Arquivo | abril, 2014

Mas e se …

14 abr

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[Revisitando alguns textos antigos achei esse que eu gosto muito. Escrevi no ano passado, numa fase poética e difícil. Mas hoje vejo que é um texto atemporal que pode cair bem em qualquer situação. É por isso que ele está aqui hoje.]

E daí vem o mundo e muda tudo e te deixa muda. Deixa tudo de cabeça pra baixo, de pernas pro ar, de cintura quebrada e te tira do eixo. E o que era bom fica ruim e o que era ruim de repente nem é tão ruim assim quanto você imaginava. E o que era bom não necessariamente era verdade, mas era bom. E fazia bem. E parecia certo. E daí você perde o chão. Mas percebe que o chão que parecia tão forte estava mais pra tecido de seda, do que pra cimento. E nada mais faz sentido. Ou pensando bem, tudo faz sentido de novo. Estava lá escancarado o tempo todo, mas a gente vai levando, vai escondendo, se escondendo porque a gente acredita. E acredita mesmo. Não é maneira de falar. Porque se não acredita não vale a pena, e se não vale a pena não devia ter começado. Ih… mas agora já começou. Já era. É… de fato, já era mesmo. Já foi, passou.

E fica aquela sensação esquisita, aquele aperto que enche de nada e esvazia tudo. Aquelas perguntas idiotas pras respostas infames. Daquelas que é melhor nem pensar, mas pedir pra não pensar é o mesmo que implorar para que pense. Mas e se? E se não tivesse sido, não tivesse passado, não tivesse vivido, não tivesse conhecido? E se eu tivesse respeitado minha mente e meu cansaço e ficado em casa naquele dia em que tudo o que se devia ter feito era isso, ficado em casa? E se tivesse deixado passar, ou ignorado a curiosidade ou disfarçado a vontade?  E se tivesse desistido antes de não ter mais forças pra isso? Ou tivesse desistido de tudo antes que tudo desistisse de mim? E se eu não tivesse errado? Mas é aí que tá… e se de fato não tinha mesmo feito nada de errado?

E foi tão do nada. Mas será que não foi nada? Mas não tem aquela história de que nada é por acaso? Mas daí o acaso pode se enganar. E às vezes a gente faz pouco caso do que o acaso nos guarda. E é aí que o bicho pega. Que a emoção pega, que a pressão pega, que a ilusão pega. E tudo pega, até o jeito pega. É muito estranho. E daí você pensa : como foi que viveu até aquele dia sem ter tudo aquilo? Com a mesma facilidade que pensa: mas onde eu fui me meter? Onde foi me meter? Porque você não pode ter entrado nessa sozinha, afinal de contas. Alguém te fez achar que aquilo era certo, e que era verdadeiro e que era diferente e que era pra sempre. Mas daí fica aquela coisa…O pra sempre é tão longo e tão distante. Quanto do pra sempre será que já gastei? Meses? Quanto falta? Tem fim? Tem. Mas não era pra sempre? Que confusão.

E daí de repente você tinha um monte de histórias, planos e certezas.  E então como num piscar de olhos tem memórias, fatos e dúvidas. E dúvidas que te fazem se sentir a pior e mais burra dos seres humanos que já existiu. Mas daí pensando melhor talvez tenha sido mais ingenuidade do que burrice. Quando você é daquelas que ainda acredita que tem um propósito e um bem maior, você é burra com orgulho. Porque quando bate saudade é porque valeu o esforço. Mas quando a saudade não é suficiente pra mudar as coisas, pra se arrepender, pra se virar em mil e errar tudo de novo, talvez não seja saudade, seja carência ou falta do que nunca se teve na realidade. Ou um vazio por perceber o vazio que restou.

Dizem que tudo na vida tem um motivo, uma razão e uma mudança. E que tudo e todos que passam nas nossas vidas, devem mudar ou deixar algo. Descobri que nem sempre. Às vezes tem mudança sem razão, motivo sem deixar nada, ou deixar algo sem motivo. Não importa. Tinha que ser da maneira que foi. Porque sim. Porque se não fosse, alguém faria algo pra não ser. Porque quem decide isso é a gente e não o destino ou o além. E de tudo que fica, eu fico apenas com o lema da minha vida: Isso também vai passar.

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Lollapalooza versão tupiniquim.

7 abr

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Esse fim de semana teve aquilo que considero dos meus programas favoritos: festival de música. Dessa vez, o Lollapalooza. Se não me engano esse foi o terceiro ano, e é sempre incrível. Confesso que não acreditava muito que esse tipo de festival, dessa dimensão, funcionaria no Brasil. Mas depois de ir ao Rock’n Rio, eu acredito em qualquer evento.

O esquema é sempre o mesmo, são 2 dias de shows de diferentes bandas e diferentes estilos, em mais de um palco. Sempre tem um dia melhor que o outro, mas sempre tem aquela única banda que faz você querer ir no “dia ruim” também. Esse ano eu tive bom senso e só fui no sábado. Acho que envelheci e não tenho mais saúde pra tanto. Me lembro que o primeiro SWU eu fui nos 3 dias, e terminei com hipotermia e totalmente sem voz, mas se tivesse um 4º dia eu iria. Acho que de fato a idade chega e minha lombar já não aguentaria.

Esse ano eu ganhei 2 ingressos pro domingo, que era o dia que não queria, então pensei em vender esses e com o dinheiro comprar pro sábado. Mas eu achei que seria uma má pessoa fazendo isso e Deus me castigaria, e eu cairia no vão do metro (mesmo sem andar de metro). Então eu dei os ingressos de domingo para uma amiga e achei que com essa boa ação Deus me contemplaria com 2 ingressos pro sábado. Tipo “O Segredo” mesmo, pensamento positivo. Gente, ação e reação… Funcionou! Ganhei os 2 de sábado, e ainda no lounge.

E aí meu amigo, melhor que ir ao Lollapalooza, é ir ao Lollapalooza com esquema. Tudo impecável. Van que te leva de graça pra dentro do camarote, vista privilegiada, banheiro limpo, bebida de todos os tipos, comidas, quitutes, celebridades, uma fartura de glamour. Mas quando você gosta mesmo de festival você só dá uma passada nesses esquemas, porque o legal mesmo é ficar na pista, perto do palco e no meio de todo mundo. Então calibra os drinks no camarote e vai pra vida. Pra pista, no caso.

Eu gosto de sempre analisar os tipos de pessoas que vão nesses festivais. Eu devo me encaixar em algum desses grupos, mas eu prefiro não pensar nisso e só julgar de fora todos eles. Quem nunca, né? Tem aqueles que simplesmente não sabem o que estão fazendo ali. Disseram que tinha uma balada durante o dia todo, que era moda, tinha um nome legal e todo o instagram estaria lá, então eles vão. Não sabem uma banda que esteja lá, e uma música sequer. Mas estão lá, andando de um lado pro outro, fazendo social no lounge, e fazendo bons contatos. Networking né… Tem aqueles fanáticos, que já sentam na fila uma semana antes do evento e acampam lá. Eu nunca vou entender essas pessoas, juro. Elas não trabalham? Como se fica tipo um mês numa fila? E a vida? Bom, eles choram, se matam, cantam com a alma e tal. Tem aquelas que seguem o look imposto pelo mundo da moda, para esse tipo de evento. Sem tirar nem por. O look completo consiste em shorts jeans todo rasgado “sem querer”, camiseta de bandas (que ela não conhecem), camisa xadrez, cabelo “acabei de acordar” (mas ficou horas fazendo), e botinha. Ah, e uma bolsa bem pequena mas que vale uma parcela de um apartamento. Elas são muitas, meio que se multiplicam por lá. Tem os do rock, que não importa o que esteja tocando, pode ser One Direction, mas eles estão lá, sacolejando aquela cabeleira enorme e gritando efusivamente. Tem os zé droguinhas, que parecem que estão em outro mundo e ficam saltintando de um lado pro outro, como uns duendes na floresta, e não tem ideia de onde estão. Normalmente, essa tribo está de óculos escuros até a noite, porque eles não percebem que escureceu. Tem também os lollapalosers, que estão lá só pra encher o saco. Não gostam das bandas, não entendem o conceito do evento e como todo baderneiro está lá para causar. São os que brigam a toa, os que querem fazer tumulto, os que sujam tudo, os que empurram na passagem de um palco pra outro, os que roubam celular, e tudo mais. Em resumo, os idiotas de plantão que vão em eventos pra atrapalhar e pra depois ficam reclamando nas redes sociais. Ah, e por fim,  tem os profissionais de festival. Desses que já foram em vários ao redor do mundo e conhecem tudo (pago pau particularmente). Eles sabem a hora de chegar, a hora de mudar de palco, sabem a programação completa, o caminho mais fácil pra transitar, a hora de comprar fichas, os esquemas, as melhores bandas, e as partes importantes e imperdíveis. Esses caras são bons no que fazem. Dessa vez tinham todas essa tribos, e muitas outras que não me lembrei pra colocar aqui. (A ressaca tá forte!).

E dos pontos altos desse ano, (no sábado), foram: Imagine Dragons com um tipo de som irreverente e profundo. De cantar com exagero e com a alma. A Lorde que é uma xarope e parecia que tava possuída. Menina boa, voz de impor respeito, uma pena que não passará dos 27 anos, segundo estatísticas de jovens prodígios. Muse que era banda bonitinha e virou rock de qualidade. Disclosure que arrasa e faz você se sentir uma D Edge gigante a céu aberto. E por fim, o melhor, na minha opinião: Phoenix, com jeitinho de tímidos e ginga francesa.  Som bom, daqueles que te fazem cantar sorrindo, querer comprar o CD mesmo que isso seja tão retrógrado hoje em dia. E o Thomas Mars que é aquela fofura sem fim (parabéns Sofia Coppola!) que pegou a bandeira do Brasil se jogou na multidão e quase precisou de uma plaquinha #eunãomereçoserestuprada.

Ainda não vi o que falaram do domingo, mas certamente deve ter sido bom. Me deu até uma dorzinha no coração de perder Pixies, mas no próximo eu vou. Aliás, já mal posso esperar pelo próximo. E tenho o sonho de ir no Coachella, que sei que em breve se realizará. E enquanto existirem esses festivais, eu estarei lá. Até o final! Yay o/