Essa tal de geração Y.

17 jun

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Eu cheguei à uma triste conclusão recentemente: tenho medo de ter filhos nesse mundo. Não só pela violência, pelo governo surreal, sem entrar nos méritos dos atuais acontecimentos em São Paulo, mas pelo que tem se tornado a juventude. Uma geração de adolescentes preguiçosos, de gente esquisita, vazia, de relações onlines e frias e isso só tende a piorar.

Essa geração Y ou Millenium, que compreende os nascidos nos anos 80 e 90 é bem complexa e eu tenho um pouco de raivinha de fazer parte dela. Aliás, eu não acho que faço parte dela (na minha mente paralela obviamente, pois minha certidão de nascimento comprova que sim!). Que coisa chata essa tal geração. Eu não sou isso aí porcaria nenhuma. Eu escrevo tudo num caderno com papel e caneta. Não ando com meu ipad por todo canto. Aliás, tenho bode de quem anda. Como guarda no bolso? E escrevem tudo no note? Essa geração sabe escrever aliás? Eles tem letra de mão? Eu não faço 15 coisas ao mesmo tempo. Eu faço uma com atenção. Eu não tenho relacionamentos virtuais como esses tal milleniuns têm. Tenho vida off-line. Tenho relacionamentos reais, eu de fato me encontro com pessoas. A gente se encosta. Eles fazem o que? Vão transar com USB? Eu não vejo minhas redes sociais como terapias para me deixarem mais segura e me fazerem alguém mais legal. A quantidade de likes que recebo não é o grau da minha felicidade. Eu não digo aonde estou a cada minuto e nem finjo uma felicidade quando no fundo quero me matar. Eu não largo as coisas no meio sem ter o algo melhor em vista ou sem ao menos saber o motivo pra isso.

Recentemente ouvi um dado interessante da agência de publicidade do Blackberry (que Deus o tenha). O Blackberry virou modinha entre adolescentes na escola e o limite de contatos no BBM (Blackberry Messenger) era de 1.000 contatos. E devido à demanda do Brasil, tiveram que aumentar o limite pra 2.000 contatos. Dá pra acreditar? Essa geração é doente por acumular número de amigos nos lugares. Você realmente acha que crianças de 15 anos conhecem mais de 2.000 pessoas intimamente pra precisarem falar no comunicador do celular? Perá lá gente, nem a Kate Middleton tem essa quantidade de conhecidos. Isso aconteceu também no MSN que tinha limite de contatos, com o whatsapp que tinha limite para pessoas nos grupos e o facebook em breve vai sofrer isso com seu limite de “apenas” 5.000 amiguinhos.

Eu já vi “reuniões” e encontros de adolescentes em que eles não se falam pois está cada um no seu mundo virtual. Já vi jantares super baixo astral que quando divulgados pareciam o mais imperdível dos eventos. Já vi um bebê virando página de revista achando que era ipad, amassando o papel no meio e dizendo para a mãe que “quebrou” já que ele não conseguia aumentar a imagem e nem apertar nenhum botão da página impressa. Deu vontade de dar com a revista na cabeça dele! Esse final de semana uma menina de 7 anos me ensinou a usar algo no meu celular que eu não tinha ideia da existência! E ela deixou de brincar lá fora pra ficar fazendo isso.

Eu acho que mais uma vez as pessoas usam algo bom (incrível!) de maneira errada. É simplesmente brilhante a quantidade e a velocidade de informações que essa geração Y tem hoje em dia. E podemos sim ser considerados a geração mais preguiçosa dos últimos tempos, mas somos também os mais bem informados, os mais rápidos e empreendedores. E é preciso usar isso pro bem, e só pro bem. Cada vez mais podemos estar perto de pessoas dos mais diferentes tipos e lugares, podemos ter trocas riquíssimas de informações, experiências e sensações que só existem devido a essas trocas. Isso nos faz pessoas melhores e mais admiráveis.

Podemos sim usar o mundo online pra nos conectar, nos informar e nos completar. Mas precisamos “offlinizar” essas experiências para de fato estarmos completos. Fazer as coisas “saírem do papel” e “saírem das telas”. Vamos viver a beleza das relações reais, dos abraços, do cheiro da luta por ideias. Vamos viver mais por nós e menos por mim. Vamos juntos construir coisas ao invés do cada um por si. Alô geração Millenium, saiam do mundinho Me Me Me e vamos pro Us Us Us. Hoje temos o maior exemplo disso, uma manifestação pra melhorar o país, com mais de 200mil pessoas confirmadas no facebook. Uma geração que aparentemente não luta por nada, não reivindica nada e está acomodada. Uma geração que hoje, vai pra rua, por direitos, por educação, por respeito pelo fim da palhaçada da corrupção. Eu acabei de ser liberada do trabalho devido a isso. Não me parece algo pequeno que está acontecendo. E aí geração Y? Vamos pra rua?!

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13 Respostas to “Essa tal de geração Y.”

  1. Fatima Marques 18/06/2013 às 00:02 #

    Amei filha!!! Tenho orgulho de como vc pensa e como vc age!!!! Por isso fiz questão debate acompanhar na manifestação de hoje na Faria Lima. Bjs ( esses bjs serão reais e não virtuais)

    • Gabriela Marques 23/06/2013 às 22:27 #

      Obeigada mamy!
      Sou como sou por você me dar o exemplo de ser como é.
      Amei que me acompanhou nesse dia tão importante para o país.
      Beijos

  2. celso 18/06/2013 às 09:52 #

    Menina Gabriela, textos como esse aumentam a minha admiração por você. Tocou no ponto exato, relações online que não se tornam offline não são relações, são masturbações digitais. A tecnologia trouxe o mundo para alcance de todos, as pessoas usam a tecnologia como um método de se afastarem das pessoas. No mundo real, o melhor ainda é usarmos a tecla “touch” bjs

    • Gabriela Marques 23/06/2013 às 22:29 #

      Tio Celso, muito obrigada!
      Acho que como muitas coisas, acabamos usando mal a tecnologia em alguns casos.
      E se essas relações não se tornarem offline não fazem o menor sentido.
      E concordo com você, o touch do mundo real é muito mais incrível.
      Beijo grande

  3. marcia carmona gruc 18/06/2013 às 12:10 #

    Sabe Gabilinda,se 10% do seus amigos “entender” o que vc escreveu…..Parabéns!!!Super oportuno,bjs…

    • Gabriela Marques 23/06/2013 às 22:30 #

      Obrigada Tia Marcia!
      Espero que mais de 10% entenda, mas se for só isso já está de bom tamanho.
      O importante é saberem disso!
      Beijos e obrigada pelos elogios de sempre.

  4. Andressa bernardi 18/06/2013 às 19:11 #

    Gabriela o Brasil precisa de mais cabeças pensantes como a sua .
    Parabéns pelo blog e por fazer a diferença .

    • Gabriela Marques 23/06/2013 às 22:30 #

      Oi Andressa;
      Muito obrigada, de coração.
      Espero que volte mais vezes no blog.
      Beijos

  5. Flavio Bechir 18/06/2013 às 23:38 #

    Gabriela, dessa vez vou discordar rsrsrs. Acho que isso é uma mudança e é normal, com certeza vc não faz parte dessa geração da qual fala. Pq essa nasceu por volta de 2000 em diante. Mas assim como em outros tempos os mais velhos repudiam os mais novos o que é totalmente normal e só Froyd explica. Ainda assim, ótimo texto. Parabéns, bjos.

    • Patricia Graicar 19/06/2013 às 15:49 #

      Flavio,
      Desculpe a intromissão, mas ia deixar um comentário parabenizando o texto da Gabriela quando me deparei com o seu.
      A Geração Y, também chamada geração do milênio, é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, ao corte dos nascidos após 1980 até meados da década de 90, sendo sucedida pela geração Z.
      Não sei o que esse tal de Froyd explica…
      Freud, por sua vez, explica uma série de temas, não muito ligados a esse da geação Y… Explica a origem de doenças psicológicas, e não orgânicas, explica sobre a influencia de nosso inconsciente, cura pela fala, desejos reprimidos, etc.
      Desculpe a chatice no meu comentario, mas como você criticou sem nenhuma base as informações do post, achei válido dizer que elas estão corretas.

    • Gabriela Marques 23/06/2013 às 22:31 #

      Oi Flavio;
      Eu ía responder mas a Patricia respondeu por mim :)
      Obrigada pelo elogio do texto.
      Volte sempre.
      Beijos

  6. Rafael Gomes Martins 22/06/2013 às 19:28 #

    Mais um belo texto Gabi, estou adorando ler todos eles.
    Ao ler esse fiquei com a impressão que estava sendo escrita por alguém bem velho, o que sei que não é o seu caso!
    Toda geração tem suas particularidades, e a constante é sempre ela ser criticada pela geração anterior. Acho que vamos demorar um pouco para entender os efeitos nas pessoas, mas eu enxergo um pouco diferente de você esse ponto.
    As telas, os celulares, os aplicativos, o mundo online, para essa geração, não é um mundo separado do real. Online e offline para eles é a mesma coisa, e isso não é algo ruim, só é diferente. A tecnologia aproxima sempre as pessoas, não afasta.
    Aliás, se não fosse por ela não estaria aqui opinando sobre um texto seu, anos sem falar contigo. :)
    Continue nos entretendo com seus textos!
    Beijos!

    • Gabriela Marques 23/06/2013 às 23:10 #

      Rafa querido! Que delícia te ver por aqui!
      Adorei seu comentário e entendo muito seu ponto. E acho realmente que pra sempre vamos criticar as gerações atuais alegando que “na nossa época”era bem melhor e correto.
      A questão da tecnologia afastar é quando o online e offline não se misturam, mesmo parecendo a mesma coisa nessa geração. Sabe? Acho incrível tudo que a tecnologia nos proporciona, essa invenção incrível que é a internet, mas acho que se não usada da maneira correta traz muitas relações superficiais, rasas, vazias. E acho sim que acaba afastando as pessoas ao invés do contrário.
      Mas é claro que se tudo isso for usado de maneira certa, só traz benefícios, como vc mesmo disse! Você aqui, comentando no meu blog, depois de tanto tempo que não falamos :)
      Saudades de você Rafa. Que bom saber que lê o blog.
      Mil beijos

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