Manual do bom convívio em elevadores.

22 jul

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Certo dia entrei no elevador do meu prédio e tinha uma senhora coreana, uma moradora. Não tenho ideia em que andar ela mora. No meu bairro tem um monte de coreano, no meu prédio também, vários bem queridos, mas eu nunca sei quem é quem e de que andar eles são. Só quando erro meu andar e dou de cara uma hall cheio de sapatos e um cheiro forte de comida. Percebo que não é o meu. Anyways, esse dia eu dei de cara com alguma delas. Era logo cedo. Já percebi alguns comportamentos dessas senhoras coreanas do meu bairro. De duas, uma, ou elas não cumprimentam, ou ficam falando com alguém que esteja junto, em coreano, o que impossibilita minha interação. Dessa vez só tinha ela e ela resolveu conversar.

– Oi, bom dia. Você, Gabriela né? 12 andar?

– Sim, sou eu. (Por que raios ela sabe meu nome e eu nem sabia que ela morava no meu prédio?!)

– Você, casada?

– Não, não. (Ai, começou…)

– Ahhh, mora com pais, né?

– Moro sim. (Que te importa?)

– Ahh, mas vai casar né?

– Vou, um dia sim. Sem dúvidas. (Oi vó, você mudou de Floripa pra Coreia e pra São Paulo?)

– Ahh, mas namora né?

– Não, no momento não. (Será que o elevador quebrou?)

– Ahh não? Como não? Nossa!! (Cara de muito espanto, como se eu tivesse falado que as Coreias deviam entrar em guerra novamente).

– Chegou o elevador. Tchau. (E ela me olhando com aqueles olhinhos puxados arregalados).

Bom, vamos lá. Sem nem entrar no mérito do assunto que a senhora levantou… porque já não faz sentido algum uma pessoa que nem te conhece questionar esse tipo de coisa. A questão aqui é: as pessoas precisam ter noção nas conversas e atitudes de elevador, sabe? Bom senso gente, vamo lá?

Deveria existir algum tipo de manual de elevador. E vir colado ao lado do aviso do “mesmo que encontra-se no andar”. Pelo amor de Deus! Começa pelo fato de chamar o elevador. Alguém pede e sempre tem um otário que grita “elevadooor”, piada tão nova quanto a do pavê. E as pessoas apertam o sinal da seta pra cima e pra baixo. Como se dessa maneira o elevador entendesse misteriosamente pra que direção a pessoa quer ir. Ou então ficam apertando insistentemente o botão. Como se isso fizesse com que ele venha muito mais rápido que o natural. Ou apertar de novo quando alguém já apertou antes. Vai que o elevador pensa “puxa, ela deve estar com pressa mesmo! Vou voar lá pra baixo!”

Não importa se o elevador é do prédio que você mora, do shopping, ou do trabalho. Entre silenciosamente e vá para trás. Para o canto. Não fique parado bem na frente como um imbecil impossibilitando a entrada de qualquer outro coleguinha. Agora, se o elevador já está cheio, sinto muito, aguarde o próximo. Qualquer elevador tem limite de pessoas e esse limite não é “até lotar e ninguém mais puder respirar”, não se aglomere dentro fazendo com que alguém fique praticamente no seu colo ou te encoxando.

Outro ponto importante: não entre falando ao celular. Não tem por que. A ligação vai cair, não importa a sua operadora. Você vai ficar gritando se a outra pessoa está te ouvindo, vai ter que repetir 80 vezes cada frase e outra, ninguém quer saber dos seus problemas, ou da falta deles.

Desliga e quando sair do elevador retorne a ligação. Não vai morrer porque ficou alguns minutos sem celular. Até o Empire State sobe em 3 minutos os seus 102 andares.

 

Evite constrangimentos. Não fique se amassando se estiver com seu namorado, e não fique falando de coisas pessoais se estiver com a família ou amigos. Não dê brecha para um desconhecido entrar na conversa, porque acredite, ele vai. Mande o bom e velho “bom dia, boa tarde ou boa noite”, e já está de bom tamanho. Nenhum assunto relevante pode ser resolvido em 3 minutos. Então pra que começar? Falar do tempo também é bastante idiota. Se vocês dois, estão naquele mesmo elevador, naquela mesma cidade, bastante provavelmente estão tendo a experiência da mesma sensação térmica e possivelmente terão acesso as notícias em breve para saberem da previsão. Não fique apertando loucamente o botão para a porta fechar. Com uma vez apenas ele funciona. Se não funcionar, assimile, nem tudo dá certo.

Agora, se você estiver sozinho no elevador. Faça o que bem entender. Eu particularmente tenho uma certa vergonha do meu porteiro que me vê na câmera do elevador. Com bastante frequência ele me vê espremendo espinhas, me maquiando, checando a calcinha, checando celulites, fazendo caras e bocas, etc. Aquele espelho e luz é uma afronta à sociedade sabe? Se tá tudo certo ali pode ter certeza que irá arrasar. Não tem tira teima melhor que esse. E confesso que ali, sozinha, não sigo muito nenhum manual de boas maneiras. Mas a questão aqui é que esse pequeno manual que listei acima é de bom convívio, portanto, é necessário mais de uma pessoa no elevador para que ele aconteça. Fique à vontade para fazer o que bem entender quando estiver sozinha.

Estou pensando seriamente em colocar esse texto no mural do meu prédio. De repente faz algum efeito. Alguém pode traduzir pro coreano, por gentileza? 

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10 Respostas to “Manual do bom convívio em elevadores.”

  1. marcela 22/07/2013 às 10:57 #

    SENSACIONAL travinha!!!!
    Eu sempre penso nas boas maneiras no elevador!
    Faltou só aquele povo que entra ouvindo musica sem fone, no celular, ou com fone, mas como se tivesse sem.

    Um bjo enorme! Da sua fã sempre!

    • Gabriela Marques 23/07/2013 às 17:02 #

      Obrigada Travinha!!
      De fato, faltaram esses sem noção!! Morro de bode deles também. Gente chata… Hahaha.
      Obrigada pelos comentários e shares de sempre :)
      Beijos

  2. Fernanda S. 22/07/2013 às 15:30 #

    Amiiiiga! Mais um texto sensacional!
    Eu odeeeeio quem não sabe se comportar no elevador! Me irrita!!!! E quando a pessoa está com um perfume forte e você acaba pegando o cheiro? Já começo o dia mal quando isso acontece….. hahahahhaha

    • Gabriela Marques 23/07/2013 às 17:02 #

      Obrigada amiiiga!!!
      Hahahahaha isso do perfume é muito verdade! Você fica com o cheiro o resto do dia, e é sempre um cheio de bom ar zoado. Nunca é um Bulgary ou um CK né? ahahaha.
      Beijão

  3. marcia carmona gruc 22/07/2013 às 16:35 #

    Gabilinda,dei mta risada…vc é demais…lembrei muito das minhas filhotas, aquelas que vc. bem conhece…que era certo, entrar algum vizinho no elevador e as duas terem ataque de risada ….adivinha quem começava????bjs…..

    • Gabriela Marques 23/07/2013 às 17:03 #

      Tia Marcialinda! Você que é demais!
      Eu posso imaginar BEM suas filhotas fazendo isso… e tenho certeza que quem começava era a Tchuli! Hahaha.
      Beijão

  4. Mirna Nunes 23/07/2013 às 10:35 #

    Como sempre, ADOREI !!!! Bjos Gabi!

    • Gabriela Marques 23/07/2013 às 17:03 #

      Obrigada Mi!
      Volte sempre aqui.
      beijos

  5. Ma Laura 23/07/2013 às 23:09 #

    Gente, adorei o texto!!!
    Que PERCEPÇÃO hein??
    Vc traduziu em palavras pequenas situações do dia-a-dia realmente muitoo chatasss……

    Aliás, além do elevador, essas realidades se aplicam a transporte público, fila de banco, sala de espera de consultório médico, dentre outros exemplos….

    Afinal, ô povinho que ADORA conversar e logo vai ‘fazendo amizade’ hein, é o povo BRASILEIRO!!!! (se bem que coreano tb né Gabi??? hahaha)

    beijos, amei o post

    • Gabriela Marques 15/08/2013 às 09:59 #

      Olá!
      Obrigada pelo elogio.
      Tem razão, essas situações se aplicam também bos transportes públicos! Gente que adora fazer amigos né? Nunca vi… hahahaha.
      Volte sempre aqui no blog.
      Beijos

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