Arquivo | dezembro, 2015

Quando foi que o mundo ficou tão chato?

22 dez

bored

Esse é o último texto do ano, e mais do que um texto, é um desabafo. Porque né, 2015 não foi assim um ano fácil e talvez não tenha tanto pra se comemorar. Eu sempre acho que tem, costumo ver o lado bom de tudo, mas segundo o mood do pessoal ultimamente, eu tô aqui pra reclamar. Na verdade pra desabafar. Não sobre nada específico, mas sobre o mundo e as pessoas em geral.  Gente, quanto tempo eu dormi ou me desliguei que quando eu voltei estava tudo um saco? Quando foi que tudo ficou tão chato e dramático? O que aconteceu que um monte de gente bem resolvida agora resolveu incluir o mimimi no sobrenome? Da onde veio essa multidão de críticos e cheios de opinião sobre tudo e todos? Que que tá acontecendo? Eu acho que só há uma explicação plausível e assim de bate pronto pra responder isso: a internet.

Um cara que trabalhava comigo uma vez disse: a internet abriu a porta do reino dos chatos. É isso mesmo. Porque antes as pessoas viam as coisas e guardavam pra elas, ou contavam pra meia dúzia de interessados. Agora com a internet, você pode não só postar e falar o que quiser pra milhões de pessoas, como pode comentar em absolutamente tudo o que vê. E isso, que poderia ser algo pro bem, e pra maior interação e troca com as pessoas no mundo todo, simplesmente se tornou algo muito chato. As pessoas estão insuportáveis!

Não dá pra fazer ou falar mais nada sem que os chatos de plantão não reclamem.

Alguém fala que vai dar uma volta de bike na ciclovia –> Nooossaaa, coxinha, sem noção! Panelaço da varanda gourmet.

Resolve doar dinheiro pra uma ONG de animais –> Nossaaa, mas como você ajuda animais? E as pessoas? E a tragédia em Mariana? Você não tem coração?

As pessoas trocam o avatar do facebook para as cores da França em solidariedade ao terrível atentado –> Credo, que elitista, filha de papai, e o Brasil? E a seca do Nordeste? Pessoa horrorosa, só quer falar que já viu a Torre Eifel.

Foi aprovado o casamento gay em mais alguns países –> Pecadores, vão morrer no mármore do inferno!

O whatsapp caiu –> Que dia feliz! Finalmente as pessoas vão se olhar olho no olho, vão lembrar da família… blablabla.

Brincam pra mandar nudes pras amigas –> Meeeuu, que absurdo, como incentivam essa coisa horrorosa? As pessoas vão morrer de anorexia e de exposição.

Foto de férias na Europa –> Genteeee, que pessoa alienada. E a crise mundial? E o petrolão? E os refugiados da Siria? Como você é sem coração esnobando sua vida!

Falam de uma nova dieta no mercado –> Desumana! Incentiva a bulimia, faz dieta e não valoriza quem está passando fome no sertão.

Foto com os amigos pulando –>  Meu Deus que desrespeito a quem não tem amigos. Pulando ainda? E as pessoas que não tem pernas?

Videos engraçados –> Você não sabe o que acontece na vida das pessoas para rir da desgraça alheia, pense antes de compartilhar ZZzzzZZzz….

Que gente chata, meu seenhooorrr! Tudo é motivo pra reclamarem, e falarem de uma outra coisa que nada tem a ver com o assunto, ou pra te crucificarem e te tornarem a pior pessoa do mundo. Tá tudo muito chato e as pessoas estão se tornando intragáveis. Por que não conseguem enxergar o lado bom das coisas? Por que não consideram simplesmente o que deve ser considerado dos fatos? Porque dramatizar e aumentar tudo? Ai gente, vão transar, lavar louça, vão comer Nutella, pelo amor de Deus.

Querido, nem tudo é sobre você, é pra te ofender ou pra você dar opinião. As vezes algumas coisas são feitas ou postadas ou acontecem, simplesmente para serem daquele jeito, simples e efêmeras. Não precisa levar isso tudo tão longe.

Sejam mais leves e tenham mais discernimento na hora de comentar ou acabar com alguém nas redes sociais ou em qualquer lugar público. O mundo por si só já tem desgraça demais, não dá pra ter gente chata e negativa potencializando tudo.

Esse é meu amoroso recado pra 2016. De coração mesmo. Menos drama gente, mais amor, mais leveza e menos insuportáveis na internet. Sejam felizes, precisamos disso!  :)

 

Mudança de apartamento. E humor.

7 dez

Caminhão Pau de Arara

Ha algumas semanas eu fui parada numa blitz e tive meu carro apreendido. Sem me estender muito no ocorrido, vale dizer que era de madrugada e o policial não teve a menor compaixão por eu ser mulher, estar sozinha e meu bafômetro ter dado 0. Levou meu carro e me deixou lá na sarjeta. O dia seguinte foi praticamente o pior dia da minha vida, entre filas no Detran, esperas, mau humor, fome, desespero, documentos, bastante dinheiro, funções e muita demora. Depois ainda o resgate do carro na pqp. Eu tinha certeza que aquela seria a pior ou mais puxada semana do meu ano. Nada pode ter mais função do que Detran e coisas relacionadas a carro. Mero engano. Eu me mudei de casa semana passada. Isso sim é a maior e mais chata função da história da humanidade.

Começa na pré-mudança. Você deve encaixotar simplesmente 20 anos da sua vida. Ou melhor, 30. 20 anos que eu morava no meu apartamento anterior, e 30 anos de vida. É muita, muita coisa. Infinitas coisas. São milhões de roupas, papelada, fotos, livros e tralha. Sim, muita tralha. Me descobri uma pessoa acumuladora, porque apesar de extremamente organizada, eu encontrei coisas absurdas. O que dizer de uma pessoa que tinha ingressos de cinema de 2003? Ou do filme Sexto Sentido, que acho que foi em 1999? Ou convites de bar mitzva dos amigos (que hoje têm 30 anos), ou então, bilhetes e cartas dos amigos do primário? Sério, como pode ter tanta coisa? E o tempo que você perde mexendo nessas coisas antigas? Você para e lê as cartas do ex namorados e se pergunta aonde estava com a cabeça com alguns deles. Você chora relendo as cartas kilométricas das amigas com muitos “te amo +qd+zão, best friend forever and ever together”. Se surpreende com os boletins escolares…como eu era nerd, benza deus, nenhuma nota abaixo de 8, aparentemente eu chorava quando isso acontecia. Você morre de saudades e de rir com as fotos.  E percebe que sempre se achou gorda mas nem era tanto assim. Certamente hoje em dia é mais. Você percebe como seus pais te zoavam com os looks que te vestiam quando criança, ou como você mesmo se zoava na adolescência achando que era bonito ser hippie, despenteada de calça Diesel. E percebe o quão exagerada você pode ser tendo tanta coisa.

Sem brincadeira, fiz umas 20 sacolas enormes para doação e muitos sacos de lixo para irem para o lixo mesmo. Em paralelo a arrumação toda eu estava lendo um livro magnífico da Marie Kondo, uma japonesa obcecada por organização, chamado “A mágica da arrumação”. O resumo desse livro é basicamente “jogue tudo fora, você não precisa de tanta coisa para ser feliz”. Então eu segui (na medida do possível) muitos dos conselhos desse livro e me desapeguei de um volume monstruoso de coisas. Segui quase tudo, menos a parte de passar a mão em cada uma das minhas roupas e sentir a energia se elas ficariam mais felizes dobradas ou penduradas. Oi? A roupa feliz? A meia triste porque faço bolota delas sendo que elas precisam descansar? Essa parte eu acho que ela tomou drogas quando escreveu, então eu decidi se eu mesma estaria feliz e com espaço com as minhas roupas.

Feita toda essa divisão e arrumação tem a mudança de fato, e no caso das minhas coisas e dos meus pais, foram 160 caixas. Cento e sessenta caixas de papelão. Ou seja, nos mudamos para um local que deveria ser muito legal se conseguisse se enxergar algo. Chegamos no apartamento inteiro tomado por caixas, não dava pra ver o chão. E desencaixota uma caixa, e não sabe onde guardar, e ataque de rinite, e desencaixota outra e não sabe o que fazer, a cachorra não sabe onde faz xixi, e tem caixas nos cômodos errados, e depois de dias acha que acabou mas faltam metade das caixas. É infernal. E quando você acha que realmente acabou, não nunca acabou. Aparentemente nunca acaba. Gente que difícil essa história de mudança.

A parte boa é que cada dia é uma novidade. Um dia chega o sofá, no outro chega a internet (amém), no outro instala a geladeira, depois chega a mesa do jantar. E com o tempo as coisas vão se ajeitando e ficando tudo do seu jeitinho. O problema é controlar a ansiedade mórbida que eu tenho pra tudo. Não vejo a hora de ter tudo pronto, nos mínimos milímetros de organização e detalhes. E daí é só dar por aberta a fase do open house! E comemorar! Feliz casa nova pra nós!