Arquivo | dezembro, 2018

Canadá: o meu lugar no mundo.

22 dez

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Relendo alguns textos por aqui fiquei bem surpresa de nunca ter falado sobre o Canadá. Considerando que falei dos meus lugares especiais no mundo: Suécia, Chicago e Barcelona, me impressiona muito não ter mencionado o meu favorito de todos. Talvez porque seja difícil colocar em palavras meu sentimento por aquele país. Talvez por não conseguir explicar de maneira justa tudo o que aquilo representa. Ou talvez por nunca ter parado realmente para interpretar e entender a dimensão do impacto que aquele lugar tem em mim. E tudo isso voltou a tona quando fui lá visitar minha família e amigos, no mês passado.

Começando do começo. Fiz intercâmbio no Canadá quando tinha 16 anos, na high school, 2o colegial (que na época se chamava assim). Aquela fase em que a gente resolve fazer intercâmbio para comprovar que todos os anos de Cultura Inglesa não serviram de nada. A gente chega lá e fica todo atrapalhado e vê que mal consegue pedir um lanche no Mc Donald’s com um inglês digno. Mas eu que sempre almejei um inglês perfeito e que sempre tive uma adoração pela ideia de morar fora, não poderia perder essa oportunidade.

Meus pais queriam algum lugar que tivesse poucos brasileiros e eu queria um inglês que não fosse esquisito, então excluímos da lista Australia, Nova Zelândia e Inglaterra. O inglês britânico eu até acho bem charmoso e chique, mas me irrita um pouco a bola de meia na garganta então descartamos. Depois dessa questão do inglês, pensamos nos lugares de muitos brasileiros por metro quadrado e dessa forma excluímos os Estados Unidos. Então meus pais sugeriram o Canadá pois sempre ouviram muito bem de lá. Sim, tinha o lance do frio então a ideia era algum lugar mais pro oeste onde a temperatura não chegasse a desesperadores 40 graus negativos. Eu topei e quando soube que a agência de intercâmbio tinha encontrado um lugar que era do lado “quente” do país, uma ilha linda, meio hiponga, com 10 mil habitantes e nenhum brasileiro. Explodi de felicidade.

Depois para ficar melhor encontraram uma família que teria uma mãe e 3 filhos. Eu teria então uma “irmã” de 22 anos, um “irmão” de 12 anos e uma “irmã” de 16, que era a minha idade e eu já imaginava que viraríamos best friends forever. E foi exatamente o que aconteceu. A conexão com a família foi imediata, nós nos amamos logo de cara e o período que morei lá foi definitivamente um dos melhores da minha vida. Eu me sentia em casa, e parte da família. Foi um drama sem fim quando tive que ir embora.

Salt Spring Island, essa ilha que morei, faz parte das Gulf Islands, 5 ilhazinhas charmosas que ficam entre a ilha de Vancouver e o continente. Pertinho de Vancouver. Salt Spring representa bem o que é o Canada: praticamente a perfeição em forma de país. No Canadá, absolutamente tudo funciona, é tudo limpo, as pessoas são felizes, a educação e a saúde são direitos dos cidadãos, o transporte público é impecável, grande parte das pessoas tem o mesmo estilo de vida e não existe tanta diferença de classes, o governo ajuda em tudo que é necessário, quase não existe corrupção por lá. E o que dizer sobre o primeiro ministro? Se existe melhor político que aquele eu desconheço.

O país é encantador e com lugares paradisíacos, parece um eterno “outono em NY”  com aquelas folhas coloridas de morrer de amor. Tem lugares tão lindos que não parecem de verdade. A natureza incrível, diversos lugares preservados e intocados, mas quando falamos das cidades grandes, são metrópoles mesmo, com prédios enormes e modernos, com uma vida urbana latente mas mantendo aquela paz e charme que é tão peculiar do Canadá.

E as pessoas? Eu não conheço povo mais simpático e solícito que canadenses. É tão impressionante que você chega a se questionar se não está num musical, sabe? Parece que do nada as pessoas vão sair dançando e cantando enquanto falam com você. É a fofolândia, eu não aguento. Eles fazem questão de te receber bem e atender bem. Inclusive fazem questão que você more lá. Existem diversos programas de incentivo a isso. Eles de fato são em muito poucos e precisam de gente por lá. Pense que o Canadá é o segundo maior país do mundo e tem 10milhões de pessoas A MENOS que o estado de São Paulo. Da pra imaginar que aquele amontoado de gente no Carnaval de Salvador e aqueles milhões de carros na estrada para a farofa do litoral não acontecem muito por lá né? Lá é amplo, tem espaço de sobra.

Eu costumo dizer uma frase sobre o Canadá que acho que resume muita coisa: O Canadá é os Estados Unidos melhorado e sem americano mala.

E por tudo isso e por toda essa relação forte com minha família do intercâmbio que meu elo de amor com o Canadá se manteve até hoje. E agora, 17 anos depois tive a ideia de ir visitá-los novamente e de sentir um turbilhão de emoções, tudo de novo. Estar de novo na ilha, com toda a magia que eu só conheço naquele lugar, visitar a escola que estudei, as quadras que joguei basquete, os meus professores (sim, eles continuam por lá), estar com meus amigos daquela época, e estar com minha “família” de novo foi uma explosão de sentimentos lindos e meu coração simplesmente transbordou de tanto amor. Para completar, minha “irmã” que era minha melhor amiga tem 2 filhos pequenos que imediatamente já assimilaram que tinham uma tia brasileira e não conseguíamos mais nos desgrudar.

Foi lindo, foi intenso, foi especial, foi uma loucura de sentimentos e emoções que voltaram a tona. Sigo em transe ainda mesmo já tendo passado um mês que voltei. Meu coração ficou por lá e minha vontade de morar lá de novo só aflorou ainda mais. Mas isso é assunto para minha terapia e para outro texto. Então fico por aqui fazendo apenas  um pedido/apelo: Se tiverem oportunidade, vá para o Canadá. Confie em mim quando eu digo que não existe lugar melhor no mundo. Vá para esquiar, para passear, para conhecer, para estudar, para fazer esporte, para cultura, para comer mapple syrup, para ver os esquimós, para férias, para feriado, para qualquer coisa. Eu garanto que vai se apaixonar e confirmar muito do que eu disse aqui. Oh Canada. <3

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