O dia em que acabou a bateria. E o mundo.

12 ago

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Aconteceu uma coisa horrível comigo ontem. Juro. Uma coisa muito terrível mesmo: acabou a bateria do meu celular. Eu sei, parece exagero, eu pareço uma louca falando isso, mas é que isso realmente nunca tinha me acontecido. E eu nunca precisei tanto de um celular como nessa fatídica vez. Sei lá, minha bateria normalmente dura quase o dia todo, ou eu sempre tenho um carregador no trabalho ou no carro. Ou não preciso do celular, não sou tão dependente disso. Ingênua. Ontem aconteceu que a bateria acabou quando eu estava chegando numa reunião, de taxi, umas 15:00. Já me causou desprazer pois eu havia pedido o taxi pelo aplicativo da agência e eu só poderia fazer o pagamento por esse aplicativo. Legal.

Durante a reunião (que foi longa), eu precisava mandar whatsapp pros meus coleguinhas, falando mal de outro coleguinha na reunião. Eu não podia. Também me lembrei de algumas coisas que precisava fazer no dia e que certamente me mandaria um e-mail pra me lembrar depois. Não pude. Saindo da reunião eu tinha que ligar pro meu chefe e contar da reunião e dos próximos passos. Também tinha que ver os meus e-mails caso estivesse acontecendo algo de problemático na agência. Impossível. Preferi mentalizar “o segredo” e só pensei em coisas boas que estariam acontecendo na minha ausência de tecnologia.

Saindo dessa reunião eu tinha outra. Pedi o taxi pelo aplicativo do celular de outra pessoa. E quando entrei no taxi percebi que não sabia o endereço da outra reunião. “Ah, mas é só eu ver o invite, o endereço está lá. Ou é só eu ligar pra minha assistente que ela pode achar o endereço pra mim.” Pensei. E logo me lembrei daquele fenômeno de não ter bateria no celular. Eu não podia fazer nenhuma das duas coisas. Pensei em ligar pra alguém da rua. Como? Ainda existe orelhão? Onde compra ficha? Se ligar a cobrar ainda é aquela musiquinha? E outra, eu só sei de cor o telefone dos meus pais e da minha melhor amiga. Nenhum desses saberia o endereço. E agora? Pedi pro taxista um carregador emprestado. Ele me emprestou algo que de repente funcionaria como cinto ou cadarço já que como carregador não funcionava. Graças a um surto de memória eu me lembrei da rua. O número foi na tentativa mesmo e no bom humor do taxista que foi vendo comigo cada edifício. Já fazia umas duas horas que estava incomunicável, minha mãe deve achar que algo aconteceu.

Cheguei na outra reunião com uma hora de antecedência. Não, eu não tinha visto a hora porque eu não uso relógio, eu vejo horas no celular. Eu esperei a próxima reunião durante uma hora e meia sentada. Repito. Uma hora e meia SEM BATERIA. Numa boa, aqui entre nós, o que se faz em uma hora e meia de espera sem redes sociais? Como não checar os grupos de whatsapp? Como sobreviver sem ver alguém em Ibiza no instagram? Ou sem ver um snap da Pugliese e seu abdome impecável e corpo escultural? Será que o Buda almoçou direitinho hoje? E se a Mica Rocha deu uma dica imperdível daquele cabelo perfeito? A Julia Faria já foi no pilates hoje? Gente, eu tenho uma certa dependência dessas meninas. Eu preciso saber delas. Tenho apego.

A reunião levou uma hora e meia. Eu acho. Pode ter sido 3, eu não tinha relógio pra marcar. O fornecedor falava siglas e termos que eu nunca ouvi na vida. Meu Deus, como eu faço pra dar um Google escondidinha? Saindo de lá precisava ligar pro meu namorado e minha mãe. Eram muitas horas incomunicável já. Minha mãe já deve ter certeza que fui sequestrada. Pedi o carregador emprestado pra recepcionista do lugar, mas o dela era de android e não cabia no meu. Aliás eu achei ela bem parecida com uma menina engraçada que conheci e queria tirar uma foto dela pra mandar pro meu namorado. Mas eu não ando com máquinas fotográficas, eu tiro foto com meu celular. QUANDO ELE TEM BATERIA.

Peguei outro taxi pra ir embora. Dessa vez na rua mesmo, já que não tinha como usar aplicativos. Puta transito. Cadê o Waaaaaze? Passam horas… Minha mãe deve achar que morri. Fato. Bom e nesse tempo que se passou desde que meu celular passou dessa pra melhor eu só passei dessa pra pior né? Eu já deixei de comer meus lanchinhos nas horas certas, de beber água, sim porque eu tenho aplicativos que me lembram disso. Já esqueci de todos os lembretes que eu teria durante o dia. Já deixei de falar com as minhas amigas. Eu já perdi a bike boa da academia. Se bobear já perdi até o namorado que deve achar que me mudei de país e esqueci de avisá-lo.

Cheguei em casa e tive uma miragem. Tipo no deserto quando as pessoas se deparam com água. Era meu carregador. Ali na tomada, prontinho pra mim. Meu celular voltou a vida e eu também. Estamos todos bem apesar das horas difíceis. Buda está alimentado, Mica segue linda, a Pugli malhou, nos meus grupos de whatsapp segue a discussão da marginal local, a ciclofaixa, as fotos dos babies e minha mãe e meu namorado sequer notaram minha ausência…

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2 Respostas to “O dia em que acabou a bateria. E o mundo.”

  1. Marina Daur 16/09/2015 às 14:25 #

    Oi, Gabi! Tudo bem?
    Olha, nao te conheco, mas é quase como se conhecesse… Leio todos seus textos desde… 2013?!
    Uma amiga do trabalho me indicou um dia por causa de um texto x q eu tava PRECISANDO ler e nunca mais parei…
    Queria pedir que vc nao abandonasse isso aqui! Por ex, agora mesmo, estou no trabalho, com preguica, precisando relaxar a mente por uns 5min e vc nao postou mais nada, sabe? Nao sei o que eu faco! hahaha.
    Por favor, volte!
    Bjs

    • Gabriela Marques 17/09/2015 às 16:27 #

      Oi Marina,
      Aaii que linda você! Adorei… Fiquei muito feliz que acompanha o blog desde o começo.
      Eu não abandonei não, juro!! Estou super corrida no trabalho ultimamente e não tenho conseguido parar pra escrever durante a semana e nem nos finais de semana.
      Mas prometo que vou voltar!! Me espera…
      Beijos

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