Noronha. A ilha roots paradisíaca.

20 jan

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Esse réveillon foi a vez de realizar um sonho. Passar a virada em Fernando de Noronha. Aquela ilha, aquele lugar paradisíaco em Pernambuco. Famoso por ser dos lugares mais lindos do Brasil e do mundo eu diria. Eu e minhas amigas estávamos com essa ideia fixa na cabeça há alguns anos e achávamos que merecíamos nos dar esse presente. Presente bem caro, aliás.

Bom, começou o perrengue no voo para Recife. Era 6:00 da manhã saindo de Guarulhos. Aquela coisa, dormir algumas horas, acordar de madrugada, ir lesada pro aeroporto, faz parte. No aeroporto de Recife tínhamos que esperar algumas (muitas) horas até embarcarmos pra Noronha. Embarcamos. Um aviãozinho daqueles bem menores que o normal e um primeiro choque. Só tinha mulher no voo. Era o avião da Barbie praticamente. Fudeu, essa tal de Noronha só tem mulher e nós vamos zerar bonito. Fomos pra ilha. É linda já vista de cima, no momento do pouso que é literalmente o meio da ilha, e no meio do nada.

Chegando em Noronha se paga a taxa de preservação ambiental de acordo com os dias que você fica. E na saída da ilha você tem que fazer seu check out confirmando se ficou aquele período mesmo. Daí aquela chatice de mala, nós todos cheios de bebidas (porque ouvimos falar que não tem muito por lá então resolvemos garantir!), pegamos uma van e fomos pra pousada. Pousada Helena, que carinhosamente apelidamos de Helen, para ter um pouco mais de glamour. Mas não havia glamour algum. Era uma casa, estranha, de alguém que resolveu colocar chave nos cômodos (mínimos) e fazer daquilo uma pousada. Ok, quase todas as pousadas de lá são assim, e todas ótimas, menos a nossa. E você paga a diária do Ritz Carlton em NY em frente ao Central Park. Mas o que tinha era looonge disso. A altura e a largura das portas dos quartos eram muito menores que as normais, parecia meio casa de anão, ou do Mickey. Os lençóis das camas eram feios, diferentes uns dos outros e das fronhas, e já me davam rinite só de ver. Nas paredes tinham umas manchas que chamamos de ácaros que brilhavam no escuro, mó piração. O gaveteiro deveria ter 5 gavetas, mas daí só tinha uma. Quando fui guardar um shorts branco nessa gaveta, ele saiu preto. No banheiro, as toalhas cobriam apenas a parte de cima do meu corpo, tipo toalha de rosto, só que era de corpo mesmo, porque de rosto, nem pensar. O chuveiro tinha um timing específico, era semi-quente só até acabar a parte do shampoo. Daí em diante, frio. No quarto das outras meninas tinham formigas, muitas. E elas matavam com perfume, então ficava um cemitério de formigas, mas bem cheiroso.

Foi um choque. Não da pra negar. Mas tinha uma senhorinha querida e uma cachorra fofa na pousada. Logo nos apegamos. Fomos pagar a taxa das praias que são parte do parque nacional. (Mas tudo tem taxa nesse lugar hein?) E depois fomos buscar nosso buggy, porque na ilha só se anda de buggy, então providenciamos esse veículo (e os gastos) já em São Paulo. Eu fui a primeira a dirigir. Um desgraça. Primeiro que a embreagem era a coisa mais dura que já vi na vida, depois que esqueceram de colocar breque. Então para parar era com o freio de mão quando dava. Cada acelerada parecia que tinha um gato morrendo no motor e trocar de marcha era tarefa árdua. Fomos colocar gasolina. R$ 4,30 o litro. Oi? “Tem outro posto com um pouco mais de noção aqui?” “Não senhora, moça, só tem esse na ilha.”  

Tínhamos reservado jantar num restaurante super gracinha de lá, o Palhoça. É de um pescador, e só cabem 18 pessoas, sentadas na mesma mesa e dividindo toda a comida e o peixe que ele pescou no dia. A ideia é bem legal. Mas nos perdemos por horas até encontrar, porque digamos que sinalização não é muito o forte de Noronha. Demos infinitas voltas no tal buggy demoníaco, sempre com medo que o acelerador saísse do meio dos nossos dedos do pé. Achamos o Palhoça. “Oi moço, temos uma reserva para 7 pessoas hoje.” “Mas a reserva de vocês é para 20:30.” “É chegamos mais cedo.” Vocês precisam esperar pra entrar, são 20:10, ainda nem tomei banho.” “Ah…ok, a gente espera sentadas aqui no buggy, ta bem confortável”. Oremos. Choremos. 

Nos desesperamos! Será que vamos ser a única turma da história da humanidade que vai odiar Noronha? Cadê glamour? Cadê paraíso? Cadê os famosos e os tubarões? Só nós vamos nos dar mal aqui? Bom, não foi o caso! (Amém). O jantar foi simplesmente divino. De verdade, o lugar é um charme, peixes incríveis, um acompanhamento melhor que o outro, o esquema de dividir com os coleguinhas que você nem conhece é bem interessante. É imperdível mesmo. Acho que a maré começou a mudar e vamos nos dar bem daqui em diante. Ah, tinha uma balada esse dia, que tínhamos também já pago antes, mas estávamos rolando de tanto comer, já quase dormindo em pé, e depois de um dia como esse, achamos melhor não irmos. Vai que… né.

Finalmente as coisas começaram a dar certo. No outro dia fomos na Praia do Sancho que é o lugar mais lindo que eu já vi na minha vida, sem exagero. As cores são tipo do fundo de tela do Windows. É tudo #nofilter mas parece que tá em HD. É inacreditável. Nunca vi uma coisa daquelas. As praias são todas incríveis. São misturas de cores surreais, os bichos do mar são lindos, os tubarões passam sim na sua perna no raso e nada acontece. Nosso instrutor de mergulho, o Maisena, nos explicou que o ecossistema de Noronha é muito equilibrado, portanto os tubarões não comem gente. Eles já comeram os peixinhos. Na real, essa história de ecossistema equilibrado é falado por todo canto na ilha. Dá meio preguiça. E apesar de acreditar eu preferia ficar meio longe dos tubarões. Vai que bem naquele dia ele tava com fome de perna…

Mas é de outro mundo a energia do lugar e o que você vê lá. Sério mesmo. Não precisa nem mergulhar, você coloca a cabeça na água, e pronto. Tá dentro do filme do Nemo. É tudo muito lindo e muito rústico. Aliás, não esperem por muito conforto em Noronha. As praias não tem infra estrutura. Não adianta. Ou você leva sua sacola térmica com bebidas, ou você tá na lama e morre de sede. Não tem guarda-sol pra alugar, não tem cadeira, não tem água de coco e barraquinhas na praia, não tem NADA. Apenas duas praias tem um pouco de infra, mas meio fora da praia. Nem sombra se quiser, não tem. Parece que tudo atrapalha o ecossisteZZzzzZZZ. O negócio é roots mesmo. Se engana quem pensa o contrário (eu pensava!). E não se esqueçam, é uma ILHA. A 500km do continente, ou seja, as coisas as vezes de fato não chegam lá. Se acabou algo, acabou, não vai chegar tão cedo.

Mas vale cada minuto, cada centavo gasto (ou cada libra se for pensar…) Foi cada dia melhor, cada dia uma praia mais bonita e restaurantes mais saborosos. E como tudo na vida é uma questão de costume e referência… em poucos dias, o buggy já estava excelente, o calor nem era tanto, já estávamos amando a Helen (pousada) e achando que ela nem era assim de todo ruim.

A balada do réveillon foi bem inesquecível. Todo mundo passa na pousada do Zé Maria, que é tipo o dono de Noronha. Um veio doidão de barba e cabelo compridos que conhece todo mundo e comanda o negócio. A festa é incrível, as pessoas são bonitas, os globais estão por lá (finalmente), bebida e comida de primeira, som maravilhoso e é uma vibe inexplicável.

Resumindo, conheçam Noronha! Algum momento da vida, tem que ir. Vão concordar comigo que é o lugar mais lindo e inexplicável do Brasil. E vão se orgulhar de ter um paraíso tão perto. Não precisa nem cruzar o oceano! Mas não esqueçam de algumas coisinhas que eu mencionei aí. São importantes. É paradisíaco, é surreal, divino, mas é roots. Bastante roots.

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6 Respostas to “Noronha. A ilha roots paradisíaca.”

  1. Gabriela 20/01/2014 às 18:01 #

    CHOREI! de rir e de saudades…. lugar incrível, com uma energia incrível!!!! Nada teria tanta graça se não estivéssemos juntas! Pena que algumas perolas são impublicáveis! Saudades ate do cemitério das formigas! Mais um juntas <3

  2. Melissa 20/01/2014 às 22:22 #

    Noronha é lindo mesmo, só conheço por fotos, mas acho incrível. Mas acho que se eu tivesse a oportunidade de ir um dia, eu não ia querer entrar na água não, de jeito nenhum rsrsrs. Eu morro de medo de tubarões, aliás, de qualquer peixe potencialmente perigoso, do bagre ao tubarão. Morro de medo de peixes, mas adoro ver documentários sobre o assunto rs. Quem me conhece não acredita que sou filha de pescador. Mas sério, por mais lindo que seja, meu medo supera a maravilha do lugar. Parabéns pela viagem. E feliz aniversário atrasado :)

  3. natalie 21/01/2014 às 11:43 #

    Parece que ouvi vc contando tudo de novo e consegui rir tudo de novo!!!

  4. Bruna Perez 22/01/2014 às 09:37 #

    Eu passo mal de rir com os seus posts! parabéns!

  5. Mônica 23/01/2014 às 17:28 #

    Gabriela,

    Adorei seu blog, me identifiquei com diversos momentos que passou…. Gostei muito mesmo já coloquei na minha página de favoritos e indiquei pras amigas sabe como é rir é bom, junto cas amigas é melhor ainda.

  6. Katia Dresch 24/01/2014 às 17:04 #

    Gabriela,
    Parabéns pelo blog!
    Conheci ontem à tarde lendo “Atendimento, não telemarketing” e adorei!
    Tanto, que acabei de ler todos os teus posts!
    Muito divertido conhecer teu ótimo humor em textos bem escritos :)

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