Arquivo | março, 2014

Quando a vida dá sinais.

31 mar

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Meu último texto já dizia sobre a fragilidade da vida e sobre como somos todos, de certa forma, feitos de vidro. Acho que esse texto foi uma prévia ou um sinal do que estava por vir. Porque essa última semana, foi uma das que pude comprovar mais uma vez da fragilidade de que somos feitos e a sutileza que a vida pode simplesmente acabar. Totalmente do nada.

Nessa última semana, uma mesma doença, de formas diferentes, levou pessoas próximas. O câncer, essa doença filha da puta e desgraçada, porque eu não tenho outra denominação pra ela, levou a irmã de uma grande amiga e um menino de 10 anos. O menino eu não tive contato, mas me dói o coração imaginar a dor dos pais ao perder um filho com essa idade e de maneira tão injusta. A irmã da minha amiga eu acompanhei a história de perto e a injustiça que essa doença faz na vida da pessoa afetada e ao redor dela, eu pude ver e sentir com todo meu coração nos últimos dias. Acho que nunca uma morte me abalou tanto. Talvez por ser uma menina como eu, quase da minha idade e com o mesmo estilo de vida. Cresceu fazendo as mesmas coisas que eu, estudando na mesma escola, ao redor das mesmas pessoas e com os mesmos sonhos e objetivos. Talvez por ser irmã de uma grande amiga e eu me colocar no lugar dela, porque eu não sei o que seria de mim se perdesse meu irmão. Talvez pela velocidade que as coisas aconteceram e a impotência e luta perante a doença. Ou talvez pela comoção que causou em todas as pessoas que souberam da história. Acho que por muitos fatores.

É um pouco louco, mas se for pensar, parece que de certa forma, de tempo em tempo, Deus dá sinais diferentes. E claros. Recentemente, há poucos anos, vivi um ano com diversas tragédias em acidentes de carro. E perdi pessoas próximas e queridas. Parece que aquele foi o ano que recebemos o sinal do perigo da combinação de bebida e direção e das consequências que isso gera. Diretamente aos que estão fazendo isso, e o pior, a quem simplesmente não tinha nada a ver com a imprudência alheia. Daí me parece que esse ano é o ano dos sinais da nossa fragilidade, da delicadeza dos nossos corpos e de como somos impotentes a tudo isso. Fora esses 2 casos que mencionei, teve uma morte do melhor amigo de uma amiga, totalmente do nada, e igualmente devastador e sem explicação. Teve a morte de um dos melhores amigos do meu pai, e de dois grandes amigos de uma das minhas melhores amigas. Não pode ser coincidência. Eu acho mesmo que são sinais.

Outro dia ouvi na Kabbalah aquela prédica super bonita em que Deus fala e ensina como pode, sabe? Aquela história de um cara que está se afogando e pede ajuda pra Deus. Aí vem um barco e oferece resgate, e ele não entra no barco porque diz que esta esperando Deus. Daí vem um helicóptero e lança uma boia. Ele não pega e diz que esta esperando Deus ajudá-lo e Deus há de vir. Daí vem uma equipe de salva-vidas e ele agradece novamente, e diz que está esperando que Deus venha salvá-lo. E uma hora Deus diz “Mas meu amigo, o que você quer? Quem você acha que está te mandando tudo isso?” Como se tudo que apareceu para salvá-lo não tivesse sido enviado por Deus, ou por algo maior.

Eu acho que Deus dá sinais pra gente o tempo todo. Sejam eles sutis ou terríveis como esses acontecimentos recentes. E acho que esses sinais são claros para que a gente simplesmente aproveite enquanto estamos aqui. E que a gente tire o melhor disso tudo. Porque isso pode simplesmente acabar, de uma hora pra outra. Então aquela velha história de aproveitar o momento, de valorizar o que se tem, de tirar a melhor parte de tudo, pra mim faz mais sentido do que nunca. E o principal, como a frase famosa “say if you love somebody”. As pessoas estão cada vez mais medrosas, e mais sem tempo e mais acomodadas. Se você ama alguém, diga a ela todos os dias, antes que seja tarde demais.

E como a gente não tem controle nenhum sobre a vida ou sobre quanto tempo vamos ficar por aqui, que valha a pena o tempo que estivermos. Hoje ouvi de um rabino uma frase muito sábia: “A vida é tão maravilhosa e perfeita, que quem somos nós pra acharmos que sabemos quando ela deve ou não acabar?” Talvez a nossa missão aqui seja mais curta e efêmera do que a gente imagina. Então que nossa passagem por aqui seja da melhor e mais feliz forma possível.

Eu desejo as pessoas que foram, paz, serenidade e amor. Eu desejo aos que ficam força, fé, boas surpresas e muito amor. Amor infinito. Eu desejo aos doentes a cura, e aos infelizes a felicidade mais plena que existe. E o que eu desejo ao câncer? Que ele tenha câncer e desapareça.

Mais amor, menos drama, por favor.

17 mar

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Das coisas que eu mais odeio na vida toda, é drama. Gente que aumenta e faz drama pra tudo, sabe? No relacionamento, no trabalho, na família, em viagens, gente que está sempre doente, que sempre tem a pior coisa do mundo e nada que você tenha passado pode se comparar a tamanha grandeza e terror que a pessoa está passando. Morro de bode. E das pessoas que eu mais admiro, dentre muitas características, estão aquelas que levam a vida simplesmente de maneira leve, sem muitos altos e baixos, sem drama. Aquelas que veem o lado bom, veem o copo meio cheio, que tiram o melhor das situações. Meu pai é um ser humano admirável assim. Acho que por isso eu tento ser também, todos os dias.

No final do ano passado eu conheci uma menina que tem ossos de vidro. O nome científico é Osteogênese Imperfeita. As pessoas com essa doença nascem sem uma proteína necessária ou sem a capacidade de sintetizar. Então a pessoa fica com ossos tão quebradiços e frágeis  como se fossem de vidro. Elas podem quebrar os membros por qualquer coisa, qualquer mesmo. Essa menina que conheci, nesse dia específico ela estava com o bracinho quebrado só pelo fato de ter dormido sobre ele na noite anterior. Esse foi um dos dias mais emocionantes do meu ano. Ela tem 7 anos, é linda e super simpática e querida. Ela é bem menor do que uma criança de 7 anos, e aparenta ter uns 3 no máximo porque o corpo dela não se desenvolve como os outros. Ela não se sustenta em pé então vive na cadeira de rodas. É das crianças mais carismáticas, vaidosas e fofas que já vi. O pai abandonou a família quando soube da doença da filha, e mãe (pessoa mais forte e guerreira que já conheci), cuida dela e dos irmãos o dia todo e durante a madrugada faz doces para vender e sustentar a família. E ainda assim, são duas das pessoas mais felizes que já vi. O tempo que passei com elas, em momento algum elas reclamaram, e a mãe, com todo o problema aparente e sem dormir uma hora sequer naquela madrugada, sorria e falava com ternura da filha e das conquistas diárias delas. Em alguns dias ela seria operada na AACD e elas estavam muito ansiosas pelo resultado.

Eu fiquei pensando MUITO nelas depois disso. Pela história em si e por ser final de ano, época que fico ainda mais emotiva. Ela de fato tem ossos de vidro, mas se a gente for pensar, nossa vida é toda meio feita de vidro né? Não me refiro ao “teto de vidro” que todos têm. Mas a fragilidade do nosso corpo, da nossa mente e da vida desde o primeiro minuto. Somos tão frágeis e sensíveis. Tudo pode ser tão efêmero e ainda assim a gente se importa com tanta besteira e ignora tanta coisa importante. A gente vê problema onde não existe. E gente que realmente tem problema, vive melhor que quem inventa que tem. Essa menina que eu conheci e a mãe dela, elas sim têm problema. Isso é uma vida difícil. E não os que a gente (me incluo nessa!) fala que tem. 

Dia desses eu estava no elevador de um prédio comercial e eu conversei com a ascensorista. Eu perguntei se ela gostava de ser ascensorista. Ela disse que sim, muito, porque você sobe e desce o dia todo. Achei interessante. Ela super simpática e sorrindo, completou: “Mas no calor é ruim, porque faz muito calor e no frio também é ruim, porque faz muito frio. Mas tudo bem, vamo que vamo.” Cara, foi um dos melhores diálogos daquela semana. Essa moça sim, na minha opinião, tem um trabalho entediante, num cubículo, com movimentos repetitivos, e sem a menor probabilidade de mudança. Ou ela vai ser a CEO das ascensoristas? E mesmo assim, estava lá, sorrindo, conversando, sendo feliz da maneira dela. E provavelmente agradecida por ter um trabalho na atual situação. Esse tipo de coisa faz eu me sentir bem injusta.

Olha, eu sei que existem milhares de problemas, de todos os tipos, e cada um sabe do seu e dá a importância que quiser. Mas certas coisas que eu vejo por aí me fazem pensar e simplesmente agradecer por tudo o que eu tenho. Agradecer muito, infinitamente por cada detalhe. Pela minha família, meus amigos, meu trabalho, minha casa, minha saúde, minha infância, meus programas, minha vida. E pensar uma, duas, mil vezes antes de lamentar qualquer coisa. 

Essa menina dos ossos de vidro que conheci me tocou e me fez pensar muito. Ela deixou o meu coração praticamente de vidro, em pedaços. Eu espero que encontros como esses possam acontecer com mais gente. Pra gente entender, valorizar e agradecer todos os dias, antes que o vidro vire pó. E pra gente relevar mais as coisas e reduzir o drama. Save the drama for your mama. Vai ser feliz gente! :)

 

Ex-namorada: o mal desnecessário.

10 mar

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Ex-namorada. Todo mundo é, já foi, vai ser, ou tem alguma que inferniza ou já infernizou a vida. Não tem como passar imune a isso. É tipo praga que tem por todo canto e é difícil se livrar. É meio que um mal da humanidade, acho. Particularmente, eu nunca tive nenhuma ex namorada de namorado meu que tenha me atormentado muito (uma ou outra, um pouco vai!). Mas nada muito grave. Acho que isso é presente dos astros, já que eu garanto que sou uma ex namorada exemplar. Daquelas que somem mesmo e não dão trabalho pós término. Porque eu tenho certeza que o universo retorna isso. Você é ex-namorada escrota, vai receber uma de volta em algum momento. Ação e reação. What goes around comes around já dizia o sábio Justin.

Olha, eu já ouvi cada história surreal e já presenciei cada coisa… daria um bom livro de serial killer, porque algumas atitudes de ex-namoradas são dignas de se planejar a morte bem vagarosa e dolorida delas. Não é exagero. Tem aquelas que parece que bateram a cabeça e tiveram um probleminha de amnésia. Elas simplesmente esquecem que terminaram com o seu atual namorado. Ficam ligando, mandando mensagem, aparecendo “sem querer” em todos os lugares possíveis e por aí vai. Tem as freaks, que se não bastasse seguir o cara, te seguem em todas as redes sociais e te perseguem na vida real, estando sempre por perto quando você menos espera, e menos gostaria. As típicas curtidoras, que não só curtem cada passo do moçoilo nas redes sociais como aparentemente curtem todos os programas que vocês fazem na vida real, pois estão sempre lá ciscando. Tem aquelas que não têm bom senso e não desapegam da família dele. Querem marcar almoço/jantar/chá da tarde com a ex-sogra, ex-cunhada, ex-cachorro, etc. Acham de bom tom continuar frequentando a casa, só mudando a visita de dormitório. Como se isso fosse fazer com que o cara voltasse pra elas. Afinal, já que a mãe gosta tanto, de repente ele deveria voltar com a dita cuja. Que sentido isso faz?

Tem as deprês, que ligam chorando, falam que não conseguem mais viver, que não são nada sem ele e não comem mais (Gata, aproveita e emagrece, fim de namoro só serve pra isso! Não reclama que não come!). Tem as dramáticas também, que falam que vão se matar pelo fato dele estar namorando com alguém tão rápido. Ou as que dizem que vão matar a nova namorada, no caso você. E daí sua vida vira meio que um filme de terror. Tem aquelas que mandam indiretas infinitas nas redes sociais (isso quando você tem a sorte ou azar de conhecê-la e ter que acompanhá-la nas redes sociais). Vem aqueles posts do tipo “nossa, me livrei de uma boa, tem gente que vai se dar muito mal, kkkk”, (bem cafona assim mesmo!), ou então “nunca tenha ciúmes quando vir seu ex com alguém, porque nossos pais sempre nos ensinam que devemos doar brinquedos para as pessoas carentes”, ou essas palhaçadas atuais de “beijo no ombro pra recalcada que tá pegando minha baba”. É cada uma viu… Da uma vergonha alheia sem tamanho ver esse tipo de coisa.

Tem também as criativas. Elas inventam cada coisa para terem (impreterivelmente) que falar com o cara… é inacreditável. Ela PRECISA buscar as coisas dela que estão na casa dele há 2 anos e ela nunca precisou antes. Bem quando você tá com ele e a quenga consegue estragar qualquer clima. Ela PRECISA muito do contato de um amigo ou de um conselho de especialista X (complete com a profissão do cara). Ela PRECISA contar uma coisa que aconteceu com ela e que fez lembrar daquela viagem pro Mexico que fizeram juntos. Essas são as piores. Ah e tem as íntimas dos amigos dele também. Odiava todos quando namoravam, mas foi só ele estar namorando com alguém que ela faz questão de ser bff de todos os amigos. Sair junto, marcar coisas, postar fotos, tudo na maior descontração e diversão de doer a barriga. Tudo para mostrar que ele nunca deveria  ter uma namorada nova já que ela era tão incrível e bem aceita pela turma dele.

Eu tenho muitos exemplos, mas acho melhor parar por aqui antes que eu acabe dando ideia maluca pra as novas ex-namoradas que estão por vir. O meu conselho na real é bem simples. Ex-namoradas do meu Brasil: let it go. Pratique a empatia, você não gostaria que a ex do seu namorado te enchesse a paciência, certo? Não faça o mesmo quando seu ex estiver namorando! Acabou, foi lindo, foi eterno enquanto durou. Deu certo o tempo que foi, agora segue a vida. Não faça da vida da nova namorada do seu ex um inferno, ou isso acontecerá com você também. Lembra de que tudo que vai volta? Então vamos ser felizes sem importunar as coleguinhas. Vamos atrás dos mocinhos solteiros que podem dar muito mais atenção e amor que os que já estão com alguém! E vamos viver em paz cada um com seu respectivo! Um brinde ao amor (o de alguém e o próprio!).