Relatos de uma viciada.

23 fev

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Depois de muito pensar resolvi me expor, pois acredito que o ganho em salvar novas vidas faz valer a exposição. Sou uma viciada. Tenho um lado que se envergonha em dizer isso e outro que me impulsiona na tentativa de me desligar dessa droga. Essa praga que hoje me consome desde a hora que acordo até a hora de dormir, e que, não bastasse, me atrapalha o sono e um estado de relaxamento, que antes era muito presente na minha vida.

Eu, que sempre fui forte e nunca achei que fosse me submeter a qualquer tipo de vício, fui capturada. Essa maldita droga, que me viciou aos poucos, foi me consumindo cada vez mais, conforme ela mesma foi ‘evoluindo’ e se ‘desenvolvendo’. É triste. Não interajo como antes com minha família e amigos. Não consigo ficar mais que uma hora longe dela. Ela me consome sem eu mesma me dar conta! E, quando percebo, estou lá de novo, perdida nela, e nem sei pra onde fui, nem por que e nem como parei lá, mas lá estou, consumindo. Entendi que ela não me acrescenta em nada, mas isso não foi suficiente. Não entendo como fiquei aprisionada a ela, e hoje me tornei alguém que precisa de ajuda. Todo lugar da vontade de usá-la. É angustiante. Tem lugares que é mais fácil acessá-la, e aí dá uma grande tranquilidade…. Vocês não fazem ideia… Nesses lugares da vontade de passar o dia inteiro… Só usando, usando, usando….só eu e ela já é suficiente…esqueço de tudo ao redor… mas, se ela acaba, uma sensação de desespero me domina, como se não pudesse viver sem!

Outro dia, tentei recuperar da memória como foi lá no inicio, quando comecei o vício. Lembrei então que o primeiro impulso foi o de imaginar que todo mundo já usava, e por isso eu não poderia ficar de fora, caso contrário eu estaria ‘out’ de tudo que se passava ao consumi-la. E Eu também queria participar dessa nova tendência… Também fico pensando se o que me vicia é visualizar todo mundo feliz quando ‘entro’ nela. Só faz parte dela quem é feliz, sabiam? A tristeza? Não tem vez pra tristeza com ela… Tristeza só quando o efeito acaba e olhe lá…hoje a tristeza está fora de moda, ainda mais pra quem usa essa droga. A feiura, a tristeza, os problemas desaparecem, é quase que mágico!

A ultima vez que fiquei ‘limpa’ foi no réveillon agora de 2015. Fiquei 10 dias sem ela, pelo simples fato de que não tem dela lá onde fui passar a virada, e acreditem: consegui viver a vida intensamente! Me senti livre! Viva! Inteira! No começo foi difícil, mas depois nem lembrava mais de sua existência. Os meus colegas viciados também concordam que nas viagens dá menos vontade de usá-la. Só de vez em quando, e bem rápido. O uso é mais pontual. Mas quando voltei, adivinhem: fui mais uma vez seduzida por não menos que 264 estímulos, que não tinham nada de importante, só que me chamavam, me convocavam, me seduziam para retomar e voltar àquele lugar… E pasmem, eu resisti por dois dias… Foi voltar à rotina e novamente voltou o vício. Que raiva!

Outra coisa importante para quem ainda está limpo se atentar: dentro dessa droga você pode encontrar alguns tipos diferentes. Tem uma versão específica dela que também me viciei e que apresenta um problema muito sério – na minha opinião a pior de todas. Quando algo no mundo acontece, principalmente tragédias e temas polêmicos, as pessoas começam a consumir sem saber por quê, com muita frequência e usam a droga dos outros e compartilham e reutilizam, e consomem, consomem, consomem! Isso dá muita aflição. E parece que nesses momentos NINGUÉM percebe a gravidade do que está acontecendo, o único objetivo é consumir e aparecer pros outros… Muitas vezes nem param pra pensar por que estão fazendo aquilo!

Enfim. Peço ajuda de vocês, pois quero ler um livro por uma hora e meia, quero estar com meus amigos inteira, quero bater um papo com meus pais sem nenhuma interrupção! Esse é um pedido de socorro. Me ajudem, dicas, sugestões, identificações! Nesse momento, por exemplo, enquanto escrevo eu estou consumindo e espero ser essa uma das últimas vezes que faço uso dessa droga dessa maneira. Será que dá pra criar uma outra relação com elas? Busco ajuda para uma relação saudável com o whatsapp e seus grupos, facebook, instagram e afins em 2015.

Ana Karlik.

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