Quando foi que o mundo ficou tão chato?

22 dez

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Esse é o último texto do ano, e mais do que um texto, é um desabafo. Porque né, 2015 não foi assim um ano fácil e talvez não tenha tanto pra se comemorar. Eu sempre acho que tem, costumo ver o lado bom de tudo, mas segundo o mood do pessoal ultimamente, eu tô aqui pra reclamar. Na verdade pra desabafar. Não sobre nada específico, mas sobre o mundo e as pessoas em geral.  Gente, quanto tempo eu dormi ou me desliguei que quando eu voltei estava tudo um saco? Quando foi que tudo ficou tão chato e dramático? O que aconteceu que um monte de gente bem resolvida agora resolveu incluir o mimimi no sobrenome? Da onde veio essa multidão de críticos e cheios de opinião sobre tudo e todos? Que que tá acontecendo? Eu acho que só há uma explicação plausível e assim de bate pronto pra responder isso: a internet.

Um cara que trabalhava comigo uma vez disse: a internet abriu a porta do reino dos chatos. É isso mesmo. Porque antes as pessoas viam as coisas e guardavam pra elas, ou contavam pra meia dúzia de interessados. Agora com a internet, você pode não só postar e falar o que quiser pra milhões de pessoas, como pode comentar em absolutamente tudo o que vê. E isso, que poderia ser algo pro bem, e pra maior interação e troca com as pessoas no mundo todo, simplesmente se tornou algo muito chato. As pessoas estão insuportáveis!

Não dá pra fazer ou falar mais nada sem que os chatos de plantão não reclamem.

Alguém fala que vai dar uma volta de bike na ciclovia –> Nooossaaa, coxinha, sem noção! Panelaço da varanda gourmet.

Resolve doar dinheiro pra uma ONG de animais –> Nossaaa, mas como você ajuda animais? E as pessoas? E a tragédia em Mariana? Você não tem coração?

As pessoas trocam o avatar do facebook para as cores da França em solidariedade ao terrível atentado –> Credo, que elitista, filha de papai, e o Brasil? E a seca do Nordeste? Pessoa horrorosa, só quer falar que já viu a Torre Eifel.

Foi aprovado o casamento gay em mais alguns países –> Pecadores, vão morrer no mármore do inferno!

O whatsapp caiu –> Que dia feliz! Finalmente as pessoas vão se olhar olho no olho, vão lembrar da família… blablabla.

Brincam pra mandar nudes pras amigas –> Meeeuu, que absurdo, como incentivam essa coisa horrorosa? As pessoas vão morrer de anorexia e de exposição.

Foto de férias na Europa –> Genteeee, que pessoa alienada. E a crise mundial? E o petrolão? E os refugiados da Siria? Como você é sem coração esnobando sua vida!

Falam de uma nova dieta no mercado –> Desumana! Incentiva a bulimia, faz dieta e não valoriza quem está passando fome no sertão.

Foto com os amigos pulando –>  Meu Deus que desrespeito a quem não tem amigos. Pulando ainda? E as pessoas que não tem pernas?

Videos engraçados –> Você não sabe o que acontece na vida das pessoas para rir da desgraça alheia, pense antes de compartilhar ZZzzzZZzz….

Que gente chata, meu seenhooorrr! Tudo é motivo pra reclamarem, e falarem de uma outra coisa que nada tem a ver com o assunto, ou pra te crucificarem e te tornarem a pior pessoa do mundo. Tá tudo muito chato e as pessoas estão se tornando intragáveis. Por que não conseguem enxergar o lado bom das coisas? Por que não consideram simplesmente o que deve ser considerado dos fatos? Porque dramatizar e aumentar tudo? Ai gente, vão transar, lavar louça, vão comer Nutella, pelo amor de Deus.

Querido, nem tudo é sobre você, é pra te ofender ou pra você dar opinião. As vezes algumas coisas são feitas ou postadas ou acontecem, simplesmente para serem daquele jeito, simples e efêmeras. Não precisa levar isso tudo tão longe.

Sejam mais leves e tenham mais discernimento na hora de comentar ou acabar com alguém nas redes sociais ou em qualquer lugar público. O mundo por si só já tem desgraça demais, não dá pra ter gente chata e negativa potencializando tudo.

Esse é meu amoroso recado pra 2016. De coração mesmo. Menos drama gente, mais amor, mais leveza e menos insuportáveis na internet. Sejam felizes, precisamos disso!  :)

 

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Mudança de apartamento. E humor.

7 dez

Caminhão Pau de Arara

Ha algumas semanas eu fui parada numa blitz e tive meu carro apreendido. Sem me estender muito no ocorrido, vale dizer que era de madrugada e o policial não teve a menor compaixão por eu ser mulher, estar sozinha e meu bafômetro ter dado 0. Levou meu carro e me deixou lá na sarjeta. O dia seguinte foi praticamente o pior dia da minha vida, entre filas no Detran, esperas, mau humor, fome, desespero, documentos, bastante dinheiro, funções e muita demora. Depois ainda o resgate do carro na pqp. Eu tinha certeza que aquela seria a pior ou mais puxada semana do meu ano. Nada pode ter mais função do que Detran e coisas relacionadas a carro. Mero engano. Eu me mudei de casa semana passada. Isso sim é a maior e mais chata função da história da humanidade.

Começa na pré-mudança. Você deve encaixotar simplesmente 20 anos da sua vida. Ou melhor, 30. 20 anos que eu morava no meu apartamento anterior, e 30 anos de vida. É muita, muita coisa. Infinitas coisas. São milhões de roupas, papelada, fotos, livros e tralha. Sim, muita tralha. Me descobri uma pessoa acumuladora, porque apesar de extremamente organizada, eu encontrei coisas absurdas. O que dizer de uma pessoa que tinha ingressos de cinema de 2003? Ou do filme Sexto Sentido, que acho que foi em 1999? Ou convites de bar mitzva dos amigos (que hoje têm 30 anos), ou então, bilhetes e cartas dos amigos do primário? Sério, como pode ter tanta coisa? E o tempo que você perde mexendo nessas coisas antigas? Você para e lê as cartas do ex namorados e se pergunta aonde estava com a cabeça com alguns deles. Você chora relendo as cartas kilométricas das amigas com muitos “te amo +qd+zão, best friend forever and ever together”. Se surpreende com os boletins escolares…como eu era nerd, benza deus, nenhuma nota abaixo de 8, aparentemente eu chorava quando isso acontecia. Você morre de saudades e de rir com as fotos.  E percebe que sempre se achou gorda mas nem era tanto assim. Certamente hoje em dia é mais. Você percebe como seus pais te zoavam com os looks que te vestiam quando criança, ou como você mesmo se zoava na adolescência achando que era bonito ser hippie, despenteada de calça Diesel. E percebe o quão exagerada você pode ser tendo tanta coisa.

Sem brincadeira, fiz umas 20 sacolas enormes para doação e muitos sacos de lixo para irem para o lixo mesmo. Em paralelo a arrumação toda eu estava lendo um livro magnífico da Marie Kondo, uma japonesa obcecada por organização, chamado “A mágica da arrumação”. O resumo desse livro é basicamente “jogue tudo fora, você não precisa de tanta coisa para ser feliz”. Então eu segui (na medida do possível) muitos dos conselhos desse livro e me desapeguei de um volume monstruoso de coisas. Segui quase tudo, menos a parte de passar a mão em cada uma das minhas roupas e sentir a energia se elas ficariam mais felizes dobradas ou penduradas. Oi? A roupa feliz? A meia triste porque faço bolota delas sendo que elas precisam descansar? Essa parte eu acho que ela tomou drogas quando escreveu, então eu decidi se eu mesma estaria feliz e com espaço com as minhas roupas.

Feita toda essa divisão e arrumação tem a mudança de fato, e no caso das minhas coisas e dos meus pais, foram 160 caixas. Cento e sessenta caixas de papelão. Ou seja, nos mudamos para um local que deveria ser muito legal se conseguisse se enxergar algo. Chegamos no apartamento inteiro tomado por caixas, não dava pra ver o chão. E desencaixota uma caixa, e não sabe onde guardar, e ataque de rinite, e desencaixota outra e não sabe o que fazer, a cachorra não sabe onde faz xixi, e tem caixas nos cômodos errados, e depois de dias acha que acabou mas faltam metade das caixas. É infernal. E quando você acha que realmente acabou, não nunca acabou. Aparentemente nunca acaba. Gente que difícil essa história de mudança.

A parte boa é que cada dia é uma novidade. Um dia chega o sofá, no outro chega a internet (amém), no outro instala a geladeira, depois chega a mesa do jantar. E com o tempo as coisas vão se ajeitando e ficando tudo do seu jeitinho. O problema é controlar a ansiedade mórbida que eu tenho pra tudo. Não vejo a hora de ter tudo pronto, nos mínimos milímetros de organização e detalhes. E daí é só dar por aberta a fase do open house! E comemorar! Feliz casa nova pra nós!

Para o meu pai. Com todo o meu amor.

6 out

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Po pai, não me dá um susto desses! Não vem me dizer que o resultado do exame é preocupante. Não me mata do coração assim. Resultados de exames de pais nunca são preocupantes, e nem nada de errado acontece com vocês. Não era isso quando eu era criança? Por que tem que mudar agora? Não, não aceito. Você e a mamãe não têm doenças ou problemas. Vocês não ficam doentes. Somos nós, os filhos que ficamos porque não ouvimos quando vocês mandaram a gente pegar o casaco. Ou quando vocês diziam que a gente deveria fazer de um jeito e fizemos o oposto e deu tudo errado exatamente como vocês previam. Só pra gente ter que ver aquelas suas carinhas irritantes de: “viu, eu avisei”. Me dá nos nervos aquela carinha de que você tinha razão, porque vocês sempre tem razão.

Sério pai, não me venha com essa cara de preocupação e esses olhinhos cheio de lágrimas. Não me venha com medo, porque pais não têm medo. Pais são acima do bem e do mal. Não começa com essa história de medo de morrer. Pais são imortais até onde eu sei. Na boa, se você morrer eu te mato, pai. Sério, não brinca com essas coisas porque já dizia você que com essas coisas não se brinca.

Para com essa palhaçada de que as coisas podem dar errado. Você é o cara mais divertido e otimista que conheço, você não só vê o copo meio cheio, mas você quer ele meio cheio de vodka que já é pra começar a balada logo e parar de enrolação. Então não me venha agora com esse papinho de que sempre deu certo e agora sim vai dar errado. Pelo amor de Deus, não me fala uma barbaridade dessa, pai. Eu não vou falar mais uma vez para parar de falar besteira. Vou contar até 3. Um, dois… Quer apanhar? Vou te ameaçar com o chinelo Raider como você fazia quando a gente era criança e você levantava aquele chinelão que nunca sequer relou na gente. E olha que não foi por falta de merecimento da nossa parte. A gente merecia mesmo a sapataria do futuro todinha na nossa bunda.

Pai, para com essa história de que está doente. Esquece esse blablabla de que “não tem cura” porque não existe isso. Os pais sempre têm as repostas e sempre têm remédio. Aquela cestinha de remédios que a mamãe guarda no banheiro de vocês, sabe? Aposto que lá tem o remédio que você precisa. E pronto, pega lá o que você precisa e esse troço aí não vai te derrubar. Um furacão não te derruba e esse tal desse exame aí vai derrubar? Ah, faça me o favor pai. Uma tremedeira nas mãos vai tirar o seu humor inabalável e seu brilho de viver?  Pra mim isso aí é um passo especial que te vejo dançando, como sempre, arrasando na pista. Não entendi qual a diferença de antes.

Agora chega dessa brincadeira mesmo, tá? De verdade, pai. Perdeu a graça. Não vamos mais falar sobre doença ou que você está doente porque não faz sentido nenhum. A vida continua a mesma e você vai viver pra sempre. Você continua saudável. Porque você é pai e só eu que sou filha posso pegar uma gripe pra você ir andando até a farmácia de pijama me comprar aspirina. Vamos parar de papo de doença porque minha vida não existe sem a sua. Você é minha vida, na verdade, então fica complicado se você não estiver por perto, entende? Porque você é meu orgulho, meu herói, meu style. Você é meu coração e minha alma, e a gente não vive sem essas coisas. E a gente tem muito pra viver ainda. Juntos. Então chega disso, ok? E não quero mais ouvir um piu. E fim de papo.

Motivos pelos quais eu jamais seria blogueira.

22 set

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O título desse texto pode parecer um pouco confuso, contraditório, ou até preconceituoso. Não, eu não odeio as blogueiras do mundo e nem quero queimá-las em praça pública e postar isso no snapchat pro mundo poder acompanhar. Longe disso. Eu amo blogs, acompanho milhões (dos mais diferentes tipos), e muitos deles são inspirações para minha vida em diversos aspectos. Eu também não sou louca/bipolar de dizer que jamais seria uma coisa que por circunstâncias da vida eu meio que sou. Quer dizer, eu tenho um blog porque é uma plataforma que encontrei para dividir meus textos, mas entendo isso aqui muito mais como um site de crônicas ou como se fosse uma coluna minha. Eu tenho consciência que isso aqui é um blog, o ponto é que eu não me considero uma blogueira. Faz sentido?

Na minha cabeça (e na de um montão de gente, eu imagino), blogueira é uma mulher que tem um blog (ah va!) mas mais que isso, é um estilo de vida. Profissão mesmo, e hoje em dia super respeitada. São meninas que são extremamente ligadas a algumas áreas como moda, lifestyle, viagens, mundo fitness, culinária, e fazem desses assuntos algo diário na vida delas e isso é compartilhado muitas vezes por dia, por diversas redes sociais para um mundo de seguidores que estão desesperadamente querendo saber de tudo aquilo. São celebridades do mundo virtual e têm uma dimensão muito maior do que podemos imaginar. (Eu sou publicitária, eu sei bem quanto custa um mísero post dessas moçoilas.)

E eu não sou nada disso aí. Acho realmente admirável quem é e quem consegue administrar o tempo e a vida para ser, mas eu não sou. Mesmo. Eu só escrevo, sobre um monte de coisa, mas é isso, eu escrevo, e só. E uso uma imagenzinhas bonitinha pra ornar com o texto. Pronto, é isso. E é aqui que vem o meu ponto de eu jamais conseguir ser como uma dessas bloggers. E posso listar facilmente os motivos disso.

Se eu fosse uma blogueira de lifestyle, por exemplo. Primeiramente; minha vida nem é tão interessante assim. Não me leve a mal, sou extremamente feliz e grata pelo que tenho, mas eu tenho uma rotina que se resume em trabalhar 10 horas por dia, correr, escrever, frequentar a Kabbalah, ir à a academia e ler. Digamos que não é a vida mais incrível e inusitada que se tem, certo? Claro que nesse meio termo tem programas com minhas amigas, meu namorado, eventos de família, casa na praia, casamentos e tudo mais. Mas no geral, a rotina mesmo, é bem normal e não é nada que valha a pena ficar compartilhando a todo tempo, entende? Semana passada por exemplo, eu tive 2 dias inteiros de workshop que eu garanto que se vocês pudessem acompanhar não só vocês morreriam de depressão como correriam até lá pra me dar um abraço e me sequestrar.

Se eu fosse uma blogueira de moda ou make eu não duraria um dia sequer. Eu sou totalmente desligada de moda, não entendo nada de estilistas e mooooorrro de preguiça desses eventos de lançamento de coleção e marcas que tem todo dia. Cortaria os pulsos de perder meu Netflix pra ir nesse tipo de evento no meio da semana ou ir no SPFW. Acho um antro de gente esquisita. Não entendo dos desfiles, me confundo com as marcas e no geral sou bem básica pra me vestir. Fora isso, nunca entenderei essas mulheres que acordam duas horas antes do que deveriam para se produzir. Isso sou eu tá? Continuem lindas, maquiadas e da moda que eu amo acompanhar, ok?

Se eu fosse blogueira fitness, eu poderia durar por uma semana, pois é o tempo que eu consigo manter uma dieta a risca ou uma boa frequência de academia. Eu não tenho a disciplina que essas moças tem. Uma semana eu só tomo líquidos e na outra eu posso comer uma praça de alimentação inteira, sou muito incoerente. E eu nem acho que batata doce é doce porcaria nenhuma. Doce pra mim é brigadeiro. Fora que eu morro de sono pra acordar as 05:00 da manhã. Admiro, muito. Mas não dou conta não.

Se eu fosse uma blogueira de viagens eu seria demitida porque só tiro férias uma vez por ano e, portanto, só faço viagens que valem a pena de serem compartilhadas, uma vez por ano. Todo o resto do tempo eu passo planejando a próxima e elencando lugares que preciso conhecer. A eterna tristeza de ser funcionária e assalariada.

Fora tudo isso me falta tempo e paciência. Pra ficar editando, pesquisando, postando e acompanhando todas as redes sociais, pra estar por dentro de tudo a todo o tempo, 24 horas por dia.

Dia desses uma leitora me pediu pra começar a postar no snapchat. Estava pensando aqui e analisando tudo que falei acima, e to achando melhor não, viu?! Acho que sou melhor com as palavras mesmo.

O dia em que acabou a bateria. E o mundo.

12 ago

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Aconteceu uma coisa horrível comigo ontem. Juro. Uma coisa muito terrível mesmo: acabou a bateria do meu celular. Eu sei, parece exagero, eu pareço uma louca falando isso, mas é que isso realmente nunca tinha me acontecido. E eu nunca precisei tanto de um celular como nessa fatídica vez. Sei lá, minha bateria normalmente dura quase o dia todo, ou eu sempre tenho um carregador no trabalho ou no carro. Ou não preciso do celular, não sou tão dependente disso. Ingênua. Ontem aconteceu que a bateria acabou quando eu estava chegando numa reunião, de taxi, umas 15:00. Já me causou desprazer pois eu havia pedido o taxi pelo aplicativo da agência e eu só poderia fazer o pagamento por esse aplicativo. Legal.

Durante a reunião (que foi longa), eu precisava mandar whatsapp pros meus coleguinhas, falando mal de outro coleguinha na reunião. Eu não podia. Também me lembrei de algumas coisas que precisava fazer no dia e que certamente me mandaria um e-mail pra me lembrar depois. Não pude. Saindo da reunião eu tinha que ligar pro meu chefe e contar da reunião e dos próximos passos. Também tinha que ver os meus e-mails caso estivesse acontecendo algo de problemático na agência. Impossível. Preferi mentalizar “o segredo” e só pensei em coisas boas que estariam acontecendo na minha ausência de tecnologia.

Saindo dessa reunião eu tinha outra. Pedi o taxi pelo aplicativo do celular de outra pessoa. E quando entrei no taxi percebi que não sabia o endereço da outra reunião. “Ah, mas é só eu ver o invite, o endereço está lá. Ou é só eu ligar pra minha assistente que ela pode achar o endereço pra mim.” Pensei. E logo me lembrei daquele fenômeno de não ter bateria no celular. Eu não podia fazer nenhuma das duas coisas. Pensei em ligar pra alguém da rua. Como? Ainda existe orelhão? Onde compra ficha? Se ligar a cobrar ainda é aquela musiquinha? E outra, eu só sei de cor o telefone dos meus pais e da minha melhor amiga. Nenhum desses saberia o endereço. E agora? Pedi pro taxista um carregador emprestado. Ele me emprestou algo que de repente funcionaria como cinto ou cadarço já que como carregador não funcionava. Graças a um surto de memória eu me lembrei da rua. O número foi na tentativa mesmo e no bom humor do taxista que foi vendo comigo cada edifício. Já fazia umas duas horas que estava incomunicável, minha mãe deve achar que algo aconteceu.

Cheguei na outra reunião com uma hora de antecedência. Não, eu não tinha visto a hora porque eu não uso relógio, eu vejo horas no celular. Eu esperei a próxima reunião durante uma hora e meia sentada. Repito. Uma hora e meia SEM BATERIA. Numa boa, aqui entre nós, o que se faz em uma hora e meia de espera sem redes sociais? Como não checar os grupos de whatsapp? Como sobreviver sem ver alguém em Ibiza no instagram? Ou sem ver um snap da Pugliese e seu abdome impecável e corpo escultural? Será que o Buda almoçou direitinho hoje? E se a Mica Rocha deu uma dica imperdível daquele cabelo perfeito? A Julia Faria já foi no pilates hoje? Gente, eu tenho uma certa dependência dessas meninas. Eu preciso saber delas. Tenho apego.

A reunião levou uma hora e meia. Eu acho. Pode ter sido 3, eu não tinha relógio pra marcar. O fornecedor falava siglas e termos que eu nunca ouvi na vida. Meu Deus, como eu faço pra dar um Google escondidinha? Saindo de lá precisava ligar pro meu namorado e minha mãe. Eram muitas horas incomunicável já. Minha mãe já deve ter certeza que fui sequestrada. Pedi o carregador emprestado pra recepcionista do lugar, mas o dela era de android e não cabia no meu. Aliás eu achei ela bem parecida com uma menina engraçada que conheci e queria tirar uma foto dela pra mandar pro meu namorado. Mas eu não ando com máquinas fotográficas, eu tiro foto com meu celular. QUANDO ELE TEM BATERIA.

Peguei outro taxi pra ir embora. Dessa vez na rua mesmo, já que não tinha como usar aplicativos. Puta transito. Cadê o Waaaaaze? Passam horas… Minha mãe deve achar que morri. Fato. Bom e nesse tempo que se passou desde que meu celular passou dessa pra melhor eu só passei dessa pra pior né? Eu já deixei de comer meus lanchinhos nas horas certas, de beber água, sim porque eu tenho aplicativos que me lembram disso. Já esqueci de todos os lembretes que eu teria durante o dia. Já deixei de falar com as minhas amigas. Eu já perdi a bike boa da academia. Se bobear já perdi até o namorado que deve achar que me mudei de país e esqueci de avisá-lo.

Cheguei em casa e tive uma miragem. Tipo no deserto quando as pessoas se deparam com água. Era meu carregador. Ali na tomada, prontinho pra mim. Meu celular voltou a vida e eu também. Estamos todos bem apesar das horas difíceis. Buda está alimentado, Mica segue linda, a Pugli malhou, nos meus grupos de whatsapp segue a discussão da marginal local, a ciclofaixa, as fotos dos babies e minha mãe e meu namorado sequer notaram minha ausência…

O que aprendemos sobre as férias.

3 ago

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Hellloo! Long time no see, né? Saudades. Essa sou eu, sendo meiga e ultra empolgada. As férias me deixam assim, bem retardada. Mesmo sendo hoje, meu último dia dessa alegria, ainda sigo com uma felicidade impar. Estive 20 dias de férias, sendo 15 deles viajando por Israel. Não vou falar muito sobre a viagem em si porque ainda não consigo… acho que se falar vou começar a chorar de tanta emoção. Ainda não superei tanta beleza daquele lugar. Nem superei o fato de ter voltado e quero morar lá. Mas isso fica pra outro texto. Então aqui falarei sobre fatos que se aprendi e que se aprende sempre sobre as férias. Vamos lá.

Férias são as melhores coisas da vida de uma pessoa.

Não me venham dizer que é o casamento, ou o nascimento de um filho ou se sentir plena no trabalho e carreira. Não, tem algo melhor que isso tudo: são as férias. É impressionante como eu posso basear a minha vida toda pensando nisso. Cada salário que cai, cada dia que passa, eu só consigo programar viagens, viagens e a próxima viagem. Talvez seja a coisa que eu mais penso na vida. Sério mesmo.

Viaje durante todo o tempo que tiver de férias.

Não inventem isso de ficar em casa descansando, ou tirar férias para “resolver funças”. Viaje, muito, o máximo que você puder. Ok, se quiser curtir um pouco em casa, mas eu por exemplo usei dois dias para isso e já estou surtada. Fico pensando que devia ter usado esses dias na viagem.

Não venda nem um dia sequer das férias.

Esse conselho vale pra mim mesma que fiz isso dessa vez e já fiz uma outra vez. Vendi 10 dias e tirei 20. Fuééén. Errado, devia ter tirado os 30 que me são de direito. Eu trabalho como uma débil mental, eu mereço esses 30 dias. Um amigo me disse recentemente “não se vende o que não se pode comprar”. Sábias palavras. Pretendo não fazer mais essa loucura de vender férias.

Viaje com quem você ama. Ame com quem você viaja.

Aquela história de que só se conhece realmente alguém quando se viaja com ela é clichê mas é a mais pura verdade. A convivência em viagem é muito muito muito intensa. É claro que fica mais fácil porque muito provavelmente vocês estarão juntos em lugares incríveis. Ninguém por vontade própria vai viajar pra um lugar bizarro e sem água. Mas mesmo em ilhas paradisíacas, não é fácil estar 24 horas (literalmente) com uma mesma pessoa. Acontecem coisas inesperadas, nem tudo sai como planejado, as pessoas tem manias e jeitos distintos, o estilo de viajar de cada um pode ser bem diferente, cada um tem seu valor, seus costumes, prioridades. Cada um gosta de desfrutar dos lugares de diferentes maneiras. Enfim, escolha realmente um parceiro para viajar. Alguém que tenha um jeito parecido com o seu e ideias meio que alinhadas. Alguém que vai fazer cada minuto daquela experiência mais inesquecível ainda.

Perrengues irão acontecer. Lide com isso.

É impossível tudo sair dentro do combinado numa viagem. As cagadas acontecem, não adianta. Eu acho que viagens, assim como grandes eventos, têm tudo pra dar errado. A magia é ir contornando pra dar o mínimo possível e rir disso depois. Dessa vez por exemplo, na ida eu fiz uma escala em que teria que esperar 12 horas pelo meu próximo voo. Pois é. No primeiro hotel que ficaríamos, eu tinha reserva para os dias 16 e 17/07. Acontece que minha reserva era para esses dias, mas em 2016!! “Ta, eu errei o ano moço, desculpa, e agora o que eu faço?” E o jovem Alex do hotel, muito simpático, me disse: “Volte aqui no ano que vem”. Não sabia se meu namorado queria me matar de morte lenta ou uma bem instantânea pra não ter que mais lidar comigo. Durante a viagem eu perdi meus óculos novinhos (isso é olho gordo, tenho certeza), perdi a carteira (e logo achei), ficamos em todos os hotéis com a maior quantidade de degraus que já vi, e sem elevador. Minha mala tinha 30kgs para subir de escada. Jantamos numa temperatura amena de 38 graus, nos perdemos loucamente até acharmos onde dormiríamos, congelamos no ar condicionado de um ônibus que não dava pra fechar aquela porrinha que solta ar, tivemos bolhas de tanto andar, infecção urinária, boca estourada do sol, perdemos o wifi, perdemos a hora, nos embaralhamos com o hebraico, levamos prejuízo de taxista mal humorado e na volta quase perdi a conexão, por segundos. Ah! E minha mala não veio. Mas o melhor de tudo, gargalhamos de cada uma das histórias. Até doer a barriga.

Uma vez na vida, faça uma viagem não programada.

Eu sou ultra metódica, organizada, louca das planilhas e programada. Dessa vez, decidimos a viagem do nada. E a pedido do meu namorado fomos viajar num estilo “vida loka”, sem muitos planos e sem reservar hotéis, passeios ou qualquer compromisso. A principio eu quase morri de catapora com essa ideia. Mas com o tempo aceitei e assimilei. E de verdade, é libertador. Você acordar e não ter planos e decidir ali mesmo o que vão fazer, aonde irão dormir, o que irão visitar e pra onde partir no outro dia, é simplesmente incrível. Realmente recomendo pelo menos uma vez na vida. (Mas não acostuma tá, amor?! A próxima viagem eu já to reservando tudo aqui tá? Bem direitinho, com bastante antecedência).

Esses são alguns dos principais pontos ou conselhos que pude juntar depois dessas férias inesquecíveis. Tenho vários outros mas acho que daqui já dá pra tirar bastante proveito. Gente, vão viajar. O máximo que puderem e conseguir.em É o melhor e mais valioso dinheiro investido. É a única coisa que você gasta muito dinheiro mas te deixa cada vez mais rico. Eu realmente vivo pra isso. E se um dia eu tiver que dar apenas um conselho nessa vida, não vai ser pra usar o filtro solar, vai ser para viajar.

** essa foto linda aí foi no primeiro dia em Tel Aviv, o primeiro por do sol de todos os inesquecíveis que vimos <3

Calma, não é tão urgente assim.

8 jun

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Quando criança, meu sonho era ser médica. Até por isso eu fiz a área de Biológicas na escola e amava todos os tipos de biologia que eu tinha. Mas esse sonho foi por água abaixo quando tiver que abrir animais no laboratório e ao ver sangue e tripas eu achei que iria morrer desmaiar. Na verdade eu desmaiei mesmo e percebi que aquilo não era pra mim. Eis que virei publicitária. E agora eu praticamente desmaio por stress e pressão e não mais por ver sangue ou tripas. Brincadeirinha. #sqn.

Desmaios a parte o que eu aprendi sobre profissões é que existem algumas que de fato são mais nobres e louváveis. São “questão de vida ou morte” mesmo. Aquele pensamento antigo dos nossos avós de que só é interessante quem fez medicina, engenharia ou direito. É retrógado e tal, mas tem lá seu ponto se for pensar. Não me levem a mal, eu não me acho pior por isso e nem estou desdenhando todos os outros mortais que não se tornaram esses profissionais que mencionei. Não desmereço nenhuma carreira, muito menos a minha. Tenho o maior apego à publicidade, amo o que faço, não me vejo fazendo outra coisa, e acho sim que podemos fazer a diferença na vida das pessoas com ações e campanhas. Mas o que quero dizer é que ser médico, por exemplo faz você ter literalmente em mãos, a vida de certas pessoas. Ou então se você é um engenheiro, você constrói e projeta coisas que por qualquer erro de cálculo pode ruir e trazer o caos. Você também é bem responsável pela vida de muitas pessoas. Um outro exemplo é você sendo um juiz e tendo a capacidade de julgar e decidir o destino de uma pessoa me parece um peso bastante grande.

O que quero dizer com essas afirmações e comparações é que durante minha carreira eu aprendi muito sobre o verdadeiro significado de urgência e sobre dar os verdadeiros pesos das coisas. Eu não trabalhei em milhares de lugares e nem tenho 50 anos de experiência e carreira. Longe disso, tenho uma mísera década sendo publicitária. Mas eu já pirei bastante durante esse tempo e me dediquei de maneira exagerada deixando passar coisas importantes da vida. Eu perdi o almoço de casamento do meu irmão no telefone com o cliente e a produtora. Eu já perdi aniversário de amigas pois estava presa na agência. Eu já cancelei viagens e já engordei de tanto pedir pizza nas madrugadas de apresentação de campanha. Já tive crises de ansiedade. Já deixei de descansar ou curtir um lugar checando e-mails desenfreadamente de noite e madrugada. Mas eu aprendi muito com tudo isso e não sou mais assim. Eu não deixo mais o trabalho me enlouquecer. Pelo menos não como antes. Mas claro, eu ainda sou nerd e over dedicada, e isso faz parte da minha essência. Jamais levaria algo nas coxas, e isso nunca vai mudar, mas eu não deixo mais o trabalho influenciar e estragar a minha vida pessoal como antes.

Eu aprendi que talvez nem todo mundo esteja assim tão preocupado quanto eu. Aprendi que existem coisas que sim, podem ser deixadas pra outro dia. Aprendi que delegar é tão importante quanto aprender e fazer. Eu entendi que nem tudo é tão urgente assim, e o senso de urgência das pessoas é muito relativo. Ou como um amigo sabiamente disse: “O mundo começou a ficar esculhambado quando o primeiro ser nobre pediu pela primeira vez algo que era urgente e não era. Mas a culpa foi de outro nobre ser, aquele que atendeu prontamente sem questionar. Hoje todos nós corremos atrás do rabo por um senso de urgência inexistente que esses dois cavalheiros combinaram entre eles.” É totalmente isso.

O mundo não vai acabar se a apresentação ainda não está 100% pronta e a reunião é dali 5 horas. Se por um acaso desmarcarmos algo, não é o fim do mundo. Imprevistos acontecem. Ninguém vai ter um ataque cardíaco se a campanha entrar no ar dia 18 ao invés do dia 17. As vendas não vão deixar de acontecer por isso. Os e-mails fazem um percurso (extremamente rápido e brilhante), e com as pessoas ligando ou gritando não vai agilizar ainda mais a entrada deles nas caixas das outras. Milhões de reuniões sem fim não vão resolver um problema que não tem solução.

E o mais importante que aprendi e por isso citei a medicina como real caso de vida ou morte. Na minha profissão, as pessoas simplesmente precisam ter calma e precisam respirar, já que NINGUÉM VAI MORRER. Ainda não foi detectada nenhuma doença ou causa de morte como: campanha publicitária. Take it easy, pessoal.