A síndrome do controle remoto.

3 jun

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Conversando com uma amiga recentemente, chegamos à conclusão de uma nova crise que vem assombrando as pessoas ao nosso redor. Talvez um mal da nossa geração. Uma síndrome que aparentemente não tem muita solução. É o que denominamos de síndrome do controle remoto. Não sei se vai fazer muito sentido contando, mas acredito que sim. Você já deve ter tido essa sensação.

Um exemplo: Você está assistindo TV com seu irmão, curtindo pra caramba, é a final do American Idol e pode ser que o candidato country coitadinho não ganhe. Maior tensão, recorde de audiência. Ele muda de canal. Do nada. Você pergunta se ele não estava gostando do programa. E ele estava, os dois estavam. Mas ele acha que pode ter coisa melhor passando em outro canal. E mesmo sabendo que estará perdendo algo muito incrível naquele canal, ele muda. No maior tiro no escuro. Sem saber no que vai dar. Sem segurança alguma de que de fato há algo melhor em outro canal. E tem tanta gente levando a vida assim, é impressionante. Mudando de canal sem nenhuma certeza. Só por mudar.

Uma amiga minha cuida dos 5 melhores programas de estagio do Brasil e 30% dos candidatos largam antes de concluir o processo. Por que? Porque acham que podem ser mais felizes em outro lugar. E a gente sempre pode, é obvio. Mas pode não ser também e as pessoas preferem correr o risco a apostar no que realmente já está bom e as fazem felizes. Porque nunca vão saber se não concluírem nada. Se não apostarem de verdade.

Tem gente que larga empregos incríveis porque acham que o outro pode ser melhor. Tem relacionamentos que terminam porque um dos dois acredita piamente que o mundo pode oferecer mais felicidade do que ele tinha anteriormente. E pode? Acho que sim! Mas pode ser que não. Quem pode saber disso? De verdade, não sou avessa a mudanças, pelo contrário, acho mais que a gente tem que se jogar nas novidades que aparecem, mesmo nas incertas. Mas a questão é que hoje as pessoas não trocam mais 6 por meia dúzia, trocam 6 por um pássaro voando. Trocam o certo pelo “vai saber, vamo ver no que vai dar”.

Um ideal de que se pode sempre ter MUITA felicidade e que aquela felicidade é plena, pode não ser o bastante e vão largando tudo mesmo estando muito perto da conclusão. Tem uma frase incrível do Thomas Edison que diz: “Many of life’s failures are people who did not realize how close they were to success when they gave up.”

É muito isso. Essa geração está numa loucura de uma ânsia pela liberdade e felicidade que tem desistido do sucesso mesmo tão perto dele porque parece que o custo de mudança é tão baixo e tudo é tão fácil e superficial… Largam um emprego sem nada na mão, trocam um relacionamento firme por uma ilusão de mais amor e felicidade, trocam de canal sem a menor ideia do que pode estar passando. Mas cara, a vida passa, e olhar pra trás e ver que não se construiu nada, só um monte de “quases” é muito triste. É a certeza de ter uma vida quase feliz. Essa síndrome não nos deixa perceber isso.

E sendo bem franca, poucas coisas podem ser tão aprisionadoras como essa busca incessante pela liberdade. E afinal, que liberdade é essa? Depois dos nossos 18 anos, ser livre pode ser tão ilusório. Não somos assim tão livres por uma série de razões… Nascemos e morreremos em relação com os outros. E prestamos contas sim do que fazemos porque a vida adulta é cheia de obrigações. Seja no trabalho, na família, na família que um dia sonhamos em construir, com os amigos, num relacionamento. This is real life, para o que há de bom e de ruim.

E pra certas mudanças, o arrependimento pode ser resolvido com um toque do controle remoto mesmo e o Simon estará lá te esperando, no júri, no canal que você estava. Mas outras, será que não valeria um pouquinho mais de cuidado e reflexão? Será que não vale pensar direito antes de zapear por todos os milhões de canais que a Net pode oferecer? O que fazer com tanta opção? Dizem que pra toda porta que se fecha, uma janela se abre. Mas o que você pretende fazer com ela? Se jogar? Voar? Testar a gravidade? Pense nisso. E cuide do seu controle remoto.

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9 Respostas to “A síndrome do controle remoto.”

  1. Mario Mendes 04/06/2013 às 01:47 #

    Sério. Quando você não me mata de rir, você me emociona. E muito. Te amo.

    • Gabriela Marques 04/06/2013 às 18:40 #

      Ai que comentário mais lindo.
      Caiu uma lágrima… Te amo muito querido da minha vida.
      Beijos

  2. Stu 04/06/2013 às 08:18 #

    Muito lindo o texto amiga!!! Gostei bastante!!! Esta frase do Thomas Edison eh muito top! Da muita força para continuarmos sempre! Lov u! Arrasou como sempre!
    Bjsssss

    • Gabriela Marques 04/06/2013 às 18:41 #

      Obrigada ruivinha linda!
      Essa frase é foda né? Mais uma das que precisamos deixar sempre por perto para lembarmos.
      Obrigada pelos elogios e força de sempre.
      Love you. Beijos

  3. Fê Semo 04/06/2013 às 18:54 #

    Gabi, nunca comento, mas já li todos os seus textos.
    Amo muito seu blog! Também escrevo, me identifico muito com tudo que você escreve e seu jeito é todo fofo! :)
    Parabéns! Atualizo sempre pra ver se tem texto novo!
    beijo! :)

    • Gabriela Marques 05/06/2013 às 14:28 #

      Oi Fê, tudo bem?
      Que bom que resolveu comentar :)
      Adorei saber que ama o blog. Obrigada pelos elogios. De coração.
      Me passa seu blog ou onde você escreve para eu dar uma olhada.
      Beijos

  4. Fe semo 06/06/2013 às 10:09 #

    Oi gabi, que vergonha.. Hahahaha, êh bem diferente do seu blog, mas enfim.. Storiesinabox.tumblr.com !! Bjo

  5. rodrigohaddad 10/06/2013 às 05:27 #

    Comecei a ler achando que era sobre algo trivial (literalmente ficar trocando de canal na TV) e o texto acabou sendo muito mais profundo. Realmente, hoje essa “síndrome do siricutico” (acho que desenterrei essa expressão) tá cada vez mais comum. Acho que é aquele lance de nunca se estar feliz com o que se tem, ou achar que “a grama do vizinho é sempre mais verde” (pra ficar num clichezão) – o problema é que nem sempre é. Belo texto. Beijo!

    • Gabriela Marques 13/06/2013 às 10:34 #

      Oi Rodrigo;
      Concordo com você. Esse siricutico frenético e sem fim nos atrapalha muito. E isso cria uma infelicidade constante e uma busca de algo que nem sabemos muito bem o que é.
      O esquema é viver o hoje, mudando de canal, é claro, mas com consciência, e com algo em mente, e não a toa.
      Obrigada pelo elogio.
      Beijos

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