Arquivo | junho, 2015

Calma, não é tão urgente assim.

8 jun

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Quando criança, meu sonho era ser médica. Até por isso eu fiz a área de Biológicas na escola e amava todos os tipos de biologia que eu tinha. Mas esse sonho foi por água abaixo quando tiver que abrir animais no laboratório e ao ver sangue e tripas eu achei que iria morrer desmaiar. Na verdade eu desmaiei mesmo e percebi que aquilo não era pra mim. Eis que virei publicitária. E agora eu praticamente desmaio por stress e pressão e não mais por ver sangue ou tripas. Brincadeirinha. #sqn.

Desmaios a parte o que eu aprendi sobre profissões é que existem algumas que de fato são mais nobres e louváveis. São “questão de vida ou morte” mesmo. Aquele pensamento antigo dos nossos avós de que só é interessante quem fez medicina, engenharia ou direito. É retrógado e tal, mas tem lá seu ponto se for pensar. Não me levem a mal, eu não me acho pior por isso e nem estou desdenhando todos os outros mortais que não se tornaram esses profissionais que mencionei. Não desmereço nenhuma carreira, muito menos a minha. Tenho o maior apego à publicidade, amo o que faço, não me vejo fazendo outra coisa, e acho sim que podemos fazer a diferença na vida das pessoas com ações e campanhas. Mas o que quero dizer é que ser médico, por exemplo faz você ter literalmente em mãos, a vida de certas pessoas. Ou então se você é um engenheiro, você constrói e projeta coisas que por qualquer erro de cálculo pode ruir e trazer o caos. Você também é bem responsável pela vida de muitas pessoas. Um outro exemplo é você sendo um juiz e tendo a capacidade de julgar e decidir o destino de uma pessoa me parece um peso bastante grande.

O que quero dizer com essas afirmações e comparações é que durante minha carreira eu aprendi muito sobre o verdadeiro significado de urgência e sobre dar os verdadeiros pesos das coisas. Eu não trabalhei em milhares de lugares e nem tenho 50 anos de experiência e carreira. Longe disso, tenho uma mísera década sendo publicitária. Mas eu já pirei bastante durante esse tempo e me dediquei de maneira exagerada deixando passar coisas importantes da vida. Eu perdi o almoço de casamento do meu irmão no telefone com o cliente e a produtora. Eu já perdi aniversário de amigas pois estava presa na agência. Eu já cancelei viagens e já engordei de tanto pedir pizza nas madrugadas de apresentação de campanha. Já tive crises de ansiedade. Já deixei de descansar ou curtir um lugar checando e-mails desenfreadamente de noite e madrugada. Mas eu aprendi muito com tudo isso e não sou mais assim. Eu não deixo mais o trabalho me enlouquecer. Pelo menos não como antes. Mas claro, eu ainda sou nerd e over dedicada, e isso faz parte da minha essência. Jamais levaria algo nas coxas, e isso nunca vai mudar, mas eu não deixo mais o trabalho influenciar e estragar a minha vida pessoal como antes.

Eu aprendi que talvez nem todo mundo esteja assim tão preocupado quanto eu. Aprendi que existem coisas que sim, podem ser deixadas pra outro dia. Aprendi que delegar é tão importante quanto aprender e fazer. Eu entendi que nem tudo é tão urgente assim, e o senso de urgência das pessoas é muito relativo. Ou como um amigo sabiamente disse: “O mundo começou a ficar esculhambado quando o primeiro ser nobre pediu pela primeira vez algo que era urgente e não era. Mas a culpa foi de outro nobre ser, aquele que atendeu prontamente sem questionar. Hoje todos nós corremos atrás do rabo por um senso de urgência inexistente que esses dois cavalheiros combinaram entre eles.” É totalmente isso.

O mundo não vai acabar se a apresentação ainda não está 100% pronta e a reunião é dali 5 horas. Se por um acaso desmarcarmos algo, não é o fim do mundo. Imprevistos acontecem. Ninguém vai ter um ataque cardíaco se a campanha entrar no ar dia 18 ao invés do dia 17. As vendas não vão deixar de acontecer por isso. Os e-mails fazem um percurso (extremamente rápido e brilhante), e com as pessoas ligando ou gritando não vai agilizar ainda mais a entrada deles nas caixas das outras. Milhões de reuniões sem fim não vão resolver um problema que não tem solução.

E o mais importante que aprendi e por isso citei a medicina como real caso de vida ou morte. Na minha profissão, as pessoas simplesmente precisam ter calma e precisam respirar, já que NINGUÉM VAI MORRER. Ainda não foi detectada nenhuma doença ou causa de morte como: campanha publicitária. Take it easy, pessoal.

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