Archive | agosto, 2015

O dia em que acabou a bateria. E o mundo.

12 ago

9162468512123621-t640

Aconteceu uma coisa horrível comigo ontem. Juro. Uma coisa muito terrível mesmo: acabou a bateria do meu celular. Eu sei, parece exagero, eu pareço uma louca falando isso, mas é que isso realmente nunca tinha me acontecido. E eu nunca precisei tanto de um celular como nessa fatídica vez. Sei lá, minha bateria normalmente dura quase o dia todo, ou eu sempre tenho um carregador no trabalho ou no carro. Ou não preciso do celular, não sou tão dependente disso. Ingênua. Ontem aconteceu que a bateria acabou quando eu estava chegando numa reunião, de taxi, umas 15:00. Já me causou desprazer pois eu havia pedido o taxi pelo aplicativo da agência e eu só poderia fazer o pagamento por esse aplicativo. Legal.

Durante a reunião (que foi longa), eu precisava mandar whatsapp pros meus coleguinhas, falando mal de outro coleguinha na reunião. Eu não podia. Também me lembrei de algumas coisas que precisava fazer no dia e que certamente me mandaria um e-mail pra me lembrar depois. Não pude. Saindo da reunião eu tinha que ligar pro meu chefe e contar da reunião e dos próximos passos. Também tinha que ver os meus e-mails caso estivesse acontecendo algo de problemático na agência. Impossível. Preferi mentalizar “o segredo” e só pensei em coisas boas que estariam acontecendo na minha ausência de tecnologia.

Saindo dessa reunião eu tinha outra. Pedi o taxi pelo aplicativo do celular de outra pessoa. E quando entrei no taxi percebi que não sabia o endereço da outra reunião. “Ah, mas é só eu ver o invite, o endereço está lá. Ou é só eu ligar pra minha assistente que ela pode achar o endereço pra mim.” Pensei. E logo me lembrei daquele fenômeno de não ter bateria no celular. Eu não podia fazer nenhuma das duas coisas. Pensei em ligar pra alguém da rua. Como? Ainda existe orelhão? Onde compra ficha? Se ligar a cobrar ainda é aquela musiquinha? E outra, eu só sei de cor o telefone dos meus pais e da minha melhor amiga. Nenhum desses saberia o endereço. E agora? Pedi pro taxista um carregador emprestado. Ele me emprestou algo que de repente funcionaria como cinto ou cadarço já que como carregador não funcionava. Graças a um surto de memória eu me lembrei da rua. O número foi na tentativa mesmo e no bom humor do taxista que foi vendo comigo cada edifício. Já fazia umas duas horas que estava incomunicável, minha mãe deve achar que algo aconteceu.

Cheguei na outra reunião com uma hora de antecedência. Não, eu não tinha visto a hora porque eu não uso relógio, eu vejo horas no celular. Eu esperei a próxima reunião durante uma hora e meia sentada. Repito. Uma hora e meia SEM BATERIA. Numa boa, aqui entre nós, o que se faz em uma hora e meia de espera sem redes sociais? Como não checar os grupos de whatsapp? Como sobreviver sem ver alguém em Ibiza no instagram? Ou sem ver um snap da Pugliese e seu abdome impecável e corpo escultural? Será que o Buda almoçou direitinho hoje? E se a Mica Rocha deu uma dica imperdível daquele cabelo perfeito? A Julia Faria já foi no pilates hoje? Gente, eu tenho uma certa dependência dessas meninas. Eu preciso saber delas. Tenho apego.

A reunião levou uma hora e meia. Eu acho. Pode ter sido 3, eu não tinha relógio pra marcar. O fornecedor falava siglas e termos que eu nunca ouvi na vida. Meu Deus, como eu faço pra dar um Google escondidinha? Saindo de lá precisava ligar pro meu namorado e minha mãe. Eram muitas horas incomunicável já. Minha mãe já deve ter certeza que fui sequestrada. Pedi o carregador emprestado pra recepcionista do lugar, mas o dela era de android e não cabia no meu. Aliás eu achei ela bem parecida com uma menina engraçada que conheci e queria tirar uma foto dela pra mandar pro meu namorado. Mas eu não ando com máquinas fotográficas, eu tiro foto com meu celular. QUANDO ELE TEM BATERIA.

Peguei outro taxi pra ir embora. Dessa vez na rua mesmo, já que não tinha como usar aplicativos. Puta transito. Cadê o Waaaaaze? Passam horas… Minha mãe deve achar que morri. Fato. Bom e nesse tempo que se passou desde que meu celular passou dessa pra melhor eu só passei dessa pra pior né? Eu já deixei de comer meus lanchinhos nas horas certas, de beber água, sim porque eu tenho aplicativos que me lembram disso. Já esqueci de todos os lembretes que eu teria durante o dia. Já deixei de falar com as minhas amigas. Eu já perdi a bike boa da academia. Se bobear já perdi até o namorado que deve achar que me mudei de país e esqueci de avisá-lo.

Cheguei em casa e tive uma miragem. Tipo no deserto quando as pessoas se deparam com água. Era meu carregador. Ali na tomada, prontinho pra mim. Meu celular voltou a vida e eu também. Estamos todos bem apesar das horas difíceis. Buda está alimentado, Mica segue linda, a Pugli malhou, nos meus grupos de whatsapp segue a discussão da marginal local, a ciclofaixa, as fotos dos babies e minha mãe e meu namorado sequer notaram minha ausência…

O que aprendemos sobre as férias.

3 ago

FullSizeRender

Hellloo! Long time no see, né? Saudades. Essa sou eu, sendo meiga e ultra empolgada. As férias me deixam assim, bem retardada. Mesmo sendo hoje, meu último dia dessa alegria, ainda sigo com uma felicidade impar. Estive 20 dias de férias, sendo 15 deles viajando por Israel. Não vou falar muito sobre a viagem em si porque ainda não consigo… acho que se falar vou começar a chorar de tanta emoção. Ainda não superei tanta beleza daquele lugar. Nem superei o fato de ter voltado e quero morar lá. Mas isso fica pra outro texto. Então aqui falarei sobre fatos que se aprendi e que se aprende sempre sobre as férias. Vamos lá.

Férias são as melhores coisas da vida de uma pessoa.

Não me venham dizer que é o casamento, ou o nascimento de um filho ou se sentir plena no trabalho e carreira. Não, tem algo melhor que isso tudo: são as férias. É impressionante como eu posso basear a minha vida toda pensando nisso. Cada salário que cai, cada dia que passa, eu só consigo programar viagens, viagens e a próxima viagem. Talvez seja a coisa que eu mais penso na vida. Sério mesmo.

Viaje durante todo o tempo que tiver de férias.

Não inventem isso de ficar em casa descansando, ou tirar férias para “resolver funças”. Viaje, muito, o máximo que você puder. Ok, se quiser curtir um pouco em casa, mas eu por exemplo usei dois dias para isso e já estou surtada. Fico pensando que devia ter usado esses dias na viagem.

Não venda nem um dia sequer das férias.

Esse conselho vale pra mim mesma que fiz isso dessa vez e já fiz uma outra vez. Vendi 10 dias e tirei 20. Fuééén. Errado, devia ter tirado os 30 que me são de direito. Eu trabalho como uma débil mental, eu mereço esses 30 dias. Um amigo me disse recentemente “não se vende o que não se pode comprar”. Sábias palavras. Pretendo não fazer mais essa loucura de vender férias.

Viaje com quem você ama. Ame com quem você viaja.

Aquela história de que só se conhece realmente alguém quando se viaja com ela é clichê mas é a mais pura verdade. A convivência em viagem é muito muito muito intensa. É claro que fica mais fácil porque muito provavelmente vocês estarão juntos em lugares incríveis. Ninguém por vontade própria vai viajar pra um lugar bizarro e sem água. Mas mesmo em ilhas paradisíacas, não é fácil estar 24 horas (literalmente) com uma mesma pessoa. Acontecem coisas inesperadas, nem tudo sai como planejado, as pessoas tem manias e jeitos distintos, o estilo de viajar de cada um pode ser bem diferente, cada um tem seu valor, seus costumes, prioridades. Cada um gosta de desfrutar dos lugares de diferentes maneiras. Enfim, escolha realmente um parceiro para viajar. Alguém que tenha um jeito parecido com o seu e ideias meio que alinhadas. Alguém que vai fazer cada minuto daquela experiência mais inesquecível ainda.

Perrengues irão acontecer. Lide com isso.

É impossível tudo sair dentro do combinado numa viagem. As cagadas acontecem, não adianta. Eu acho que viagens, assim como grandes eventos, têm tudo pra dar errado. A magia é ir contornando pra dar o mínimo possível e rir disso depois. Dessa vez por exemplo, na ida eu fiz uma escala em que teria que esperar 12 horas pelo meu próximo voo. Pois é. No primeiro hotel que ficaríamos, eu tinha reserva para os dias 16 e 17/07. Acontece que minha reserva era para esses dias, mas em 2016!! “Ta, eu errei o ano moço, desculpa, e agora o que eu faço?” E o jovem Alex do hotel, muito simpático, me disse: “Volte aqui no ano que vem”. Não sabia se meu namorado queria me matar de morte lenta ou uma bem instantânea pra não ter que mais lidar comigo. Durante a viagem eu perdi meus óculos novinhos (isso é olho gordo, tenho certeza), perdi a carteira (e logo achei), ficamos em todos os hotéis com a maior quantidade de degraus que já vi, e sem elevador. Minha mala tinha 30kgs para subir de escada. Jantamos numa temperatura amena de 38 graus, nos perdemos loucamente até acharmos onde dormiríamos, congelamos no ar condicionado de um ônibus que não dava pra fechar aquela porrinha que solta ar, tivemos bolhas de tanto andar, infecção urinária, boca estourada do sol, perdemos o wifi, perdemos a hora, nos embaralhamos com o hebraico, levamos prejuízo de taxista mal humorado e na volta quase perdi a conexão, por segundos. Ah! E minha mala não veio. Mas o melhor de tudo, gargalhamos de cada uma das histórias. Até doer a barriga.

Uma vez na vida, faça uma viagem não programada.

Eu sou ultra metódica, organizada, louca das planilhas e programada. Dessa vez, decidimos a viagem do nada. E a pedido do meu namorado fomos viajar num estilo “vida loka”, sem muitos planos e sem reservar hotéis, passeios ou qualquer compromisso. A principio eu quase morri de catapora com essa ideia. Mas com o tempo aceitei e assimilei. E de verdade, é libertador. Você acordar e não ter planos e decidir ali mesmo o que vão fazer, aonde irão dormir, o que irão visitar e pra onde partir no outro dia, é simplesmente incrível. Realmente recomendo pelo menos uma vez na vida. (Mas não acostuma tá, amor?! A próxima viagem eu já to reservando tudo aqui tá? Bem direitinho, com bastante antecedência).

Esses são alguns dos principais pontos ou conselhos que pude juntar depois dessas férias inesquecíveis. Tenho vários outros mas acho que daqui já dá pra tirar bastante proveito. Gente, vão viajar. O máximo que puderem e conseguir.em É o melhor e mais valioso dinheiro investido. É a única coisa que você gasta muito dinheiro mas te deixa cada vez mais rico. Eu realmente vivo pra isso. E se um dia eu tiver que dar apenas um conselho nessa vida, não vai ser pra usar o filtro solar, vai ser para viajar.

** essa foto linda aí foi no primeiro dia em Tel Aviv, o primeiro por do sol de todos os inesquecíveis que vimos <3