Arquivo | fevereiro, 2015

Relatos de uma viciada.

23 fev

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Depois de muito pensar resolvi me expor, pois acredito que o ganho em salvar novas vidas faz valer a exposição. Sou uma viciada. Tenho um lado que se envergonha em dizer isso e outro que me impulsiona na tentativa de me desligar dessa droga. Essa praga que hoje me consome desde a hora que acordo até a hora de dormir, e que, não bastasse, me atrapalha o sono e um estado de relaxamento, que antes era muito presente na minha vida.

Eu, que sempre fui forte e nunca achei que fosse me submeter a qualquer tipo de vício, fui capturada. Essa maldita droga, que me viciou aos poucos, foi me consumindo cada vez mais, conforme ela mesma foi ‘evoluindo’ e se ‘desenvolvendo’. É triste. Não interajo como antes com minha família e amigos. Não consigo ficar mais que uma hora longe dela. Ela me consome sem eu mesma me dar conta! E, quando percebo, estou lá de novo, perdida nela, e nem sei pra onde fui, nem por que e nem como parei lá, mas lá estou, consumindo. Entendi que ela não me acrescenta em nada, mas isso não foi suficiente. Não entendo como fiquei aprisionada a ela, e hoje me tornei alguém que precisa de ajuda. Todo lugar da vontade de usá-la. É angustiante. Tem lugares que é mais fácil acessá-la, e aí dá uma grande tranquilidade…. Vocês não fazem ideia… Nesses lugares da vontade de passar o dia inteiro… Só usando, usando, usando….só eu e ela já é suficiente…esqueço de tudo ao redor… mas, se ela acaba, uma sensação de desespero me domina, como se não pudesse viver sem!

Outro dia, tentei recuperar da memória como foi lá no inicio, quando comecei o vício. Lembrei então que o primeiro impulso foi o de imaginar que todo mundo já usava, e por isso eu não poderia ficar de fora, caso contrário eu estaria ‘out’ de tudo que se passava ao consumi-la. E Eu também queria participar dessa nova tendência… Também fico pensando se o que me vicia é visualizar todo mundo feliz quando ‘entro’ nela. Só faz parte dela quem é feliz, sabiam? A tristeza? Não tem vez pra tristeza com ela… Tristeza só quando o efeito acaba e olhe lá…hoje a tristeza está fora de moda, ainda mais pra quem usa essa droga. A feiura, a tristeza, os problemas desaparecem, é quase que mágico!

A ultima vez que fiquei ‘limpa’ foi no réveillon agora de 2015. Fiquei 10 dias sem ela, pelo simples fato de que não tem dela lá onde fui passar a virada, e acreditem: consegui viver a vida intensamente! Me senti livre! Viva! Inteira! No começo foi difícil, mas depois nem lembrava mais de sua existência. Os meus colegas viciados também concordam que nas viagens dá menos vontade de usá-la. Só de vez em quando, e bem rápido. O uso é mais pontual. Mas quando voltei, adivinhem: fui mais uma vez seduzida por não menos que 264 estímulos, que não tinham nada de importante, só que me chamavam, me convocavam, me seduziam para retomar e voltar àquele lugar… E pasmem, eu resisti por dois dias… Foi voltar à rotina e novamente voltou o vício. Que raiva!

Outra coisa importante para quem ainda está limpo se atentar: dentro dessa droga você pode encontrar alguns tipos diferentes. Tem uma versão específica dela que também me viciei e que apresenta um problema muito sério – na minha opinião a pior de todas. Quando algo no mundo acontece, principalmente tragédias e temas polêmicos, as pessoas começam a consumir sem saber por quê, com muita frequência e usam a droga dos outros e compartilham e reutilizam, e consomem, consomem, consomem! Isso dá muita aflição. E parece que nesses momentos NINGUÉM percebe a gravidade do que está acontecendo, o único objetivo é consumir e aparecer pros outros… Muitas vezes nem param pra pensar por que estão fazendo aquilo!

Enfim. Peço ajuda de vocês, pois quero ler um livro por uma hora e meia, quero estar com meus amigos inteira, quero bater um papo com meus pais sem nenhuma interrupção! Esse é um pedido de socorro. Me ajudem, dicas, sugestões, identificações! Nesse momento, por exemplo, enquanto escrevo eu estou consumindo e espero ser essa uma das últimas vezes que faço uso dessa droga dessa maneira. Será que dá pra criar uma outra relação com elas? Busco ajuda para uma relação saudável com o whatsapp e seus grupos, facebook, instagram e afins em 2015.

Ana Karlik.

Vamos NÃO marcar uma reunião?

9 fev

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Tenho a mais plena certeza que a vida seria infinitamente mais fácil e ágil se tivessem menos reuniões. Pensa bem, tirando os 5 minutos em que se resolve algo de fato, o resto é mais pura perda de tempo. Ouvi dizer que em alguns países não tem cadeiras nas salas de reunião assim as pessoas têm mais foco, entram, resolvem e saem. Não dá nem tempo de cansar e querer sentar. Achei brilhante. Por aqui é uma enrolação sem fim.

Começamos do começo. As pessoas estão sempre atrasadas. Sempre. Seja as que devem chegar no lugar pra reunião, ou as que já estão no lugar e deixam as outras (que possivelmente chegaram no horário) esperando. Alguém está sempre atrasado. Daí aquele começo básico de amenidades, “ta frio né?”, “nossa, um trânsito infernal pra chegar, por isso atrasei” (Cara, na boa, moramos em São Paulo, é sempre trânsito, saia antes!!!), “bonito aqui né?”, “falta alguém?”, “ish, roubaram minha sala, aqui é sempre um problema isso de salas”, “finalmente nos encontramos depois de tanto e-mails.”, “demos rosto pro e-mail né?” hahaha, blablabla, entre outras coisas.

Quando as pessoas não se conhecem tem aquela coisa “Oi eu sou o Pedro, coordenador do assistente do diretor de cenas difíceis, da produtora X”. “Oi eu sou a Gabriela, gerente de atendimento da agência.” Pronto, 4 segundos depois ambos já esqueceram os nomes. Daí tem aquela troca de cartões. “Aqui meu cartãozinho” e as pessoas ficam meio empilhando os cartões milimetriamente na mesa, ou mexendo no cartão e lendo mil vezes a mesma informação… Mas sei lá, só eu acho isso bizarro? Eu NUNCA tenho meu cartão comigo e quando tenho e troco, na própria reunião eu perco o da pessoa… não chego nem a colocar na bolsa para nunca mais olhar pra ele. É muito desperdício de papel em pleno 2015, não?!

Se é segunda-feira é pior porque o começo da reunião é sempre sobre o final de semana. Perguntam detalhes do que foi feito quando na verdade ninguém tem a menor vontade de saber de fato se o seu final de semana foi bom ou não. Não importa. Daí ficam aquelas piadas sem graça e o que precisa ser dito de fato demora pra chegar e quando chega finalmente esse momento está cada um no seu celular ou note e fingindo que estão prestando atenção balançando a cabeça quando é humanamente impossível prestar atenção no conteúdo, olhar o telão, ler, julgar a pessoa que está apresentando, falar no whatsapp com o coleguinha da frente, digitar um e-mail e mascar chiclete. Im-pos-sí-vel. Apenas assumam que estão ali só de corpo. Porque mentalmente estão em outra galáxia. Quem sempre?

Eu sinto que as vezes as pessoas marcam reuniões só para parecerem que estão trabalhando. Eu por exemplo resolveria mil outras coisas se estivesse na minha mesa, nos meus e-mails, ao telefone, do que ali horas numa sala sendo muito pouco prática. As pessoas querem fazer reuniões para agendarem outra reunião. Reunião da reunião. Não dá pra entender. E daí a ata da reunião que é o que importa afinal de contas, tem aqueles next steps que todo mundo já sabia antes da tal reunião e no final não resolveu nada do que deveria. Maior perda de tempo.

Devem achar que eu por ser atendimento, amo escalar reuniões, que isso faz minha vida melhor, mas é o contrário…de verdade. Essas sem fundamento eu prefiro morrer de morte lenta do que ver elas acontecerem. Estou pensando em fazer um manifesto contra reuniões desnecessárias. Talvez eu mande o invite pra fazer essa reunião com as pessoas que me apoiariam. Oh wait. Sei lá, estou sendo meio redundante e confusa, até parece que estou numa reunião. É que ultimamente ando revoltada com essa questão e estou querendo recrutar pessoas para entrarem nessa guerra pelo fim as reuniões imbecis. Vou pensar melhor nesse projeto. Agora preciso ir, apitou aqui o invite de uma reunião. Mal posso esperar.