Arquivo | outubro, 2014

O cruzeiro dos esquisitos.

27 out

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Parte das minhas férias desse ano foi com meus pais num navio. Esses cruzeiros maravilhosos em navios enoooormes que cabem umas 4 mil pessoas (é sério!) e são a mais pura diversão. Já tinha ido num outro com a família mas esse foi especial. Acho que consegui reparar numas coisas que antes não tinham me chamado tanta atenção. Foi chocante.

Vale dizer antes de tudo que os lugares que passamos eram magníficos, paradisíacos mesmo, de chorar de emoção. E a viagem em si foi toda maravilhosa, não tenho o que falar. Mas o que venho relatar aqui é meu tamanho espanto com o comportamento dos seres humanos nesse local peculiar que são os navios. Não sei o que acontece mas no momento que entram no navio sinto que as pessoas automaticamente ficam retardadas. Não sei se é o saculejo do negócio em alto mar ou se é pré-requisito de viagens assim, mas é fato. Muitos ali ficam retardados.

Pra começar tem aquela linha tênue desse tipo de navio entre o chique e o cafona. Bem tênue mesmo, ela se rompe com frequência. Esse navio era bem chique, super bem decorado, gente elegante, tinha uma balada das mais lindas que já vi e uma escada feita inteira de diamantes que custou 85 mil dólares. Ooiittentaa e cinco miiilll! Por que Deus? Por que? E as pessoas queriam tirar foto nela, e tinha fila. E eu só pensava em chorar de desgosto e só descia e subia de elevador pra não passar por ela. Tem também aquela noite que é o jantar de gala com comandante. Essa denominação por si só já me faz querer morrer de morte lenta. Jantar de gala? Gala? Em 2014? Com o comandante? Who cares quem é o comandante?! E as pessoas se vestem como se estivessem indo ao Oscar, fazem penteados no cabelereiro e tudo mais pra ir jantar no mesmo restaurante que ontem foram de havaianas. Não da pra entender. Eu bem fui com meu vestido da Farm e minha rasteirinha e meu pai foi de tênis. Por que a gente é style? Também, mas porque a gente tem dignidade, né gente?!

Daí tem também aquele esquema de “all inclusive” que requer muita maturidade e nota-se claramente que gringo não sabe lidar com isso. Aquilo é uma orgia gastronômica nojenta. Primeiro que o fato de você ter um buffet 24 horas por dia que comporta 3 mil pessoas não pode ser normal. E para agradar as pessoas do mundo inteiro, tem todos os tipos de comida. TODOS. Pode falar qualquer uma que lá tinha. E daí as pessoas acham de bom tom comer tudo freneticamente como se o mundo fosse acabar. E elas misturam as coisas mais non sense do universo. Um dia por exemplo um cara sentou do meu lado com macarrão, pizza, salada, melão e melancia, tudo no mesmo prato. Não contente, ele enrolou uns pães e muffins no guardanapo para levar pro quarto. Sendo que ele podia tranquilamente ir lá a qualquer hora do dia se empaturrar de tudo. Não dá pra entender, de verdade.

Para amenizar o restaurante dos alucinados tinha a academia mais incrível que já vi. Estilo Body Tech. Melhores aparelhos que já usei. Mas pra que? Só os magros usam, a grande maioria nem sabe que existe e nem passam perto. Tem sempre 5 pessoas por lá. As mesmas. (Obviamente me incluo nesse time dos magros já que eu estava lá todo santo dia. RA!)

E daí tem também aquela coisa de voltar pro navio do lugar que visitamos com algum adereço marcante do lugar em questão. Tipo, descemos  na Jamaica e o povo voltou cheio de trancinhas e tererê. Descemos em Cozumel e vieram tudo com os chapéus de Mexicano e tequilas. Ah gente, faça-me o favor. Quando descemos nas Ilhas Cayman não vi ninguém subindo com dólares ou um uma conta bancária recheada. Contenham-se people.

E por fim tem aquelas atrações que eles fazem para “animar o pessoal”. Como lambaeróbica na piscina, competição de dança, atividades recreativas e coisas desse tipo. Da uma vergonha de viver… Essas atividades deviam ser exclusivas das crianças porque é muito desagradável de assistir, sabe.

Enfim, foi bem interessante analisar o comportamento das pessoas durante esses dias. Eu sinto que poderia escrever um livro sobre isso. Mas por enquanto um post foi suficiente. E se vocês forem a um cruzeiro em breve, por favor, lembrem-se de mim e não deixem de notar essa transformação dos coleguinhas. É realmente impagável. Boa viagem, e boa sorte.

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