Arquivo | março, 2018

O legado que se deixa.

5 mar

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Recentemente faleceu uma pessoa muito especial, que fundou um dos lugares mais importantes da minha vida. O lugar em que passei minha infância e adolescência inteiras e que hoje em dia vira e mexe dou um jeito de ir visitar. Fiquei muito abalada assim como todos que o conheceram e que passaram por esse lugar. Mas apesar da tristeza, me confortou entender que ele é daquelas pessoas que certamente cumpriu seu papel nessa vida. É inegável a participação dele na formação do caráter de tanta gente, na felicidade de tanta gente, e na transformação de tantos seres humanos. Todos que passaram por lá têm um pouquinho dele dentro de si e ele tem o mérito de ter criado o lugar mais feliz e mágico que existe. Portanto o legado que ele deixou é algo lindo e definitivamente imensurável.

E eu me peguei pensando no legado que as pessoas deixam, o tempo todo, de tão diferentes formas. Não só o legado no sentido literal da palavra, aquilo que a pessoa que morre deixa em testamento; a transferência de valores e bens, ou uma herança à posteridade. O legado que fica no sentido de missão, de aprendizado, contribuição, de engrandecimento. Aquela coisinha, aquela poção mágica que algumas pessoas têm o dom de deixar na gente quando passam e não participam mais da nossa vida.

Tem gente que passa tão pouco tempo com a gente e deixa algo tão imenso. Tem gente que vai viajar, muda de trabalho, de país, de vida, vai embora das nossas vidas e ainda assim, fica um monte de lembrança, de momentos, de amor encapsulado, fica marca e um quase como um legado eternizado. Tem gente que a gente passa a vida toda perto e não passa nem sequer um grãozinho da poção mágica, não fica nada marcado. E tem gente que a gente precisa ficar perto por 5 minutos pra nossa vida nunca mais ser a mesma a partir de então.

É louca essa coisa de energia, de luz que uma pessoa passa para a outra. O quanto uma única pessoa pode nos marcar de forma tão visceral. O quanto uma pessoa pode mudar todo um ambiente, seja iluminando e deixando tudo mais leve e gostoso, seja estragando tudo e deixando o lugar carregado e hostil.

E nesse sentido eu sempre acreditei muito naquela história de que você deixa o que você fez por merecer, que você recebe o que você dá. Aquela coisa de que quem dá amor recebe amor, sabe? Tenho isso quase como mantra. E essa semana eu li um ensinamento de um rabino que diz algo nessa lógica.

Ele diz que as pessoas cometem um enorme erro achando que você dá para aqueles que você ama, quando na verdade é: você ama aqueles para quem você dá. O ponto em questão é, se eu te dou algo eu investi eu mesmo em você. E como é premissa o amor próprio, todo mundo ama (ou deveria amar) a si mesmo, agora que parte de mim está em você, tem uma parte minha em você que eu amo. O resumo disso é que amor verdadeiro, é amor que se doa e não amor que se recebe. E eu não poderia concordar mais.

Fiquei pensando muito em toda essa história de legado, de marca e tudo isso que deixamos e transmitimos, que nada mais é do que deixar um pedacinho de você nas pessoas e vice-versa.

Um dia me perguntaram o que eu escreveria na minha lápide. Eu disse que seria algo do tipo: “Aqui jaz amor e uma boa gargalhada” e basicamente estaria claro o que eu pretendi deixar de legado. Naquele estilo entendedores entenderão.

E você, qual seria o legado que você deixaria para esse mundo?

 

 

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