Archive | dezembro, 2013

Pelo fim do bullying nas redes sociais.

16 dez

                                   Imagem

 

Esse blog é de crônicas. São textos (obviamente) e uso apenas uma imagem para ilustrar o tema principal. Isso faz com que eu não seja julgada pela minha aparência, nem meu cabelo, nem meu treino da academia e muito menos meu look do dia. Ainda assim existe julgamento sobre minha escrita, minhas opiniões, meus valores e até meu caráter. Existem comentários incríveis, histórias, exemplos pessoais, dicas, elogios e também críticas. É natural. Eu respondo a todos os comentários com o maior carinho do mundo. E tenho sorte por não ver aqui tantas críticas nem julgamentos ou palavras rudes.

Mas eu fico totalmente impressionada com o que ando lendo por aí. As pessoas perdem a linha ao comentarem alguns blogs e matérias. Desmerecem textos muito bem escritos apenas pelo fato de não concordarem com a opinião do escritor ou só por birra mesmo. Blogs de moda então? Alvo de muita crítica e falta de educação. Agora, o que tem me assustado realmente são os comentários no instagram de blogueiras famosas normalmente com muitos seguidores. Ta aí um lugar que as pessoas perdem totalmente a noção do bom senso. Chega a ser ridículo. Eu não sou blogueira de moda e não tenho o menor talento pra isso. Meu instagram tem fotos de paisagens, da minha cachorra e minhas com minhas amigas e família. Mas ainda assim eu sigo várias blogueiras e gosto muito. Sigo as de moda e morro de amor com as combinações e bolsas divinas, as das makes incríveis, as chefs de cozinha brilhantes e as do fitness com seus corpos e determinação invejáveis. Eu adoro mesmo e algumas delas são inclusive minhas amigas de infância e eu já seguia antes do estrelato.

Mas eu tenho ficado chocada acompanhando os comentários das pessoas. Primeiro os que criticam totalmente à toa e sem a menor educação. “Não gostei desse look, tá ridícula.” Meu, na boa, quem te perguntou? Você acha realmente válido esse comentário? “Ah acho que a @fulana é muito baixinha, odeio.” E você quer que ela faça o que com essa informação? Passe a andar de perna de pau? “Você manda bem mas essa make ficou horrível e seu cabelo está bagunçado”. Filha, você já se olhou no espelho? Daí vem as defensoras malas “A @fulana é perfeita, vocês são todas recalcadas parem de brigar com ela. @fulana não liga, te amo”. Achando que é toda íntima da pessoa que nunca te viu na vida. Daí as seguidoras começam a brigar, argumentar e se ofender dentro do instagram alheio! É inacreditável. Tem também as que fazem propaganda nos comentários: “Linda. Sigam meu ig com várias bolsas lindas.”. Nossa…sério mesmo? Além daqueles imbecis dos “SDV” (sigo de volta) “TC” (troco likes) , “Curto 800 fotos se você me seguir”. Que merda é essa? Por que tem que sempre encafonar as coisas que estão bem? Tem aqueles irritantes curiosos de plantão também. “Que app você usa? Que pasta de dente você usa? Quantas folhas tem seu papel higiênico? Que absorvente você usa? Quantas vezes você transa por semana?” Gente chaaaata. Essas meninas são seres humanos, elas têm intimidade. Elas têm dias bons e ruins como todo mundo. Daí vem os politicamente corretos e psicólogos “O valor do seu sapato alimentaria toda a Somália.” “Com tanta gente sem tem onde morar e você com esse vestido” “Você é uma pessoa pública agora, tem que responder, tem que ter cuidado.” “Você não pode fazer tal coisa”. ZZZzzzZZZzzzZ ai gente, my ass! Que sorte a delas se elas tem dinheiro pra comprar, se elas ganham presentes, se elas tem tempo e foco para malharem tanto ou se elas são simplesmente pessoas bacanas. E mais sorte ainda que algumas ganham dinheiro com isso e ainda se divertem. E você por livre e espontânea vontade está seguindo a cidadã e portanto alguma coisa de interessante deve achar, mas se não achar, aqui vai  um segredo, tem um mecanismo mágico que chama UNFOLLOW, olha só que coisa. E outra, o instagram automaticamente apaga alguns comentários pois não cabe ali para expor todos, então, pessoas traumatizadas, parem de achar que são tão influenciadoras a ponto de alguém ir lá e apagar seu comentário por “medo”. Eles se apagam sozinhos muitas vezes.

Eu já li tanto absurdo no instagram que eu não sei como essas pessoas aguentam. Tem que ter muita cabeça boa e mente elevada pra ignorar, eu não sei como lidaria. Eu já vi gente tão sem noção que teve a coragem de falar mal e encher a paciência no instagram de uma noiva NO PRÓPRIO DIA DO CASAMENTO. Pensa comigo, a pessoa tá lá, no dia mais feliz da vida dela e alguma idiota faz questão de ir lá e destruir a pessoa com comentários totalmente desnecessários. É claro que é pequeno perto do que a pessoa tá vivendo e vai ser ignorada, mas de verdade, precisa? Tem sentido? Vai mudar a vida de alguém ou a sua própria?

Então o que queria fazer aqui é um simples apelo. Faço por mim, pelos jornalistas, pelas blogueiras e por qualquer pessoa que exponha algo na internet. Pelo fim do bullying nas redes sociais. Pelo fim dos imbecis do instagram, pelo fim das pessoas invejosas que não podem ver a felicidade ou sucesso dos outros. Pelo fim do SDV e siglas mocorongas. Gente, vão viver, vão transar, vão ler um livro, vão correr. Ou então continuem nas redes sociais, mas usando-as para o que elas realmente funcionam: para relacionamento, para dividir coisas legais, para lazer e informação. Parem de fazer delas muros de lamentações e alvos de suas frustações pessoais. O mundo fica muito mais legal sem pessoas chatas como esse tipo. De verdade.

Somos loucas e a culpa é da Disney.

9 dez

Image

 

Dia desses um amigo me abordou:

– Tenho um amigo muito legal pra te apresentar. Você vai gostar dele.

– Ah é? Legal, qual o nome dele? 

– Aiii Ga, só não vai querer casar no primeiro date!

– Que? Eu só perguntei o nome dele!

– Sei lá, vocês mulheres são loucas, querem casar no minuto 1.

– Você é débil mental?

Bom, e assim iniciou essa conversa que me fez ficar um pouco indignada com a constatação dele, e me fez pensar bastante sobre o tema. E na realidade, eu acho que dentre muitos outros culpados, é quase tudo culpa da Disney. Calma, eu amo a Disney, e como qualquer outra criança, assisti e vibrei com todos os filmes (assisto e vibro até hoje, e choro com muitos) e meus olhos brilharam como nunca na vida quando estive lá fisicamente. O negócio é genial, não temo como negar. Mas em certos aspectos eles são meio do mal. Pensa comigo, desde que nascemos, nós somos parte de um reino. “Ah que bebê linda, é uma princesa.” “Nossa, que maravilhoso seu filho, parece um príncipe.” E não estamos nos referindo às pessoas da realeza londrina nem sueca. Até porque, tem muita gente feia por esses lados também. Estamos nos referindo aos reinos da Disney mesmo. 

Vamos lá, vamos relembrar as da minha época (porque hoje em dia as coisas estão mais moderninhas e os desenhos mais evoluídos). Temos a princesa Bela que era uma nerd esquisita com pai maluco e se casa com a Fera (que era monstrenga e dava medo, mas vira lindo, loiro e fofo). Temos a sereia Ariel que era peixe, penteava o cabelo com garfo e tinha um siri como melhor amigo mas daí vira humana, cantora de ópera e casa com o seu príncipe Eric lindo. Também temos a princesa Aurora que ficou lá, de boa, hibernando por anos, (sempre linda e sem bafo) e é surpreendida pelo beijo do príncipe Filipe e se casam. A Branca de Neve que era espertona e morava com 7 coleguinhas, se ferra ao comer uma maçã mas ainda assim casa com seu príncipe gracioso. Temos até diferenças sociais que são resolvidas quando a Jasmine, princesa mulata, deusa com olhos penetrantes conhece o mocinho de rua Aladdin que rouba coisas com um amiguinho macaco e tem um amigo gênio mais louco que o Batman. Eles se casam, ele vira príncipe e tudo fica bem. Tem também a Rapunzel que certamente usava Garnier com aquele cabelo tão forte, e depois de anos de depressão sozinha dentro de uma torre, joga a trança que é escalada pelo seu charming príncipe Flynn. E por fim, a Cinderela, que numa fuga louca na madruga pra balada, devia estar bêbada, perde o sapato e com isso se casa com o príncipe encantado. 

São muitas outras princesas, mas essas são as mais marcantes da minha infância. E o que elas têm em comum? Quase tudo! São todas lindas (beirando a perfeição), com cabelos volumosos e brilhantes (e nem existia Morocan Oil), pesam no máximo 55kgs, têm a cútis invejável, e todas, absolutamente todas, encontram os grandes amores da vida, e se casam praticamente antes dos 22 anos. Sendo esses amores da vida delas, homens jovens, lindos, com cabelos de caimento perfeito e mais altos que elas. Mas isso nem vem ao caso, a questão é que elas de fato acham as almas gêmeas, e SE CASAM. Se casam logo, se casam cedo e são românticas e a vida é bela. Elas não ficam, não ficam de rolo, num romance, não são peguetes nem fuck buddy, elas se casam com tudo o que merecem e como manda o figurino. De vestido lindo branco, véu, grinalda, festa animada, com muito brilho, convidados especiais e uma felicidade sem fim. E digo mais, elas fazem jus ao “e viveram felizes para sempre”.

E a gente cresce vendo isso, a infância inteira. A gente baba por isso. É muito lindo, romântico, puro, ingênuo e verdadeiro. (Caiu uma lágrima). E daí vocês acham que a gente vai querer o que da vida? Ser como elas, naturalmente, e portanto, ter a vida amorosa delas. Não tem como ser diferente. Enquanto eles, meninos, crescem brigando de espada, de luta, de carrinhos e monstros, nós estamos lá já juntando as moedinhas pra um vestido Elie Saab. That´s life. 

Mas gente (homens!), calma. Relaxa a bisteca aí. Também não é por isso que absolutamente todas as mulheres são assim, e não é por isso também que somos alucinadas e queremos casar a qualquer custo e com o primeiro mongol que aparecer. Existem mulheres que querem de fato namorar muito tempo para ter certeza, existem as que conseguem julgar rápido e casam rápido, existem as que pressionam pra casar no primeiro mês e aquelas que querem passar longe disso. Acredite, existem várias que de fato não querem casar. Então apesar de toda essa coisa do romantismo, e daquelas malditas princesas perfeitas, não precisam enlouquecer e achar que no primeiro encontro pediremos opinião na fonte do convite do casamento. Mas se quiserem culpar alguém, não somos nós mulheres, é culpa da Disney. Paciência.