Mudança de apartamento. E humor.

7 dez

Caminhão Pau de Arara

Ha algumas semanas eu fui parada numa blitz e tive meu carro apreendido. Sem me estender muito no ocorrido, vale dizer que era de madrugada e o policial não teve a menor compaixão por eu ser mulher, estar sozinha e meu bafômetro ter dado 0. Levou meu carro e me deixou lá na sarjeta. O dia seguinte foi praticamente o pior dia da minha vida, entre filas no Detran, esperas, mau humor, fome, desespero, documentos, bastante dinheiro, funções e muita demora. Depois ainda o resgate do carro na pqp. Eu tinha certeza que aquela seria a pior ou mais puxada semana do meu ano. Nada pode ter mais função do que Detran e coisas relacionadas a carro. Mero engano. Eu me mudei de casa semana passada. Isso sim é a maior e mais chata função da história da humanidade.

Começa na pré-mudança. Você deve encaixotar simplesmente 20 anos da sua vida. Ou melhor, 30. 20 anos que eu morava no meu apartamento anterior, e 30 anos de vida. É muita, muita coisa. Infinitas coisas. São milhões de roupas, papelada, fotos, livros e tralha. Sim, muita tralha. Me descobri uma pessoa acumuladora, porque apesar de extremamente organizada, eu encontrei coisas absurdas. O que dizer de uma pessoa que tinha ingressos de cinema de 2003? Ou do filme Sexto Sentido, que acho que foi em 1999? Ou convites de bar mitzva dos amigos (que hoje têm 30 anos), ou então, bilhetes e cartas dos amigos do primário? Sério, como pode ter tanta coisa? E o tempo que você perde mexendo nessas coisas antigas? Você para e lê as cartas do ex namorados e se pergunta aonde estava com a cabeça com alguns deles. Você chora relendo as cartas kilométricas das amigas com muitos “te amo +qd+zão, best friend forever and ever together”. Se surpreende com os boletins escolares…como eu era nerd, benza deus, nenhuma nota abaixo de 8, aparentemente eu chorava quando isso acontecia. Você morre de saudades e de rir com as fotos.  E percebe que sempre se achou gorda mas nem era tanto assim. Certamente hoje em dia é mais. Você percebe como seus pais te zoavam com os looks que te vestiam quando criança, ou como você mesmo se zoava na adolescência achando que era bonito ser hippie, despenteada de calça Diesel. E percebe o quão exagerada você pode ser tendo tanta coisa.

Sem brincadeira, fiz umas 20 sacolas enormes para doação e muitos sacos de lixo para irem para o lixo mesmo. Em paralelo a arrumação toda eu estava lendo um livro magnífico da Marie Kondo, uma japonesa obcecada por organização, chamado “A mágica da arrumação”. O resumo desse livro é basicamente “jogue tudo fora, você não precisa de tanta coisa para ser feliz”. Então eu segui (na medida do possível) muitos dos conselhos desse livro e me desapeguei de um volume monstruoso de coisas. Segui quase tudo, menos a parte de passar a mão em cada uma das minhas roupas e sentir a energia se elas ficariam mais felizes dobradas ou penduradas. Oi? A roupa feliz? A meia triste porque faço bolota delas sendo que elas precisam descansar? Essa parte eu acho que ela tomou drogas quando escreveu, então eu decidi se eu mesma estaria feliz e com espaço com as minhas roupas.

Feita toda essa divisão e arrumação tem a mudança de fato, e no caso das minhas coisas e dos meus pais, foram 160 caixas. Cento e sessenta caixas de papelão. Ou seja, nos mudamos para um local que deveria ser muito legal se conseguisse se enxergar algo. Chegamos no apartamento inteiro tomado por caixas, não dava pra ver o chão. E desencaixota uma caixa, e não sabe onde guardar, e ataque de rinite, e desencaixota outra e não sabe o que fazer, a cachorra não sabe onde faz xixi, e tem caixas nos cômodos errados, e depois de dias acha que acabou mas faltam metade das caixas. É infernal. E quando você acha que realmente acabou, não nunca acabou. Aparentemente nunca acaba. Gente que difícil essa história de mudança.

A parte boa é que cada dia é uma novidade. Um dia chega o sofá, no outro chega a internet (amém), no outro instala a geladeira, depois chega a mesa do jantar. E com o tempo as coisas vão se ajeitando e ficando tudo do seu jeitinho. O problema é controlar a ansiedade mórbida que eu tenho pra tudo. Não vejo a hora de ter tudo pronto, nos mínimos milímetros de organização e detalhes. E daí é só dar por aberta a fase do open house! E comemorar! Feliz casa nova pra nós!

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2 Respostas to “Mudança de apartamento. E humor.”

  1. Patricia Rusilo 07/12/2015 às 20:13 #

    Feliz casa (vida ) nova !!!!

    • Gabriela Marques 25/02/2016 às 17:58 #

      Obrigada sua queridissima!!!! <3

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