci nesse meio e não tem jeito. Uma vez dentro disso é quase impossível sair. E eu adoro. Acho a religião linda, as tradições invejáveis, os valores super especiais e a maneira com que o judaísmo te faz ver e lidar com as coisas  me admira muito. É uma religião que adora comemorações e festas. E casamentos. Como casa esse povo, gente. É impressionante. E o que são animados os casamentos? É o máximo. Sou fã, são os mais divertidos ever. Se você nunca foi a algum, não sabe o que está perdendo. (Pode ir comigo algum dia se quiser, dos 15 desse ano só 2 não são judaicos). Tem até a planilha do Gugu dos casamentos! Um google docs recheado de sobrenomes só com consoantes. Veja só que organização. E ainda assim conseguem marcar 4 no mesmo dia…vai entender!

Bom, e vamos à dinâmica dos casamentos. Tem aqueles que você é super próxima do noivo ou noiva e precisa ir à cerimônia, chegar cedo, ter lugar estratégico, morrer de chorar e tudo mais. Tem aqueles que são amigos, mas nem tanto assim, então você acaba não indo na cerimônia. (Eu costumo ir sempre porque acho lindo e sempre me emociono!). Daí a caminho da festa, todo mundo se cumprimenta, tá todo mundo lindo, bem vestido, mulherada toda trabalhada nas joias e penteados (tem umas que exageeeram, acham que estão indo ao Oscar, mas enfim) e tá todo mundo feliz. Aquela injustiça de sempre em que os homens usam toda vez o mesmo terno e sapato, e tudo bem e a gente se mata pra ter um vestido por fim de semana. E ainda reclamam quando repetimos. Porque no final das contas, é aquela mesma galera de sempre. Ou seja, vocês se viram no casamento da semana passada. Mas fingem que não, e que é uma grande novidade estarem ali naquele mesmo casamento.

Falando nessa questão do vestido, e o que é caro essa brincadeira de ter esse monte de casamento? Tô falida e nunca me recupero! Praticamente um vestido por casamento, (se não novos são emprestados das amigas), cabelereiro (leia-se: cabelo, make, pé e mão, depilação), sandália, joias, taxi pra ir e voltar já que a lei seca tá pegando forte, entre outras coisas. E o presente do casamento, obviamente. Porque eu já recebo praticamente um boleto da Mickey e Fast Shop. Todo mês, vem celular, academia, cartão de crédito, Mickey e Fast Shop. Surreal o quanto deixo lá por mês.

Bom, e daí vamos à festa. Aquele social inicial até que os noivos tirem todas as milhões de fotos, os convidados se cumprimentem e comentem da linda decoração (que geralmente é de tirar o ar mesmo!), da cerimônia emocionante e do vestido da noiva, que é o que mais esperamos afinal de contas. E vamos aquecendo a bebida pra dança judaica. Mais conhecida também como praticamente uma micareta e uma pancadaria desenfreada. É a coisa mais divertida do mundo. Não da pra explicar. Preciso de um vídeo para tentar descrever. Os homens suam e se espancam na maior felicidade do mundo. As mulheres esquecem que estão totalmente emperequetadas num salto gigante e cabelo montado e se jogam, se abraçam, cantam, dão tudo de si. Tem corredor polonês, palmas efusivas, abraços e pulos infinitos. É o show do suor! No final parece que entramos numa piscina, mas esquecemos do detalhe que ainda está começando a festa e de alguma maneira temos que nos recompor, pois temos the whole night long pela frente.

Nos secamos (literalmente secamos, tamanha a dedicação na judaica) e vamos comer. E daí vamos conversando amenidades com as pessoas, porque afinal de contas, aquilo não é lugar de ter papo cabeça né? Só quando muito bêbados, mais pro final. E daí começa a night. E convenhamos, o dinheiro gasto no look e make nessa hora não mais importa, pois chega a hora de descer do salto. O momento da salvação: as havaianas. Por favor noivos, pode não ter bem casado, mas tem que ter havaianas. Pelo bem das mulheres em geral. Ou das que não mandam muito bem no salto, como eu. Minha turma de amigas adora a parte das havaianas. E minha turma especificamente é bastante animada, então meio que somos cobradas por isso em todos os casamentos. “Animação hein?” já virou nosso lema. Já pensamos até em cobrar cachê no final. Mas a gente bem que gosta dessa responsa porque fazemos na maior naturalidade. É um prazer. E ficamos chocadas com as pessoas que vão embora a 1 da manhã. Gente, como assim? Vocês sabem quanto vocês custam pros noivos pra só virem, comerem e vazarem? Por favor né… um pouco de consideração. Fiquem até o sol raiar, ué. São vocês que fazem o casamento ser legal ou não!

E um fato. É cada vez mais difícil se arranjar em casamentos. Porque não surpreendentemente, praticamente só tem casais. Então não pense em se dar bem, porque é raro. Se você já não vai acompanhada aproveite pra curtir com as amigas, porque é difícil sair algo dali.

Como deu pra notar, eu adoro casamentos. São muitos, é uma funça, não dá pra ir pra praia, mas eu amo! Podem continuar me convidando que eu vou, viu amiguinhos?! E outra, precisamos aproveitar muito essa fase, porque daqui a pouco começam as festas de crianças, bar-mitzva dos filhos… e aí minha amiga, ferrou, você definitivamente ficou velha! Então, até sábado, no casamento (é serio, eu juro que esse sábado tenho um!).