Arquivo | janeiro, 2015

O tempo e o desapego.

19 jan

large Se tem uma coisa que venho aprendendo muito é que alguns clichês são realmente mais aplicáveis na vida do que eu imaginava. Talvez o principal deles pra mim ultimamente tem sido o tal “dar tempo ao tempo”. Não que seja tão simples assim na verdade, veja bem. Não é só dar tempo ao tempo e pronto, senta e abre uma cervejinha pra ver as coisas acontecerem. Respeitar o tempo inclui um monte de coisas como paciência, perseverança, dedicação, resiliência e até carisma, arrisco dizer. Não é fácil esperar as coisas acontecerem da maneira que a gente quer, mas eu venho aprendendo cada vez mais com o tempo e também com o desapego em algumas questões.

Aprendi que além de dar tempo ao tempo, cada um tem seu tempo e isso é muito particular e precisa muito ser respeitado. As coisas acontecem de maneiras diferentes para cada pessoa. E em fases diferentes. Não adianta tentar mudar isso e forçar a barra. Na vida profissional, tem gente que dá sorte de estar no lugar certo e na hora certa e as coisas acontecem rápido. Tem gente que pula de emprego todo ano e é claro que nesses saltos vai conseguindo melhor cargo e mais dinheiro. Mas e aquilo de construir sua carreira, seu caminho? E construir respeito no lugar que se está e ser reconhecido por isso? Isso leva mais tempo é claro. Não estou julgando se é certo ou errado, mas eu aprendi a ter paciência e a esperar que o tempo me trouxesse o que eu mereço e que meu reconhecimento viesse de forma natural, mesmo depois de algum tempo e de ter me cobrado muito por isso.

Em relacionamentos não é diferente. Quantas vezes não vimos casais que acabam de se conhecer e se amam loucamente no primeiro fim de semana? Juras de amor eterno e intensidade e dali 1 mês terminam com a mesma facilidade e rapidez? Eles não dão o devido respeito ao tempo. E quantas vezes o tempo é essencial pra arrumar simplesmente tudo? As pessoas têm tempos diferentes, o que é certo e óbvio pra você nem sempre é pra outra pessoa. Ou pode ser, mas depois de um certo…adivinhe? Tempo. E sim ele pode pensar “putz quanto tempo perdemos”, pode ser. Daí você joga na cara dele isso de leve, tipo um #eujasabia. Mas forçar a barra e apressar as coisas pode colocar tudo em risco. Apressar o tempo pode acabar com o tempo que teria por vir. E eu ansiosa que sou, tive que aprender isso a duras penas e muito tapa na cara. E aprendi e hoje acho que o tempo foi e é o meu maior aliado e vejo que ele tem sido meu melhor amigo.

Além de entender cada vez melhor o tempo, tenho praticado também o desapego de certa forma. Recentemente desapeguei de várias coisas materiais que não usava mais e de gente que não me acrescenta. Desapeguei de querer sempre estar em todos os lugares e ser vereadora do mundo. Aprendi a desapegar e dizer não. Desapeguei de datas também, esqueci de várias datas importantes e dos meus últimos aniversários de namoro. E ele também, obviamente. Outra coisa, a vida inteira fiz festa de aniversário com uma amiga. Balada mesmo, super animada e regada a muitos drinks. Esse ano resolvemos não fazer. Simples assim. Não porque estamos velhas ou falidas (apesar de que sim, estamos as duas coisas! Haha), mas porque deu preguiça, desapegamos. E pela primeira vez na vida, não fiquei chateada com quem não me deu parabéns pelo meu aniversário. Entendi que a pessoa pode simplesmente ter esquecido, não entrado no facebook aquele dia, ou ela não quis me dar parabéns mesmo. E tudo bem.

Acho que junto com o desapego e o tempo, vem a maturidade e daí as coisas ficam mais simples e menos dramáticas. No final das contas, o vizinho é sempre o grande sortudo. A grama dele é sempre mais verde e chove muito mais na horta dele. Mas considerando que ele também pensa isso de você, a real é que o jardim de todo mundo é igual e tem seus momentos de seca e de abundância. O tempo cura tudo, o tempo faz milagres, o tempo é dinheiro, o tempo é o mais sábio dos conselheiros, tudo tem seu tempo… eu acredito em todas essas frases de efeito e todos esses clichês. E de todas essas, a que eu mais gosto é um trecho da minha música favorita da minha banda favorita “Time, don’t let it slip away, raise your drinking glass, here’s to yesterday. In time, we’re all gonna trip away, don’t piss heaven off, we got hell to pay. Come full circle.” (Full Circle, Aerosmith).

Carta para dois mil e quinze.

5 jan

large (3)

Olá 2015, como vai? Suponho que muito bem so far. Esses seus 5 primeiros dias têm sido bem deliciosos. Realmente, não tenho do que reclamar. Aliás, vi muita gente criticando seu antecessor, o 2014, mas pra mim ele até que foi bem do bom, viu? Comecei na paradisíaca Noronha, passei por Minas Gerais, Floripa, Juquehy, Rio de Janeiro, Bahamas, Ilhas Cayman, Miami e até na Jamaica fui parar. Viajei bastante que é das minhas coisas favoritas na vida, então isso foi um presente que o ano de 2014 me deu. Foi nele também que comecei uma linda história que achei que tinha acabado pra sempre. E ela veio comigo em você Sr.2015. Seja bom com ela, por favor. Ah! Foi no seu antecessor também que eu comecei a correr e peguei um certo gosto pela coisa deixando pra trás 6 kilinhos que me perturbavam. Foi lá nesse tal ano também que eu conquistei um monte de coisa bacana no trabalho e na vida pessoal e foi nele que eu pude ver 4 das minhas melhores amigas casando e sendo felizes para sempre. É, esse tal de 2014 foi no mínimo interessante. Nem esperava tudo isso.

Mentira. Na real eu até esperava. Eu sempre espero muito de tudo. Esse talvez seja dos meus maiores defeitos. Eu espero demais das coisas, das pessoas, e de você 2015, não vai ser diferente. Não pense que sairá ileso dessa. Eu espero MUITO de você. Olha, eu espero tanto que não sei nem por onde começar. Eu espero que você seja mais do que qualquer outra coisa ou qualquer outro ano, um recomeço, uma esperança, uma chacoalhada na cabeça das pessoas (e na minha também, obviamente). O mundo não vai bem e se demoramos até aqui pra ver isso, que seja em você 2015, a hora da mudança ou no mínimo da consciência.

Sabe 2015, eu espero ter mais tempo pra agradecer pelo que sou e tenho. Aliás eu espero parar de colocar a culpa de muita coisa na falta de tempo. Eu espero ter menos tempo trabalhando e mais me divertindo. Menos dor nas costas de stress e mais dores musculares de fazer esportes ou de tanto gargalhar. Menos idas ao hospital para ver doentes e mais visitas à maternidade. Menos reclamação e mais sorriso. Menos reuniões longas e mais jantares com as minhas amigas. Menos trânsito e muito mais tempo com a minha família. Menos suco detox e mais cafés quentinhos e deliciosos. Menos insônia e mais horas no stand up paddle. Mais horas escrevendo e menos preguiça. Em 2015 eu quero ver muito mais o mar do que vejo o Parque Ibirapuera. Eu quero que você seja bom pra mim 2015, e pra todas as pessoas que eu amo e fazem da minha vida o único lugar que eu queria estar. Eu espero que você me dê mais forças pra ajudar os outros e mais lucidez pra me tornar melhor. Que as pessoas agradeçam mais pelo que são do que pelo que tem. Que a vida seja menos online e de aparências e muito mais real e imperfeita como deve ser. Que eu leia mais livros e dê menos likes. Que o fato de não fazer nada seja simplesmente suficiente se eu estiver bem acompanhada.  Eu espero que você passe bem devagarinho nas minhas férias e voando na fases difíceis. Que você me mostre que cada dia que passa serve para alguma lição. Sempre.

Eu avisei que espero muito de tudo. Seja compreensivo, por gentileza.

Querido 2015, eu espero que você seja doce, leve e iluminado. Mais que qualquer outra coisa se você conseguir ser um pouquinho dessas 3 coisas eu já poderei dizer que você 2015, foi o ano da minha vida. Mas já te aviso que tem um tal de 2016 chegando por aí que promete ser ainda melhor viu? Então te cuida e seja bom pra nós. Faremos por merecer.

Feliz ano Novo. Que 2015 seja o melhor ano de todos.