Arquivo | junho, 2016

Papo sério com a vida.

27 jun

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Oi vida, como vai? Tudo bem?

É, você mesma, a vida, viiidaa, do latim, vita. Faz tempo que não falamos não é mesmo? Está tudo tão maluco e corrido ultimamente. Eu às vezes esqueço de você e você de mim por mais impossível que isso possa parecer, porque né? Eu sou sua, você é minha. Somos uma só pessoa. Mas achei que devíamos bater um papo franco. Entre amigas mesmo. Eu e você, vida. Temos liberdade pra isso, certo?
Você anda bem ousada ultimamente, hein? Toda cheia de mistério, toda imprevisível. A senhora tem me dado cada rasteira e tapa na cara que vou te contar. Ultimamente você tem trazido cada surpresa e questionamento que eu tô até tonta. Pareço aquele cara perdidinho que jogaram no meio das batalhas de Game of Thrones. Vem tapa, espada, flecha, cavalo de todo lado. Quando você pensa que acabou vem outro tabefe na orelha. Você anda bem danadinha mesmo, né?

Você que sempre foi tão boa pra mim, eu até me assustava. Quando eu rezava antes de dormir, eu pensava: “Deus, não é possível que minha vida seja tão boa, não sei se mereço tudo isso. Será que o senhor não está esquecendo de me dar uns probleminhas assim só pra variar?” De verdade, você vida, sempre foi tão incrível pra mim. Quase todos os aspectos em você eu amava e era feliz. Quando uma coisa não ía bem as outras compensavam. O balanço sempre foi muito mais que positivo. Sempre. Você sempre foi quase tão perfeita que assustava. Tá… eu não posso dizer que perfeita porque isso nem existe e se existisse, que graça teria em você? Mas sim, eu posso dizer que sou muito abençoada e sempre fui muito grata por tudo que você vida, me proporcionou.

Daí de repente você resolveu dar uma chacoalhada em tudo e virou tudo de ponta cabeça. Que susto! Até eu que sou das mais otimistas do mundo comecei a desconfiar que você vida, era injusta, ingrata e que nada mais daria certo. Porque tudo o que estava bem você fez ficar ruim. O que era seguro você deixou inseguro e fraco. O que era lindo você deixou triste e cinza. Tudo que estava resolvido você “desresolveu” e trouxe um monte de questionamentos. Poxa vida, mas o que foi que você resolveu fazer com tudo hein? O que eu te fiz pra você me tratar assim? Foi cagada atrás de cagada e quando parecia que tinha terminado, vinha outra. Nossa! Você pode ser muito cruel às vezes sabia? Você tira saúde, traz problemas, fere relacionamentos. Você traz doença, brigas, dúvidas, que horror.  Você pode acabar com tudo né? Até com você mesma. Você é dura na queda.

E a gente cai em todas as rasteiras que você nos dá, porque afinal, você é a dona do jogo. Você é quem decide tudo e quem está no comando. A gente acha que é a gente, mas que nada. Você, vida, é a dona de tudo no mundo e até do destino, aquele cara lá estranho e misterioso que nos assombra de vez em quando.

Mas daí, vem você de novo mostrar que tudo passa. Você mesma vida, vem mostrar tudo isso de novo. Que depois da tormenta vem o arco íris e que não existe fase ruim sua que não seja seguida de uma outra tão boa e intensa quanto. Você vem realmente pra forçar a barra né? Bagunça tudo, embaralha tudo, e sai de fininho pra gente resolver o enigma. A gente sofre, faz drama, come o pão (sem glúten) que o diabo amassou e chora toda a cantareira. E você tá lá, vendo de cima e só mostrando que isso também é necessário e que isso mais uma vez vai passar, como tudo em você.

Você é tudo que a gente tem e o que a gente tem que fazer de melhor. E no fim das contas, você é a melhor coisa de todas as coisas. E agora, passado todo o turbilhão eu só tenho mais certezas das opiniões sobre você. Que você vida, é linda, é cheia de altos e baixos e cheia de surpresas. Que você é mágica e deliciosa e que até a parte ruim de você, é boa, é ótima. Você é um processo contínuo de relacionamentos e evolução e eu sou muito apaixonada por você. Sério. Sou meio mulher de malandro com você, vida. Porque mesmo me dando porrada eu volto mais apaixonada. Você é o que eu tenho de mais difícil e mais precioso. E assim vai ser até que a morte nos separe. E cada vez mais eu concluo o mais lindo de todos os clichês: “Eu sei, eu sei. Que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita. É bonita, é bonita e é bonita.”