O (ainda não) fascinante mundo da corrida.

14 maio

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Teve algum momento em que eu me distraí e, de repente, todo mundo corria. Todo mundo virou atleta. Era Maratona do Pão de Açúcar, Nike 10k, Fashion Run, Venus, Maratona pelas ovelhas do Zimbabue, Corrida pela paz entre Beyoncé e Solange. Nunca vi… Todo final de semana, alguma rua que eu preciso usar está fechada por uma prova que vale uma sacolinha valiosa, cheia de barras de cereais, um squeeze cafona, e a honra de uma multidão. E o povo vai pra rua todo equipado de Polar, GPS de pulso, tênis cor de caneta marca texto, dri fit dos pés à cabeça, esbanjando saúde e motivação.   

Eu particularmente, sempre gostei muito de esportes. A grande maioria deles, mais de assistir do que de praticar de fato, mas sempre me encantou. Na escola eu jogava basquete,  no intercâmbio era do time titular e me matava nos campeonatos e no acampamento de férias eu fazia todos os esportes, me dedicando como se fossem as olimpíadas. Sempre assisti a todos os tipos com o meu pai, e até hoje assisto alguma coisa, esse mundo sempre me fascinou. Mas daí eu fui ficando velha e só segui com a academia mesmo. A antiga (e insuportável) musculação, aula de spinning, step, transport, pilates, essas coisas. Mas tem a tal da corrida né?

Sempre achei incrível ver as pessoas correndo, saltitando felizes, mas corrida nunca foi muito a minha praia. Primeiro porque na minha opinião, correr na esteira sem chegar a lugar nenhum é das coisas mais deprimentes que existem. Fora que aquele reloginho tá ali exclusivamente pra te zoar. Passaram-se 6 horas e ele marca 6 minutos. O tempo é retrógrado ali. Depois que sempre fui peituda e quando você corre tudo saculeja muito e doi. Também porque as poucas vezes que eu tentei essa façanha eu achei que ía morrer nos 3 primeiros minutos. Achei não, eu tinha certeza que teria um enfarto e passaria daquela pra melhor. Era um desastre. Logo nos primeiros minutos vinha falta de ar, dor no baço, dor no joelho, rabo de cavalo batendo na cara, tudo errado. Fora que eu parecia a Phoebe do Friends correndo no Central Park. Uma gazela esquisita com membros longos e zero carisma.

De verdade, isso tudo não fazia muito sentido na minha cabeça mas sempre achei que deveria um dia me dedicar e fazer acontecer. Um esporte fácil, que se faz em qualquer lugar, tanta gente faz e ama, há de ter algo de especial. E daí de uns meses pra cá, com umas ideias de mudanças na vida, eu resolvi tentar. Ah e também porque meu namorado teve a brilhante ideia de me inscrever numa prova com ele. No Rio, no calor senegalês. Mas ok, mais um estímulo.  Comecei, (com baby steps) nesse fascinante mundo da corrida. Virei frequentadora do parque. Deixei o preconceito e a preguiça de lado e fui. E o negócio é legal mesmo. Tem essa estória aí que vicia, mas isso pra mim é um pouco piada de mau gosto e eu ainda não comprovei. Entrei num grupo de corrida (desses low profile mesmo) e as coisas já estão melhores e já não sinto que vou ter um AVC nos primeiros minutos. É bem divertido na verdade.

Tem umas coisas que me dão meio bode ainda nesse mundo, tipo a linguagem dos corredores… “Fiz 10K pra 50 e meu pace foi de 5,20 mas daí quebrei”. Ah meu filho, fala direito: “Corri 10km, em 50 minutos, fui muito bem na minha velocidade media, mas fiquei muito cansado e parei”. Pronto, mesma coisa só que na língua portuguesa, ó que simples! E daí essa noia por aumentar a distância a qualquer custo, e se inscrever em toda prova, e querer ser o Bolt e tal me dão meio preguiça, mas talvez com mais tempo eu entenda tudo isso e faça mais sentido.

O que posso dizer por enquanto é que venci um preconceito. E me superei. E é bem boa essa sensação. Pouco a pouco, mas são conquistas diárias e gostosas. É bom se colocar metas e ir alcançando. Isso mexe com sua cabeça e te faz querer sempre mais. Depois eu conto como foi a tal corrida do Rio. E como vai ser a maratona de NY. Ta, essa eu inventei, mas não custa sonhar né? Vamos ver se ao menos eu faço 10K e começo a falar que nem os corredores profissionais. Me aguardem, que eu não vou quebrar.​

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7 Respostas to “O (ainda não) fascinante mundo da corrida.”

  1. Monique 14/05/2014 às 17:49 #

    Tudo que eu penso, você escreve! Impressionante hahaha! Você é daquelas pessoas que dá vontade de ser amiga, sabia!!! Parabéns pelo blog, adoro seus textos e esse jeito leve de abordar os assuntos do cotidiano! Um beijo de uma leitora que também corre, mas que nunca chegou nos 10k e morre de preguiça das pessoas que deixam de viver pra correr, nadar, pedalar e viver de Whey …. #TJ

    • Gabriela Marques 20/06/2014 às 13:46 #

      Oi Monique;
      Que delicia de comentario! Que bom que os textos te passam essa sensação. Adorei saber disso.
      E vamos firmes na corrida. Até os 10K já esta mais do que bom e sem noias do malucos do whey né? hehe.
      Beijão

  2. Stu 14/05/2014 às 18:23 #

    G! Sensacional! Vc é brilhante e seu texto mais ainda! Hoje em dia o mundo inteiro corre e isso é um fato!
    Amo ser sua amiga! Beijos!

    • Gabriela Marques 20/06/2014 às 13:47 #

      Obrigada Bilu!
      Que linda que você é… eu que amo ser sua amiga e ter você na minha vida desde a infância.
      Beijos

  3. Marina de Godoy Forte 14/05/2014 às 18:40 #

    eeeeespetacular!! só parei de entender depois que voce começou a correr!! eu faço parte daquele primeiro grupo de pessoas que ama esportes mas não faz nenhum!! hahahahahaha talvez eu me renda!! um dia!! quem sabe!! ou talvez não!! bessos muié!! parabéns pelo texto e pela superação!!

    • Gabriela Marques 20/06/2014 às 13:48 #

      Hahahaha Ma, percebi que muita gente se chateou quando chegou na parte do texto que eu de fato entrei pra corrida. Hahaha.
      Mas acho que um dia esse bicho aí pica todo mundo viu… se vc tem uma pré disposição (que eu sei que vc tem!!) acaba rolando alguma hora.
      Nem que seja só uma corridinha de leve pra poder comer as delicias da Brigadeiro :)
      Beijos

  4. Mirna Nunes 14/05/2014 às 18:52 #

    Amei Gabi ! Ainda bem que somos maleáveis, não é ? Nós podemos mudar, crescer e fazer coisas que jamais pensaríamos em fazer! A vida é assim, a gente se surpreende com a gente mesmo, rssss. Amei seu texto ! Bjos.

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