Arquivo | janeiro, 2014

Uma vida que faça a diferença.

27 jan

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Às vezes eu me pego viajando. Assim bem longe, muito distante da realidade. Eu sonho muito (tá, todo mundo sonha), mas o fato é que eu me lembro deles depois. Lembro detalhes. Alguns são os sonhos mais estranhos do mundo, mas às vezes os mais divertidos também. Tem vezes que não quero mais acordar, ou então fico forçando pra voltar no sonho, bem onde ele parou, sabe? Nunca funciona…E tem um lance meio doido que eu sonho acordada também. Eu crio coisas na minha cabeça que dariam um brilhante roteiro de filme. Daí nessas minhas viagens, nos devaneios eu misturo uns sonhos com umas ideias e com umas esperanças e daí eu vou bem longe.

Nessas loucuras de sonhos e realidades eu me questiono, sobre tudo, sobre todos. De coisas tontas do tipo “qual esmalte vou usar amanhã?” até “qual o meu real papel nesse mundo?” “que diferença eu de fato tô fazendo aqui?”. E esses dias, assistindo um episódio de Greys Anatomy me deparo com a seguinte locução/questão:

“We’re all gonna die. We don’t get to say much over or when. But we do get to decide how we’re gonna live. So do it. Decide. Is this the life you want to live? Is this the person you want to love? Is this the best you can be? Can you be stronger? Kinder? More compassionate? Decide. Breath in. Breath out. And decide.”

(“Nós todos vamos morrer. Nós não conseguimos dizer muito sobre ou quando. Mas nós podemos decidir como vamos viver. Então faça. Decida. É esta a vida que você quer viver? É esta a pessoa que você quer amar? É este o melhor que pode ser? Você pode ser mais forte? Mais amável? Ter mais compaixão? Decida. Inspire. Expire. E decida.”)

E é muito isso. A gente não sabe bem quanto tempo temos aqui, então temos que fazer valer a pena cada dia, mais ou menos como se não tivéssemos muitos pela frente. Eu nem concordo com aquela coisa de “viva cada dia da sua vida como se fosse o último” porque se de fato eu fizer isso, eu certamente nesse dia não vou trabalhar, eu vou fazer um monte besteira, experimentar um monte de coisa maluca e comer como um hipopótamo, já que não vou engordar e nem vou ter consequência de nada que fizer no outro dia que não existirá. E considerando que provavelmente não será de fato o último dia, se eu fizer tudo isso, consequentemente eu ficaria uma louca, obesa e desempregada. Então não é esse o ponto. Mas eu acho sim que temos que viver a vida de maneira mais leve e proveitosa. O máximo possível, com menos draminha. Coisas básicas mesmo. Está infeliz no trabalho? Faz um plano pra pleitear uma promoção, mudar de área. Não gosta de morar com seus pais? Economiza no final de semana e junta grana pra sair de casa. Seu namoro tá morno? Tenha aquela DR que você está evitando, ou termine! Tem algo incomodando? Fale. Não tá bem com seu corpo ou sua saúde? Acorde cedo e vai malhar. Tem algo mal resolvido e está te incomodando? Joga limpo, expõe o que pensa. Não gosta de morar nessa cidade? Vai pra outra!

Eu acho que se a gente fosse mais fiel a esse tipo de coisa, não só aproveitaríamos mais os momentos com menos drama e mais brilho, mas de fato viveríamos mais. Mais tempo, mais anos mesmo. Evitaríamos câncer e coisas do tipo. Eu tenho plena certeza que pessoas felizes vivem mais. E não é preciso uma visão utópica e falsa da vida, não me refiro a isso.

Você vai sempre querer mais do que tem. Não adianta. Você nunca vai achar o seu salário suficiente, você quer mais, porque você sempre vai gastar mais. Nunca vai achar que tem roupas o suficiente, você precisa de mais. O namorado da sua amiga é muito mais dedicado e romântico que o seu, e você vai sempre cobrá-lo por isso. Uma turma de amigas é muito pouco para uma semana inteira, você quer mais. A família das outras pessoas parece muito mais Doriana que a sua, você então necessita que a sua seja mais. A grama do vizinho é sempre mais verde. Na horta dos outros chove sempre mais que na sua. É normal.

Mas tudo bem. Esse tipo de coisa move o mundo. São desafios diários que te fazem ir atrás do que realmente quer. E é isso que digo para tirar o máximo e decidir já que de fato vamos morrer um dia e não temos muita noção de quando. Não existe uma vida perfeita. Mas existe uma bem perto disso. E é essa que tô falando pra gente buscar. Não como se fosse o último dia. Mas cada dia um pouco. Decida. Inspire. Expire. E decida.

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Noronha. A ilha roots paradisíaca.

20 jan

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Esse réveillon foi a vez de realizar um sonho. Passar a virada em Fernando de Noronha. Aquela ilha, aquele lugar paradisíaco em Pernambuco. Famoso por ser dos lugares mais lindos do Brasil e do mundo eu diria. Eu e minhas amigas estávamos com essa ideia fixa na cabeça há alguns anos e achávamos que merecíamos nos dar esse presente. Presente bem caro, aliás.

Bom, começou o perrengue no voo para Recife. Era 6:00 da manhã saindo de Guarulhos. Aquela coisa, dormir algumas horas, acordar de madrugada, ir lesada pro aeroporto, faz parte. No aeroporto de Recife tínhamos que esperar algumas (muitas) horas até embarcarmos pra Noronha. Embarcamos. Um aviãozinho daqueles bem menores que o normal e um primeiro choque. Só tinha mulher no voo. Era o avião da Barbie praticamente. Fudeu, essa tal de Noronha só tem mulher e nós vamos zerar bonito. Fomos pra ilha. É linda já vista de cima, no momento do pouso que é literalmente o meio da ilha, e no meio do nada.

Chegando em Noronha se paga a taxa de preservação ambiental de acordo com os dias que você fica. E na saída da ilha você tem que fazer seu check out confirmando se ficou aquele período mesmo. Daí aquela chatice de mala, nós todos cheios de bebidas (porque ouvimos falar que não tem muito por lá então resolvemos garantir!), pegamos uma van e fomos pra pousada. Pousada Helena, que carinhosamente apelidamos de Helen, para ter um pouco mais de glamour. Mas não havia glamour algum. Era uma casa, estranha, de alguém que resolveu colocar chave nos cômodos (mínimos) e fazer daquilo uma pousada. Ok, quase todas as pousadas de lá são assim, e todas ótimas, menos a nossa. E você paga a diária do Ritz Carlton em NY em frente ao Central Park. Mas o que tinha era looonge disso. A altura e a largura das portas dos quartos eram muito menores que as normais, parecia meio casa de anão, ou do Mickey. Os lençóis das camas eram feios, diferentes uns dos outros e das fronhas, e já me davam rinite só de ver. Nas paredes tinham umas manchas que chamamos de ácaros que brilhavam no escuro, mó piração. O gaveteiro deveria ter 5 gavetas, mas daí só tinha uma. Quando fui guardar um shorts branco nessa gaveta, ele saiu preto. No banheiro, as toalhas cobriam apenas a parte de cima do meu corpo, tipo toalha de rosto, só que era de corpo mesmo, porque de rosto, nem pensar. O chuveiro tinha um timing específico, era semi-quente só até acabar a parte do shampoo. Daí em diante, frio. No quarto das outras meninas tinham formigas, muitas. E elas matavam com perfume, então ficava um cemitério de formigas, mas bem cheiroso.

Foi um choque. Não da pra negar. Mas tinha uma senhorinha querida e uma cachorra fofa na pousada. Logo nos apegamos. Fomos pagar a taxa das praias que são parte do parque nacional. (Mas tudo tem taxa nesse lugar hein?) E depois fomos buscar nosso buggy, porque na ilha só se anda de buggy, então providenciamos esse veículo (e os gastos) já em São Paulo. Eu fui a primeira a dirigir. Um desgraça. Primeiro que a embreagem era a coisa mais dura que já vi na vida, depois que esqueceram de colocar breque. Então para parar era com o freio de mão quando dava. Cada acelerada parecia que tinha um gato morrendo no motor e trocar de marcha era tarefa árdua. Fomos colocar gasolina. R$ 4,30 o litro. Oi? “Tem outro posto com um pouco mais de noção aqui?” “Não senhora, moça, só tem esse na ilha.”  

Tínhamos reservado jantar num restaurante super gracinha de lá, o Palhoça. É de um pescador, e só cabem 18 pessoas, sentadas na mesma mesa e dividindo toda a comida e o peixe que ele pescou no dia. A ideia é bem legal. Mas nos perdemos por horas até encontrar, porque digamos que sinalização não é muito o forte de Noronha. Demos infinitas voltas no tal buggy demoníaco, sempre com medo que o acelerador saísse do meio dos nossos dedos do pé. Achamos o Palhoça. “Oi moço, temos uma reserva para 7 pessoas hoje.” “Mas a reserva de vocês é para 20:30.” “É chegamos mais cedo.” Vocês precisam esperar pra entrar, são 20:10, ainda nem tomei banho.” “Ah…ok, a gente espera sentadas aqui no buggy, ta bem confortável”. Oremos. Choremos. 

Nos desesperamos! Será que vamos ser a única turma da história da humanidade que vai odiar Noronha? Cadê glamour? Cadê paraíso? Cadê os famosos e os tubarões? Só nós vamos nos dar mal aqui? Bom, não foi o caso! (Amém). O jantar foi simplesmente divino. De verdade, o lugar é um charme, peixes incríveis, um acompanhamento melhor que o outro, o esquema de dividir com os coleguinhas que você nem conhece é bem interessante. É imperdível mesmo. Acho que a maré começou a mudar e vamos nos dar bem daqui em diante. Ah, tinha uma balada esse dia, que tínhamos também já pago antes, mas estávamos rolando de tanto comer, já quase dormindo em pé, e depois de um dia como esse, achamos melhor não irmos. Vai que… né.

Finalmente as coisas começaram a dar certo. No outro dia fomos na Praia do Sancho que é o lugar mais lindo que eu já vi na minha vida, sem exagero. As cores são tipo do fundo de tela do Windows. É tudo #nofilter mas parece que tá em HD. É inacreditável. Nunca vi uma coisa daquelas. As praias são todas incríveis. São misturas de cores surreais, os bichos do mar são lindos, os tubarões passam sim na sua perna no raso e nada acontece. Nosso instrutor de mergulho, o Maisena, nos explicou que o ecossistema de Noronha é muito equilibrado, portanto os tubarões não comem gente. Eles já comeram os peixinhos. Na real, essa história de ecossistema equilibrado é falado por todo canto na ilha. Dá meio preguiça. E apesar de acreditar eu preferia ficar meio longe dos tubarões. Vai que bem naquele dia ele tava com fome de perna…

Mas é de outro mundo a energia do lugar e o que você vê lá. Sério mesmo. Não precisa nem mergulhar, você coloca a cabeça na água, e pronto. Tá dentro do filme do Nemo. É tudo muito lindo e muito rústico. Aliás, não esperem por muito conforto em Noronha. As praias não tem infra estrutura. Não adianta. Ou você leva sua sacola térmica com bebidas, ou você tá na lama e morre de sede. Não tem guarda-sol pra alugar, não tem cadeira, não tem água de coco e barraquinhas na praia, não tem NADA. Apenas duas praias tem um pouco de infra, mas meio fora da praia. Nem sombra se quiser, não tem. Parece que tudo atrapalha o ecossisteZZzzzZZZ. O negócio é roots mesmo. Se engana quem pensa o contrário (eu pensava!). E não se esqueçam, é uma ILHA. A 500km do continente, ou seja, as coisas as vezes de fato não chegam lá. Se acabou algo, acabou, não vai chegar tão cedo.

Mas vale cada minuto, cada centavo gasto (ou cada libra se for pensar…) Foi cada dia melhor, cada dia uma praia mais bonita e restaurantes mais saborosos. E como tudo na vida é uma questão de costume e referência… em poucos dias, o buggy já estava excelente, o calor nem era tanto, já estávamos amando a Helen (pousada) e achando que ela nem era assim de todo ruim.

A balada do réveillon foi bem inesquecível. Todo mundo passa na pousada do Zé Maria, que é tipo o dono de Noronha. Um veio doidão de barba e cabelo compridos que conhece todo mundo e comanda o negócio. A festa é incrível, as pessoas são bonitas, os globais estão por lá (finalmente), bebida e comida de primeira, som maravilhoso e é uma vibe inexplicável.

Resumindo, conheçam Noronha! Algum momento da vida, tem que ir. Vão concordar comigo que é o lugar mais lindo e inexplicável do Brasil. E vão se orgulhar de ter um paraíso tão perto. Não precisa nem cruzar o oceano! Mas não esqueçam de algumas coisinhas que eu mencionei aí. São importantes. É paradisíaco, é surreal, divino, mas é roots. Bastante roots.

A bipolaridade das épocas festivas.

6 jan

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O final de 2013 chegou tão de repente como aqueles ventos de países frios que te dá tapa na cara. Pra mim ainda era Setembro e eu estava planejando minhas férias, quando de repente… Decoração de Natal no Iguatemi! E na Paulista toda e campanhas de Natal no ar. Ferrou, é Dezembro e eu mal comecei tudo o que eu tinha prometido lá em Janeiro.

E aí começa a minha bipolaridade dessa época tão solene. Dezembro, aquele mês que tem comemoração/happy hour/encontrinho/amigo secreto/churras/confraternização toooodo santo dia. Tá, legal… é maravilhoso estar com os amigos, com as pessoas do trabalho, etc. É uma delícia festejar,  desacelerar e sempre ter um evento no final do dia. Bipolaridade mode on: ah, mas todo dia? Puta saco hein. Tem gente que eu mal vi durante o ano, por que tenho que ver agora? E as funças de rotina? Academia, Kabbalah, etc? Desencano de tudo?

Daí dá aquela alegria de que está chegando o Natal, as pessoas estão mais solidárias, mais generosas e mais amáveis. Eu sou apaixonada pelo Natal. Pareço uma criança debiloide quando se trata desse assunto. Fico emotiva mesmo, e inexplicavelmente feliz. Mas daí vem a bipolaridade: Ahhh maldito trânsito do Ibirapuera por causa da árvore mais feia da história da humanidade. Shopping lotado, não tem onde estacionar, lojas cuspindo gente, o calçado 39 sempre em falta, trânsito por todo canto, um caos.

Mesmo assim, me conforta saber que já está perto da trinca de semanas que eu mais amo no mundo: Natal, réveillon e meu aniversário. Bem assim, uma semaninha após a outra. Bipolaridade again: Mas já é réveillon? Eu preciso fazer drenagem por 20 dias seguidos pra me desintoxicar desses eventos de fim de ano, e eu ainda não perdi os 4 kgs que faltavam (durante o ano todo!). E o pior, não cumpri minhas promessas do começo do ano e nem tenho roupa pro réveillon. Bem nesse ano que vamos pra Noronha, o lugar mais surreal do Brasil, só gente bonita, ai meu Deus, e agora?!  

Daí a gente foi pra Noronha. É tão lindo que doi. De verdade, não dá nem pra explicar. Se existe paraíso, é lá. E tudo que a gente queria era que chegasse logo a fatídica festa de réveillon. Bipolaridade versão Noronha: Mas se chegar o réveillon acaba a viagem! Porque dia 1º é o dia de agonizar na praia de ressaca e no dia 2 vamos embora! Não pode chegar nunca esse réveillon porque eu não quero ir embora nunca mais. O que fazemos?

Daí o ano começou, e junto com 2014 chegaram aqueles milhões de pensamentos, e energias e promessas e mudanças. Aquelas ideias de mudar a rotina, morar fora de novo, ou ficar e arrasar no trabalho. Aquele monte de coisa. Que delícia que é renovar e começar tudo do zero com a sensação de que vai ser melhor, de que agora vai funcionar, e de que tudo vai fazer sentido. Bipo de novo: na real mesmo, nada mudou né? É só uma ilusão de que as coisas vão se renovar mas se for olhar bem, tá tudo bem parecido ao dia anterior que era o ano passado né? Sei lá… pensa bem.

Bom, mas o que importa é que daqui alguns dias é meu aniversário. Yay! Eu amo aniversário, amo comemorar, amo dar uma mega festa todo ano, amo presentes e cartões e parabéns de todos os tipos. Acho que tenho esse apego por essa data desde criança. Dia 08 é um dia tão lindo… Bipolaridade versão semi balzaquiana: vou fazer 29 anos! É só um antes dos 30. Fudeu! Preciso sair de casa, ser bem sucedida no trabalho, casar e estar em forma porque depois não tem mais jeito. Tudo isso em UM ANO, será que rola?

E aqui estamos nós, já no 5/365 de 2014. (Mas ontem não era dia 1º?). E hoje é domingo, e eu adoro domingos. É dia de relaxar, escrever, ler, ver seriados, organizar tudo. Lá vem ela, a bipolaridade: Mas amanhã é segunda! Dia terrível! É o fim das férias, é voltar ao trabalho, é rotina e chatice e eu só tenho férias em Julho. Ó céus! É isso. É o que temos pra hoje, e pra amanhã. E pro resto do ano. Até chegarem esses momentos bipolares de novo no final do ano. Até lá, seguimos assim, normais. Ou não. Feliz 2014 bipolar!