Arquivo | maio, 2014

Quando você percebe que está velha pra certas coisas.

19 maio

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Esse final de semana foi puxado. Desses puxados mesmo que dá vontade de tirar um fim de semana pra recuperar do fim de semana. E não porque fiz milhões de coisas e tive muitas funças, como vários outros. Mas porque me meti a fazer coisa que não tenho mais idade. A gente envelhece e tem que lidar com isso, e não se desafiar, sabe. Tem que assimilar.

Na sexta fui jantar, normal, gostoso. Drinks e dormir cedo. No sábado tive casamento (ah vá!) e lá pras tantas apareceu a oportunidade de irmos na Tribe. Isso, aquela rave lá que ninguém ouvia falar há um tempão, mas parece que voltou. Eu não sei bem qual o motivo, nem qual meu grau alcoolico no momento, mas eu topei, e como se não houvesse amanhã, me joguei nessa aventura no melhor estilo adolescente. Fui pra casa me trocar, entrei na ponta dos pés pros meus pais não acordarem (é claro que tropecei, nessas horas eu sou toda errada), me troquei em 3 segundos e fomos pro ponto de encontro de onde saía a van. Sim, era uma van porque o negócio é em Itu pra completar o estilo “curtindo a vida adoidado”.

Chegamos no tal sitio maeda e tudo já estava rolando há muito tempo. É muita gente. Muita gente mesmo. Tipo 20 mil pessoas. E suponho que 19mil estranhas. Aquilo é a maior concentração de gente maluca que já vi. Eu não sei se é porque não ía numa rave há uns 10 anos, mas aquilo tudo me pareceu muito muderninho demais. As pessoas alucinam e tomam umas coisas doidas numa facilidade que chega a ser até engraçado. A música de fato é incrível e contagia mesmo, mas as pessoas fritam e perdem a linha. E no meio de tudo aquilo, muitas perguntas vinham na minha cabeça e eu resolvi fazer um questionário para frequentadores de raves. Um dia quem sabe eu lanço no survey monkey e obtenho algumas respostas. Do tipo…

– Por que raios vocês usam óculos à noite? Vocês têm lentes especiais que enxergam no escuro?

– Vocês não sentem frio? De verdade, quando amanhece tem sol, beleza, mas até então eu estava de jaqueta e tremendo e todo mundo lá no verão! É frio, gente!

– Quantos litros de whey e bomba se deve tomar antes de desfilar seus corpinhos bolanders por lá?

– Por que vocês fecham os olhos como se estivessem tendo orgasmos em algumas músicas?

– Quantas vezes numa só música o DJ consegue falar “put your hands in the air” ?

– Por que vocês deitam no chão (grama/barro/lixo) e dormem? Não dá pra ir pra casa, dormir quentinho na cama, com edredon e tal?

– Como vocês aguentam a ressaca no outro dia? Tenho dores por todas as partes do meu corpo. Qual é o segredo para lidar com essa tortura?

– Como se bebe tantas horas seguidas sem vomitar? Como se sobrevive? 

– Quanto tempo dura esse troço? Eu fui embora as 11:00 da manhã e ainda estava bombando… Não tem fim?

– Qual a real diferença entre os djs? De verdade…

– Por que vocês andam de maneira engraçada de um lado pro outro com os olhos estatelados?

São muitas as minhas dúvidas, não sei se consigo me lembrar de tudo o que pensei lá. Se souberem a resposta, por favor me avisem. Ajudem uma curiosa. O que eu tenho certeza é que não tenho mais idade pra isso. De verdade. O cansaço que eu estava no domingo, e o sono que me acompanha até agora, nem se eu dormir o resto do ano vai passar. O que me faz chegar a triste realidade que eu envelheci. Não tenho mais idade pra esse tipo de coisa e comprovei essa tristeza sentindo na pele e na dor na lombar. Espero que pra balada isso não aconteça, espero que eu ainda aguente, que não me renda a Zorra Total. Mas rave… meu amigo, não dá. A idade chegou, o cansaço apertou, a ressaca se tornou insuportável, eu envelheci. Sad but true.

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O (ainda não) fascinante mundo da corrida.

14 maio

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Teve algum momento em que eu me distraí e, de repente, todo mundo corria. Todo mundo virou atleta. Era Maratona do Pão de Açúcar, Nike 10k, Fashion Run, Venus, Maratona pelas ovelhas do Zimbabue, Corrida pela paz entre Beyoncé e Solange. Nunca vi… Todo final de semana, alguma rua que eu preciso usar está fechada por uma prova que vale uma sacolinha valiosa, cheia de barras de cereais, um squeeze cafona, e a honra de uma multidão. E o povo vai pra rua todo equipado de Polar, GPS de pulso, tênis cor de caneta marca texto, dri fit dos pés à cabeça, esbanjando saúde e motivação.   

Eu particularmente, sempre gostei muito de esportes. A grande maioria deles, mais de assistir do que de praticar de fato, mas sempre me encantou. Na escola eu jogava basquete,  no intercâmbio era do time titular e me matava nos campeonatos e no acampamento de férias eu fazia todos os esportes, me dedicando como se fossem as olimpíadas. Sempre assisti a todos os tipos com o meu pai, e até hoje assisto alguma coisa, esse mundo sempre me fascinou. Mas daí eu fui ficando velha e só segui com a academia mesmo. A antiga (e insuportável) musculação, aula de spinning, step, transport, pilates, essas coisas. Mas tem a tal da corrida né?

Sempre achei incrível ver as pessoas correndo, saltitando felizes, mas corrida nunca foi muito a minha praia. Primeiro porque na minha opinião, correr na esteira sem chegar a lugar nenhum é das coisas mais deprimentes que existem. Fora que aquele reloginho tá ali exclusivamente pra te zoar. Passaram-se 6 horas e ele marca 6 minutos. O tempo é retrógrado ali. Depois que sempre fui peituda e quando você corre tudo saculeja muito e doi. Também porque as poucas vezes que eu tentei essa façanha eu achei que ía morrer nos 3 primeiros minutos. Achei não, eu tinha certeza que teria um enfarto e passaria daquela pra melhor. Era um desastre. Logo nos primeiros minutos vinha falta de ar, dor no baço, dor no joelho, rabo de cavalo batendo na cara, tudo errado. Fora que eu parecia a Phoebe do Friends correndo no Central Park. Uma gazela esquisita com membros longos e zero carisma.

De verdade, isso tudo não fazia muito sentido na minha cabeça mas sempre achei que deveria um dia me dedicar e fazer acontecer. Um esporte fácil, que se faz em qualquer lugar, tanta gente faz e ama, há de ter algo de especial. E daí de uns meses pra cá, com umas ideias de mudanças na vida, eu resolvi tentar. Ah e também porque meu namorado teve a brilhante ideia de me inscrever numa prova com ele. No Rio, no calor senegalês. Mas ok, mais um estímulo.  Comecei, (com baby steps) nesse fascinante mundo da corrida. Virei frequentadora do parque. Deixei o preconceito e a preguiça de lado e fui. E o negócio é legal mesmo. Tem essa estória aí que vicia, mas isso pra mim é um pouco piada de mau gosto e eu ainda não comprovei. Entrei num grupo de corrida (desses low profile mesmo) e as coisas já estão melhores e já não sinto que vou ter um AVC nos primeiros minutos. É bem divertido na verdade.

Tem umas coisas que me dão meio bode ainda nesse mundo, tipo a linguagem dos corredores… “Fiz 10K pra 50 e meu pace foi de 5,20 mas daí quebrei”. Ah meu filho, fala direito: “Corri 10km, em 50 minutos, fui muito bem na minha velocidade media, mas fiquei muito cansado e parei”. Pronto, mesma coisa só que na língua portuguesa, ó que simples! E daí essa noia por aumentar a distância a qualquer custo, e se inscrever em toda prova, e querer ser o Bolt e tal me dão meio preguiça, mas talvez com mais tempo eu entenda tudo isso e faça mais sentido.

O que posso dizer por enquanto é que venci um preconceito. E me superei. E é bem boa essa sensação. Pouco a pouco, mas são conquistas diárias e gostosas. É bom se colocar metas e ir alcançando. Isso mexe com sua cabeça e te faz querer sempre mais. Depois eu conto como foi a tal corrida do Rio. E como vai ser a maratona de NY. Ta, essa eu inventei, mas não custa sonhar né? Vamos ver se ao menos eu faço 10K e começo a falar que nem os corredores profissionais. Me aguardem, que eu não vou quebrar.​